Uma tarde fria...
O corpo pesado, sonolento.
Como distração, revi antigas fotos,
Pura nostalgia,
Mas também surgiram algumas lembranças ruins.
Um montão de “se” saltitando nos pensamentos,
Tantas coisas aconteceram de lá para cá,
Presenteada com o despertar.
Por isso, Fabby, venho por meio desta,
Informar-lhe que você, ou seja, Eu,
Nunca teve culpa do que aconteceu, inimaginável.
Porque sei que foram apenas algumas amostras grátis,
Do que pessoas maldosas são capazes de realizar –
Sem pensar nos sentimentos de alguém.
O livramento disfarçado de nãos,
A lucidez depois de anos.
O afeto –
O carinho –
A proteção –
Que não vieram de quem deveria.
O cuidado em forma de migalhas,
A falta e o ressentimento, a mágoa.
Por outro lado,
Existia sempre uma magia.
A presença e o apoio constante do imaginário.
Ou melhor, o extraordinário,
O encantamento com o dom da escrita,
Preenchendo as lacunas, a música.
Que de certa forma, acolhiam-me, para que a pessoa que hoje está aqui,
Finalmente, se desse conta do ser magnífico e incrível se transmutou, verdadeiro.
Aquela que muitas vezes, suportou calada,
Porém, depois gritou a sua dor para quem quisesse ouvi-la.
No entanto, foi ouvida uma única vez, mas valeu a pena ser compreendida.
Digo e repito:
Você nunca teve culpa!
Ninguém merece sofrer violência psicológica,
Ou qualquer outra que seja.
Você sempre protegeu a sua luz, inconsciente,
Até redescobrir quem de fato é!
A borboleta –
Mesmo presa na terceira dimensão,
Transformou-se –
E a consciência pode volitar por outras realidades.
Quem nasceu para ser farol,
Nunca perde o seu brilho.
Não é atoa que és do signo de Escorpião,
Renasce das cinzas, a Fênix.
Embora, ainda haja ataques e tentativas de anulação,
Nunca dependeu de validação.
Nas poucas vezes, que me diminui para caber no mundo de alguém,
Esse mesmo alguém encontrou uma maneira de me questionar, lamentável.
Até o dia em que entendi, reencontrei o meu próprio caminho na solitude.
Porque são nessas horas silenciosas e necessárias que a Espiritualidade se torna presente, aliás, está comigo a todo instante –
Entoando palavras e intuições,
Palavras de cura e discernimento, emanando o aprendizado,
Com o único intuito de não mais me perder,
Através da traição humana.
Eu acredito!
Longos anos se passaram,
Aparentemente deixei de ser aquela mesma adolescente sonhadora com os astros de rock,
Em sua fragilidade, com poucas informações,
Com suas experiências e expectativas, aprendeu a desbravar este mundo, onde a falsidade vem em sua constância,
Porém, não deixou de acreditar na verdade e justiça, essencialmente, na divina.
No fundo, sou aquela mesma adolescente e jovem até nos dias atuais,
Guardo os mesmos sonhos, vislumbrando os seus artistas nos pôsteres nas paredes do quarto.
O tempo passou, tenho essa percepção,
O meu coração reclama descompassado.
Digo em voz alta:
Você não teve culpa!
Você não tem culpa do que fizeram contigo!
Para quem contou, a falta de acolhimento,
A falta de zelo e empatia.
De quem não a protegeu, imensurável,
Neste momento.
E depois de anos, para quem confiou, repetindo o igual erro,
Não mensurando as suas cicatrizes, reabrindo-as novamente.
Acolho-te!
Acolho-me!
Protejo-te!
Protejo-me!
Perdoo-te!
Perdoo-me!
Tu és luz!
Eu sou luz!
Infelizmente, há quem nos trate como descartáveis,
Entretanto, devemos nos priorizar, sempre nos colocando em primeiro lugar.
É doloroso esperar demais e receber de menos –
Foi difícil.
Contanto, confesso que aprendemos,
Sem esquecer que sempre somos luz -
O amor próprio iluminando as nossas vidas.




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