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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Intolerância


Os meus sentidos estão entorpecidos,

Em versos tristes rimados.

Tiram a sensação,

De meus pés no chão.

Há tanto estardalhaço,

Segue mecânica a multidão.

Calaram-se as vozes,

Em meio aos algozes -

Restaram corpos em poços.


Somos todos humanos,

Não nos incluem nos planos.

Para quê a divisão?

Para sermos libertos,

Não existe raça, credo ou religião.

Os braços estão abertos,

Entregues a punição.

Culpados de crimes inexistentes,

Vivemos um mundo descrente.

Onde vale a lei do mais rico,

E sobreviveremos em subjugação -

De um ideal já caduco.


Gritar -

É o que devemos fazer.

Soltar -

O desejo que emana.

De uma nação mais humana,

Ter o direito ao lazer.


Necessidade (escrever)

 


Sinto a necessidade em escrever,

Escrever -

Compor é meu ar.

Se algum dia não mais escrever -

Será como se tivesse tirado tudo de mim.

E se algum dia não mais puder...

- Mate-me!

Antes a morte -

Do que a agonia da tortura em não mais relatar meus pensamentos.


***


Tantas páginas por escrever -

Tantos sonhos por se realizar.

As páginas estão em branco.

Assim como o meu coração,

Tão perene -

E nada sereno.

O que aconteceu -

Foi apenas um ponto em ebulição.


***

A minha arte -
Isto é o que tenho.
O que realmente possuo,
O que é meu por direito.
Nada e ninguém a tirará de mim -
As letras rabiscadas,
Desenhadas,
Escritas com devoção tamanha.
São nelas que empenho e deposito o dom permitido.
Em situações  com tantas coisas para se falar e nada por dizer.
Aprendi -
E continuo aprendendo todos os dias a observar o cotidiano e, principalmente a me observar.
Pra ter a certeza de que eu quero e não me acovardar diante daqueles que não tem nada a me ensinar.
Por isso, lhes digo:
Não me troco por qualquer pessoa.
O meu valor é incondicional,
Seja a autora: Fabiana de Lima ou a personagem Fabby Lima.
Tenho as minhas próprias regras.
Faço as minhas leis.

Erros do passado

 


Já que não posso apagar os erros do passado -

Quero rabiscá-los,

Com tinta preta da cor da escuridão.

Para que nenhuma letra sequer possa ser decifrada,

Para que nenhuma palavra possa ser lida ou pronunciada.

Assim não trazendo os fantasmas,

Estes devem ficar em seus túmulos. 

Não assombrar o presente e, não mascarar o futuro. 

Já que este tem a esperança de ser mais iluminado.

Chega de sombras!

Chega de escuridão!

Que venha a luz -

Que venha a luminosidade.

Que o futuro venha e traga a paz,

Que o futuro -

Venha com sucesso!


Guinada

 


O futuro outra vez se faz incerto,

Em pontos de interrogações que dançam iguais a bolinhas de sabão flutuando no ar.

Duvidas!

Incertezas!

Não sei qual a direção deva seguir,

Os meus sentidos estão confusos.

A minha mente perturbada -

Mas eu sei o que desejo para mim,

Não quero mais a vida que vivia antes.


Sangue frio


O meu sangue frio já não corre mais quente por minhas veias.

O meu corpo não tem vida,

Jaz frio diante de uma cama em pleno inverno.

Tudo está adormecido pelo gelo...

Dormente perante a estupidez alheia.

A minha alma divaga por um lugar qualquer...

Viajando por locais que desconheço.

O olhar fixo em algum ponto que a íris não conhece.

Abandonada e fria...

Assim como me sinto.

Sem viço...

Sem vida...

Sem sentimento!

Queria só um pouquinho de coerência nesta roda que se chama sobrevivência.

Os sussurros que ainda saem pela minha boca parecem nulos... Não denotam nenhum tipo de reação.

Os outros me vêem, mas não me enxergam.

As pessoas escutam meus ruídos sonoros, mas não me escutam.

Vai ver que elas não consigam decifrar ou que, não faço parte de seu mundo.


Borboletas no aquário



O que está acontecendo comigo?

Estou com cansaço mental -

No ócio,

Sem algo criativo para escrever.

Olho ao meu redor e fico me perguntando: 

Se realmente sou daqui? 

Se verdadeiramente faço parte deste lugar?

Às vezes, ou quase sempre me sinto uma alienígena. Pelo fato continuo de não parecer ou ter as mesmas ideias dos outros que aqui convivem.

Mas por que será preciso tal condição? Sofrer e ser ignorada por meu comportamento descontraído de ser?

Tenho a ansiedade pelo novo,

Tenho a necessidade em aprender.

Saciar a sede por novos conhecimentos e mais e mais o que a mim for oferecido.

No entanto, sou igual à borboleta que vive presa a um aquário desejando alçar voo em um espaço menos limitado.

A realidade me permite enxergar até onde possa alcançar a minha visão.

