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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Carta para alguém que não encontrei


Distante de tudo e de todos, 

Um espaço somente nosso. 

O burburinho deixado de lado,

Na imensurável lealdade. 

Quem disse que isso é verdade?


Este foi o mundo fantasioso,

Co-criado na trilha da solitude. 

Escondendo-me da ausência, 

No desejo latente,

De encontra-lo por outras dimensões. 


O amor se transmuta, volúvel, 

Em formas desconhecidas -

Vencendo o tempo e o espaço físico.


Ultimamente,  tenho andado tão desconectada,

Distraindo-me com outras realidades. 

E lá no fundo –

Mesmo que em outro plano, 

No meu recôndito,

Posso toca-lo com a minha alma.

Desde sempre mostrou-se imponente, 

Sem ter nos tocado.


Nada é perecível, 

Embora, pareça um sonho longínquo.

O anseio antes de tudo,

Oferecer a mão amiga,

Eximindo-o de todo o sofrimento. 


É bem real que a terceira dimensão, 

Traga-nos surpresas desagradáveis. 

Mas também nos revela –

Experiências extraordinárias.


A paciência de reencontra-lo,

Supera todos os obstáculos. 

Tenho o entendimento, 

Que viveremos o que for permitido,

Contrariando qualquer perspectiva pessimista.


Ao olhar para uma de suas fotos, 

Posso perceber em teu olhar,

O quanto isso é possível. 

Entretanto, esta aqui:

Adormecido  -

Guardadinho em meu coração,

Desde a época em que não percebia,

Porém,  pressentia-o por perto. 

E, mais ainda, 

No instante de sua partida.

Quando um redemoinho de vento,

Formou-se no ambiente de meu quarto.


Você esteve...

E sempre estará comigo. 

Você  é...

E sempre será eterno. 


Até um dia.


domingo, 15 de junho de 2025

Espetáculo macabro


 

Qual é o seu lado,

No meio de toda essa confusão?

Corpos dilacerados –

Sonhos destruídos –

Conhecimentos em putrefação. 

Milhares de inocentes, 

Pagando um alto preço pela ambição  -

Infinita consternação. 


O que nos resta:

O medo,

O desespero, 

A aflição. 


A quantas anda a sua saúde?

Batimentos cardíacos -

Em aceleração?

Ou será em ritmos descompassados,

O bombardeio em cima de nossas cabeças –

Sem a preparação da militarização. 

O poderio bélico, 

Distribuído a torto e à direita,

O Estado em manipulação.


Até quando viveremos subjugados, 

Pela total insegurança?

Os governantes por detrás de suas mesas,

Não resolvendo nada.

Apreciam o espetáculo macabro,

A morte por telas,

À quilômetros de distância. 

Na população, 

Provocando ânsia,  a ojeriza.

Longe do alcance do raciocínio lógico, 

Aumentando o número de vítimas –

Cada vez mais crescente.

Não importa:

Se é culpado ou inocente. 

As crianças moldadas na revolta,

Um futuro incerto, 

Que não há presente. 

Uma ou mais balas perdidas,

Batendo em suas portas.

Ao menos sem serem convidadas,

Atravessando janelas,

Apenas trazendo apreensão, 

Ou ceifando a vida, 

Sem compreensão. 

Dos dias contados,

As não idas para a escola.

Retirando o direito da educação, 

Aprender táticas de guerra, obrigação. 


Qual é a vantagem?

Há dias em que a adrenalina, 

Está em alta voltagem. 

Um curto circuito no desenvolvimento, 

Insuflando a defasagem psicológica. 

É o povo pelo povo,

Em plena organização,

Na crescente precariedade.

Nem sempre os bons e os justos,

Contribuem para a leveza da realidade. 


Os jovens crescendo,

Com a falta de discernimento. 

Muitas vezes, obrigados,

A tecerem outros caminhos,

Jamais escolhidos.

Pela ilusão e ambição –

Corrompidos.

O que nos resta é apenas a missão, 

De mostrar mesmo que no fim do túnel, 

Existe uma luz.

Que pode se propagar com a união, 

Se unidos caminharmos com determinação. 


Incrédula trajetória


Ameaças –

Iminentes ataques  -

Tortura física  -

Dilaceração da alma –

Frágil estado psicológico  -

Violência!


Todos os dias,

Colocado em prática o apartheid. 


Não importa a cor da sua pele,

A cada dia uma nova invenção. 


Rotulados –

Colocados em gavetas.

O valor na sua conta,

O status social -

A supremacia primordial. 

Promovendo a polarização, 

Aos “inferiores” o ridículo. 


Tenho a pele clara, 

Mas na batalha pela igualdade, 

Estou ao lado dos meus irmãos -

Este é o verdadeiro valor da comunhão.


Somos seres humanos, 

O que difere é a melanina.

Não aceito covardia, 

A derme negra sempre o alvo.

Na maior vacilação, 

Nesse estado de injustiça, 

A retaliação. 


Qual é o teu papel, 

Na luta antirracista?

Todos têm um lugar de fala, 

No genocídio negro extremista.

Na quimera da violação, 

Promovendo a desigualdade -

Exercendo a gentrificação.


Pelo contrário:

Nunca vamos nos calar!

Tornamo-nos heróis de nossas próprias vidas,

Somos símbolos constantes da resistência. 

Ninguém é melhor do que ninguém, 

Neste jogo cruel de perseguição. 

O Estado como ferramenta da manipulação, 

Na imperfeita idealização, 

Na banalidade da raça ariana.


Mascarando crimes,

Tampando o sol com a peneira.

Fechando os olhos para as vis arbitrariedades,

Levando a maior parte do seu quinhão, 

Cometendo atrocidades. 

O que é de direito, 

De nos roubar não tem capacidade. 

Da nossa essência, 

Fazendo parte do conhecimento.

Mesmo  nos forjando, 

Entregando o CEP.

Na limpeza ética,

Há centenas de anos.

Na barbaridade de ódio e ambição, 

Mesmo consternados,

Mais um corpo caído ao chão.


Não vamos recuar,

A favela é persistência. 

Com um Governo dando as costas, 

Fazendo de conta,

Vivendo em uma realidade. 

Subjugados – Paralelamente –

Tratados como escória,

Como produtos descartáveis. 

Pagando impostos, 

Sob um olhar racista.

O mesmo sangue que corre nas veias, 

É o que alimenta a triste estatística. 


NÃO VAMOS RECUAR!


NÃO VAMOS NOS CALAR!


Em algum momento da história, 

Mudaremos a trajetória. 


Resquício de estratégias


Destinos fora do radar,

Desvios por escolhas erradas.

Talvez por falta de oportunidades,

A ilusão distorcendo a realidade.

 

Nem sempre é fácil viver o jogo,

Na cartada de mestre, quebrar a mesa.

Os desafios e o ódio,  a sobremesa,

Servindo o prato frio, vil perigo.

 

Na luta cruel pela sobrevivência,

Em dia mantendo a resistência.

Nado contra a correnteza,  persistência,

O resultado,  no desejo da decência.

 

Às vezes, boa vontade,  lufada de ar,

Amenizando o caos, desse lugar.

Enraizada disputa territorial, vaidade,

Ceifando ascensões, essa é a verdade.

 

A ganância alimentada por vícios,

Suprimindo descobertas de ofícios.

Na deslealdade da vida humana,

Corpos tombados, superfície plana.

 

Qual é a razão? Ostentação de poder,

Os dias se perdendo, subtraindo o prazer.

Adrenalina à mil, estresse em alta,

Corrida de gato e rato, do que sentes falta?

 

O Governo e a autarquia paralela,

Exercendo o teatro,  inflando os bolsos.

À custas de inocentes, recolhendo tesouros,

As sombras tomando conta da aquarela.

 

Entre crimes e cometendo pecados,

Zumbis caminhando perdidos.

Nas batalhas cotidianas, não há atalhos,

Pagando o preço,  por atos falhos.

 

De ambas as partes, qual lado for,

As oferendas,  revendo sacrifícios.

Espalhando a discórdia e o desamor,

Por entre becos,  vielas e edifícios.

 

Procriam-se em uma luta desleal,

Sem o menor resquício de estratégias.

Tomando dimensões,  tão surreal,

Da esperança cortando as artérias.

 

domingo, 8 de junho de 2025

Vidas oprimidas


Desde a época da escravidão, 

Antes, durante e depois da abolição. 

Há esse regime de perseguição, 

Cor negra tombada, à mercê da exposição. 


Mudou pouca coisa de lá para cá, 

Senzala, transformou-se em favelas.

Vidas oprimidas, entre becos e vielas,

O som dos estampidos,  no dó ré mi fá.