Dessa maneira meus pés e mãos se fazem atados, como também a boca amordaçada.

É destino da borboleta viver livre -

O meu viver é uma real inconstância que não é a vida que algum dia desejei.


Meu quarto (meu mundo)

 


Tudo o que escrevo -

Tudo o que crio -

Os versos que componho,

Tudo o que imagino.

Está aqui... Dentro de meu mundo,

Mas precisamente em meu quarto.

É daqui de dentro que, imagino um mundo vasto, cheio de fantasias e repleto de possibilidades.

De um possível encontro -

O voo da borboleta.

Conhecer Humberto Gessinger,

Conseguir o que tanto desejo.

Ter um dos meus maiores sonhos realizados,

Um dia quem saber de ser feliz.

Sonhar é o que me motiva a querer vivenciar o que meus dedos em conjunto com a minha criatividade vão montando.

A minha inspiração é espontânea,

Assim como meus pensamentos voam livres.

Nem sempre sou aquilo que escrevo,

Mas tudo o que escrevo tem tudo e um pouco mais de mim e de minha essência -

Que a maioria não conhece.


Acredito (posso voar)

 


Em meu interior -

Busco por momentos de alegria.

Nos instantes de silêncio,

Desprezando o selênio.

Espaço que possa me escutar,

E ouvir todos os desejos.

Que trago guardado no peito,

Trancafiados em meu quarto.

Como em segredo o beijo,

Espreitando sem malicia.

Um espião ao redor,

Não tenho como respirar.


Acredito -

Quando me deito,

Sei que posso voar.

Rumo aos meus sonhos,

Alçando-me nos versos que componho.

Sem nada para me impedir,

Um dia, tornará realidade.

Não sei onde estarei se aqui,

Ou em outro lugar.

O meu coração viverá a felicidade,

Encontrarei enfim a verdade -

E com ela a tranquilidade.


Tenho vivido tantos percalços,

Andando com os pés descalços.

É longa a caminhada,

Não desistirei desta estrada.

Por mais que as trilhas,

Sejam mais esburacadas.

Seguirei por milhões de milhas,

Não medindo a distância.

É ensandecida a chegada, minha ânsia,

Prefiro correr o risco, melhor assim.

Antes lutar, a esperar pelo fim,

Diante do perigo, estou armada.


Acredito -

Quando me deito,

Sei que posso voar,

Nos pulmões novo ar.


Quando estiver cada vez mais alto,

Desatarei os nós dos desenganos.

Atingirei renovados planos,

Conhecerei a outra dimensão,

Tenho certeza da emoção.


Acredito -

Quando me deito,

Sei que posso voar.

Ou olhando para o horizonte,

No olhar fixo vislumbrando o céu.

Basta ver em meu semblante,

No coração, borboletas fazendo escarcéu -

Feito selenita morando em outro lugar.


Para sempre

 


O que amamos...

Ficará para sempre!

As vagas lembranças envelhecidas pelo tempo.

Na foto que se apagou -

Na folha de papel que amarelou -

As imagens e as letras jamais deixarão de existir.

Embora alteradas pelo passar dos anos, seus registro ficarão gravados em nossas memórias.

Como aquela música que marcou um momento especial.

Nós seres humanos, somos munidos de sensações, inteligência e memória.

Dias, meses, anos, décadas...

Podem passar!

Mas o que amamos e pessoas memoráveis sempre farão parte de nossas vidas.

Mesmo que o tempo se faça distante e até, quem tanto queremos bem não se faça presente.

O mais bonito de tudo isso, é sentirmos todo amor possível em nossa alma.


Minha poesia (G. Alves/F. Lima)


É a minha poesia,

A menina dos meus olhos.

Admirando através do espelho,

E a tua luz irradia.


Vejo-te em meu pensamento,

Como quem vê o quadro da Monaliza.

Pois você tem o poder do encantamento,

Que a mim tanto hipnotiza.


Não desisto do meu sonho,

Busco-te nos versos que componho.

Desenhando letras num rascunho,

Tecendo poesia de próprio punho.


Os dias em que passo com a solidão,

Contando o tempo que não quer passar.

Constroem o castelo da imaginação,

Onde viveremos sem nos separar.


Tu és a doce esperança,

Emanando na ilusão.

No coração brinca feito criança,

Faz travessura com emoção.


Mas daí na podes me ver,

Que eu sem você vivo tão mal.

E já nem sei se pode haver,

Alegria no que é real.


Uma nobre conquista,

O teu jeito me leva à nocaute.

Deixando-me na pista,

Miragem me segue dia e noite.

 

Pois o que no peito sinto,

Não consegues imaginar.

E sei que é um labirinto,

O caminho para te encontrar.


Pode passar o tempo que for,

Guiar-me-ei pela tua luz.

Nada vai perecer este amor,

Sei... Até ela me conduz.


É a minha poesia...

A alma gêmea de outra dimensão.

Por você percorro a terra, sua extensão,

E faço-te a minha serena liturgia.