Resultado: Indivíduos estendidos ao chão, 

Não pela lei da gravidade,  opressão. 

O desespero tomando conta do lugar, 

Ansiedade,  depressão,  falta de ar.


Mascaram as leis, Governo genocida, 

Brincam de Deus, ceifando vidas.

Retiram o privilégio de sonhar, jovem preto,

Impondo deveres, nada de direitos.


Atiram primeiro,  grande burrada,

Fascistas de direita, almas nefasta.

A comunidade inteira devastada,

A lamentação da agonia vasta.


De saúde e educação nada de intervenção, 

A ditadura do poderio bélico, a solução. 

São crimes violentos, nenhuma resolução, 

De corpos dilacerados, a profanação. 


Não tarda, desde sempre a resistência, 

A união dos menos favorecidos,  a potência. 

Em meio à dor, pedindo por clemência, 

Os de colarinho branco,  a prepotência. 


Em pleno século XXI,  ressoa surreal, 

O apartheid  sem máscara, consciente. 

Vitimizando pessoas inocentes, 

No racismo de extermínio, brutal.


sábado, 7 de junho de 2025

Regime opressor


É sempre a mesma história,
São vários casos na memória.
A bala perdida –
Acertando alguém indefeso,
A mão do Estado,
Pesando sobre os mais fracos.
A população indignada,
Reviravolta no estômago, ascos.
Na comunidade -
Promovendo o luto.
Ao invés de prover a evolução,
Cometem crimes, sem solução.

Sem dó e nem piedade,
Triturado gente.
O Governo fascista,
A base elitista,
Levando vantagem.
Em alta voltagem,
O regime opressor.
Desde a escravidão,
Alimentando o ódio.
Espírito ditador,
Dilacerando com a dor.

Aos moradores da periferia,
O banho de sangue,
Lavando as calçadas.
Exterminando sonhos,
A insígnia conquistada.
A falsidade com louvor,
A população de bem armada,
Por ferramentas de trabalho.
No reflexo do espelho,
A face cansada.

Mais um corpo favelado,
Estendido no chão.
Menos um CPF,
O crime que cometeu: O CEP.
Forjam os seus teatros macabros,
Oferendas aos deuses ocultos.
Como escudos, a religião,
Pregando em falsos cultos.
Os que estão no poder,
Um jogo de cartas marcadas.
Aos que ficam traumatizados,
Perguntando-se:
Quando será a próxima incursão?
Quantos sacrifícios pelo chão?

Velada corrupção,
Ao poder paralelo,
Poderio bélico, munição.
Na linha de frente,
Os que não compram proteção.
Sobrevivendo sob o elo,
Subjugado – Intimidação.

Quantos ficarão caídos?
A vida rendida na ponta do fuzil,
Vivências frias,
Almejando o colorido.
Nada da normalidade,
De não sermos mais coagidos.

A revolta –
A luta –
A peleja –
De desbravar a coerência,
Perpetuando a ascensão da consciência.
A favor, de interromper a dizimação.
Crescendo as crianças,
Desenvolvendo-se sem medo.
No momento, presente,
Pagando pelos erros adultos.
E não sejamos menos incultos,
À espreita estão os vultos.

Aconteceu novamente,
Os números na lista inseridos,
Na triste e enojada estatística.
A alma devastada,
Na insurgência de mais uma batalha.
Multiplicando-se os protestos,
Os apelos por justiça.
Às últimas na UTI entubada,
Nos corações doloridos.
De que ao amanhecer,
Possamos ressurgir fortes.
Suportando todas as turbulências,
E não nos sufoque –
Essa fumaça densa da hipocrisia.


Ação do sobrenatural


Sonhos lúcidos  -

Saídas do corpo –

Sempre nos surpreende o sobrenatural. 

A mente límpida –

Revelando os segredos –

Prevendo o futuro –

Dando-nos uma direção,

Mostrando-nos o melhor caminho.

Afastando-nos do mal e do perigo, 

Ao aprendizado:

O alinhamento. 


E mais uma vez aconteceu!


O coração em paz,

A mente em total silêncio. 

Abnegando-se de qualquer desejo, 

Mas a terceira dimensão prega as suas peças. 

Nos resquícios de ego,

Por mais que o deixamos adormecido,

Ele está lá inerte, porém,  presente.


Como podemos nos ver,

Assistindo aos nossos próprios atos?

Somos fractais de almas, 

Divididos por várias dimensões. 


E eu estava ali, 

Ou em uma realidade paralela.

Tão real, ou mera ilusão, 

Convertida em uma enorme tela de cinema,

Experenciando tudo aquilo. 


O que de fato acontece?

O simples pensamento transmutando a realidade, 

Os pés descalços sobre a areia.

Recriando nova conexão com o astral –

Sinergia. 


O mar –

A maresia –

O vento nos cabelos  -

Um cenário deslumbrante, 

A companhia de alguém que não lembro quem seja.


Tudo é uma miscelânea de emoções, 

O sonho realizado. 

A alquimia energética da poesia, 

Em delicadas ações,

Que revelam a felicidade. 

Plenamente a magia tomando conta das horas,

Sem pensar no que viria depois,

Apenas vivenciando o presente – 

Nem preocupações. 

Apenas vivenciando o entardecer,

Madrugada adentro,

O nascer do sol –

Brindando-nos com o seu calor e brilho. 

Retornando com os pés descalços, 

Novo ar de jovialidade.

Conversas –

Palavras de cordialidade. 


De repente,  a transfiguração, 

A densidade tomando conta do lugar.

O ataque cruel na sutileza,

Não há perigo,

Projéteis atingindo o meu corpo. 


Qual seta a explicação?

Mesmo sendo amparada,

Por que tal bloqueio, 

Abrangendo o coração?


Luta desarmada


Luta desarmada
Apesar do céu azul,
Pairando sobre as nossas cabeças.
Na verdade, há uma incredulidade cinzenta,
Que entorpece os sentidos.
Em poucos a comoção,
Em muitos a normalidade.

Qual é o estado de equilíbrio?
O gélido ar da comodidade,
Os abutres promovendo o vil abate.
Sem menor condição de aceitar o óbvio,
Cada qual com o mais curto pavio.
Retirando resquícios de inocência,
Promovendo a imoralidade.
Incutindo o descaso,
Qual é a razão?

Movendo a engrenagem do capitalismo,
Subtraindo o brilho.
Quem enxerga o verdadeiro reflexo no espelho?
Quem dorme com a consciência tranquila no travesseiro?
Não há menor condição,
Por onde anda o aceitável?
Porque do contrário existe até promoções,
Mergulhados em antigos preconceitos.
Exercendo a dolorida barbárie,
Tão brutal dilacerando a carne.
Rotulados como seres humanos,
Os ditos racionais.
Deixando-se levar pelo ódio,
Agindo como meros boçais.

Nada mais é uma surpresa,
Cada vez mais crimes aleatórios,
Todos os dias preenchendo as colunas policiais.
Enchendo a linguiça nos noticiários,
Comentários totalmente arbitrários.
É preciso nadar contra a maré,
Para não bater de frente com o azar.
O calendário da mediocracia,
Abatendo novas vítimas,
Em total consenso.
Para quê pensar? Perda de tempo,
Pão e circo realizando o seu papel.
Dos que fomentam a distração,
A dopamina e seus afins,
Da boa convivência, o fim.

Não nos daremos por vencidos,
Em algum momento, viraremos a mesa.
Nadando contra a correnteza,
Desafiando os padrões impostos.
Nada de permuta, estaremos opostos,
Sem negligenciar a vida.
Trocando o certo pelo duvidoso,
As escolhas se farão conscientes.
Nada de desperdícios,
Neste modo descrente.
Para tudo haverá uma solução,
Desfazendo o marasmo da manipulação.

Já basta!
Já deu!
Queremos agora o prometido,
Arrefecendo a ditadura velada.
Recriaremos para a Terra,
Diferente jornada.

Não venha questionar, persuasão,
Com seu flagelo de perseguição.
É um longo caminho, transmutação,
Gerando outra consciência, ascensão.
O pensamento lógico,
Ponto de partida.
Em dias mais leves,
Outrora, nova realidade.
Que em algum instante,
Não mais distante –
A completa felicidade.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Tela de aprendiz


Faço-me argila –

Para ser moldada.

Faço-me tela em branco –

Para ser escrita,

Para ser colorida.

As cores da vida,

Transcendendo a magia.

O conto de terror,

Quanta ironia  -

Transmuta-se:

Em água cristalina,

Terno louvor,

Ascendente alquimia.


Toda palavra bendita,

Tem a cota máxima de poder,

Letras traduzem o prazer.

Mesmo com a visão restrita, 

Impedir-me não tem como.

A imaginação,  o feitiço, 

A primeira impressão,

Total realismo.


O risco, o rabisco,

Fora de compasso. 

Com o tempo,  harmonização, 

Ganhando contornos de descontração. 

Simplesmente é questão de escolha,

Observando a Natureza,

Em todos os recônditos.

Embora, a fumaça acinzentada,

Há em cada folha,

Multicolorida beleza.


No Universo há o equilíbrio, 

Entre luz e sombras.

As lições vêm com o tempo,

Em seus prós e contras.

Equalizando a balança, 

É preciso romper o casulo.

Para haver a dita mudança, 

Rodeando todo o caos.

É necessário o abrigo,

Arrefecendo o perigo.


Em toda e qualquer circunstância, 

Preservarmos a inocência,

De vez em quando os atropelos.

A espiritualidade e o âmago,

Fortalecendo os elos.

No interdimensional,

Consagrando –

Realizando a morada,

Transitando pela longa estrada.


Na Terra, a terceira dimensão,

Na dualidade,  muito denso.

A caridade e bons sentimentos,

Alinhados e propensos.

Ao discordar não há, 

Um lugar de aprendizado. 


terça-feira, 3 de junho de 2025

Não vamos recuar


Inevitável não sentir essa densidade, 

Chega de mansinho...

E vai se apropriando de nosso ser,

Como um arrepio percorrendo cada recôndito do corpo.

Entorpecendo –

Paralisando, cortando o ar.

A mercê de estampidos,

Por um momento,  coagidos,

Mas não vamos recuar, surpreendidos?


Só conhece essa realidade, 

Luta para sobreviver nessa fatalidade, 

Quem sente na pele a comunidade.

Crianças e jovens –

Desencaminhados futuros promissores, 

Ultrapassando limites.

Tachados como infratores,

Mergulhados na vida da ilusão.

Cometendo crimes pela ostentação,

Para o imoral não há trégua.

Entre o Governo e o poder paralelo, 

Diferente régua. 

A juventude perdida,

Sob a influência da involução. 

Quanto menos pensar,

Zero potencial de raciocínio. 

Quanto mais se tem, 

Mais se quer,

Somando desperdício. 


No desejo de impor a supremacia branca,

Por detrás de fake news, 

Colocando banca.

Pessoas julgadas por classe e cor,

Vale o que tem,

E nada se mantém, 

Em total desamor.

Assaltados a qualquer hora,

Pela mão armada sem clemência. 

Da saúde e de educação privados,

Cidadãos de bem.

Rastejando por migalhas,

Condenados por falhas.


Destinados à nós, 

Qual é o espaço?

A gentrificação, 

Pegando-nos pelo laço. 

Como se pudessem excluir a negritude,

Ao pobre favelado,

Distribuindo o que há de costume. 

Quanto mais apanhamos, resilientes, 

Unindo-nos somos fortes.

Levantando os punhos,

Fortalecendo passos pelos caminhos,

Tão destemidos,

Quanto aos algozes. 

Gradativamente mais velozes,

Pouco à pouco impondo o ritmo. 

As cores de um novo dia,

Presenteando com o realismo. 


Aqui não existe somente o medo, 

Também há luta.

Pagando alto preço em pecados,

Tão árduos,

Quanto a derme em brasa.

Até quando suportaremos a opressão?

De sermos tratados como descartáveis, 

Sem nenhuma proteção. 


Um Estado omisso, 

Para os seus sem compromisso. 

Planejando jogos de interesses, 

Em dias, anos e meses.

Apresentando o teatro sujo da manipulação, 

Enquanto,  permanece a esperança. 

De fato existir, pela mudança, 

Desvanecendo a dor e agonia.

Rejuvenescermos pela harmonia, 

Convivendo em comunhão.

Compartilhando o mundo,

Com condições igualitárias.

Onde se encaixem as peças, 

De um velho quebra cabeça –

Totalmente enferrujado,

Há tanto tempo perdido. 


Talvez seja um sonho distante, 

E não veja acontecer,  lancinante. 

Que não tarda jamais,

A prioridade pela paz.

Em algum momento, 

Desejo escrever outra história. 

De um lugar plenamente diferente, 

Sem que me falhe a memória. 

Porque pareço viver,

Nesta realidade paralela,

Em que nada condiz com a verdadeira. 

Entrelaçada com o caos, 

Infinita insanidade,

Para que se transmuta em felicidade.