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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Suco da morte


Quero beber o suco da morte -
Senti-lo impregnando as entranhas,
Até atingir os meus pulmões -
Cortando o ar...
Finalmente vislumbrando o universo -
Em sua carruagem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Carta para a vida (distopia) - 6

Eu sei que esta nuvem escura vai passar,
Mas o medo ainda persiste aqui dentro.

É tão estranha,
Esta distopia do futuro.
Onde não possuímos –
A certeza do nada.

É tudo tão translúcido...

Como conseguimos enxergar com exatidão?

É como nos sentirmos especial,
Importante para alguém –
E, de repente,
Transforma-se em um completo nada!

Tudo desabou –
Preciso te sentir mais próximo,
Como da primeira à última vez.

Sei que quer continuar a nossa história,
Isso é importante –
Para compreendermos o que tanto desejamos.

O que mais anseio,
É acordar desse pesadelo.
Poder caminhar ao teu lado,
Sentindo-me segura.

Tudo tem uma razão para ser,
Um significado.
Estou aqui pronta,
Para ressignificar a nossa jornada.

 

Carta para a vida (tempestade) - 5


Ferida –
A dor foi mais forte do que eu.

Não consegui raciocinar,
Seguir adiante –
Como se nada tivesse acontecido.

Sentia-me coagida,
Feito um animal machucado –
Definhando-se em sua própria agonia.

Mergulhada no sarcasmo,
Que o mundo me oferecia.
O que foi o que fiz,
Para merecer passar por tal situação?

Ao meu jeito me doando,
Entregando-me.
E não foi o suficiente,
Para barrar a tempestade.

Sentia-me fraca –
Impotente,
Pensando na possibilidade –
Da perda e do desprezo.

Sangrando a alma,
Sangro –
Somente em ter que relembrar,
De tudo aquilo.
Parece um filme na cabeça,
Quando fecho os olhos –
Passando infinitamente.

Sufocando,
Vontade de sumir –
Evaporar,
Morrer!

Transpassada –
Mortalmente,
O amor próprio,
Não mais existia.

Só desejava correr para longe,
A sensação de ser apenas uma folha –
Levada ao sabor do vento sem direção,
Aos poucos entraria em decomposição.

Sei que sou uma pessoa forte,
Um ser humano incrível -
Porém, Deus têm os seus escolhidos.

Será que não nasci para ser feliz?
Ou nasci para viver esta mesma vidinha –
De sempre?

Tenho consciência que errei,
Ninguém é perfeito o tempo inteiro.
Antes de tudo a mágoa se apossou –
Do meu coração.

A única reação que possuo,
É de simplesmente existir –
Nada mais.

Carta para a vida (impotência) - 4

Não suportei a dor,
Explodi –
Em uma sensação de morte.
Como sobreviver à todo este caos?

O destino existe?
Ou somos autossuficientes,
Para traçarmos nova trajetória?

O espaço tempo,
Linha tênue.
O sentimento maior,
Transmutou-se –
Com a alquimia dos acontecimentos.

Como fui tola –
Em não dar atenção aos sinais.
Todos se mostravam nítidos,
Confiava cegamente.

Não bastava somente a entrega,
A voluptuosidade carnal.
Os sentimentos adormecidos,
Congelados feito um iceberg –
Acumulando frias camadas de poeira,
Deixada com o passar dos anos.

Ser diferente,
Cobra o seu preço.
Aí vem a realidade,
E te dá uma rasteira.

Ou se vive:
Deixando tudo para trás.
Ou se morre:
Por perder tudo –
O que pensou que tivesse.

O tempo verbal –
É tão efêmero,
Quanto a nuvem que se dissipa,
Sem deixar rastros.

A calmaria,
Cedendo lugar a tempestade –
Sombria bagunça.

Sinto-me impotente,
Diante dessa situação.
No espaço condensado,
Fechando os olhos –
Encolhendo-me sobre a cama –
O sono não vem –
Vozes ecoando em minha mente.

Tampando os ouvidos,
Não quero pensar –
Desejo esquecer o pesadelo,
No qual mergulhei.
Na tentativa de gritar,
Em esquecer a ansiedade.
Apenas em cessar,
Arrancando essa dor do peito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Carta para a vida (a morte) - 3

O caos é uma tormenta,
Quero desaparecer –
Quero morrer.

O desejo da morte,
Inebria a essência.
Caminho em direção,
Ao grande furacão.

Ela me deseja,
Ela quer me tomar –
Por sua mão.
Como uma criança indefesa,
Em meio à multidão.

Mostra-se tão doce,
Convidativa.
Prometendo-me –
Boas novas.

Não dá para fugir,
Desse sentimento.
Impregna a alma,
Como uma mancha negra,
Perfume agradável.

Mas a curiosidade da passagem,
O sabor em descobrir –
Como é do outro lado.
Quem sabe pode ser,
Menos cruel –
Do que aqui na Terra?

Às vezes, somos tão egoístas,
Por não nos importar com os outros.
Também por tomar nossas doses diárias,
De pura covardia.

Eu não sou assim,
Conhecer-me do avesso.
Ao menos o que deixei transparecer,
Com o medo do sofrimento.
A possibilidade de reviver o inferno,
Fracassei novamente –
Não sou tão forte o suficiente.

O amor de autora,
Transformou-se –
No punhal de agora,
Transpassando o coração –
Fazendo-o sangrar.
Dói tanto!
A morte seria a solução,
Traria o alívio –
Para por um fim,
Nesta situação.

A ansiedade está me corroendo...
Pouco a pouco -
Você se transmutou em ausência.

Fico aqui,
Fingindo está tudo bem.
Ela quem permanece ao meu lado,
Melancólica companhia.
Ocupando um lugar,
Em que você deveria está –
Preenchendo o espaço da saudade.

Demora a passar o tempo,
O tic tac do relógio bate devagar.
Culminando as minhas forças,
Desculpe –
Está sendo mais forte do que eu,
Não sei até quando poderei suportar.

Carta para a vida (ainda é possível) - 2

 


Eu preciso acreditar que ainda me ama,
E a possibilidade em te perder,
Mostrou-me o quanto te amo –
Jogando no looping infinito,
No abismo dentro do meu peito.

A sua mão,
É quem me segura.
O teu olhar de cumplicidade,
Trás a felicidade.
Em um mundo,
Conturbado pela falsidade.

Sei que somos diferentes,
Por isso, criei um mundo só nosso -
Tentando nos proteger,
Mas não foi o suficiente.

Achava-o tão meu,
Até que chegou a ameaça.
Da forma mais vil,
O destino me provou:
Que toda fortaleza desmorona.

Não quero ser assim,
Não sou assim.
Você sempre despertou –
O que há de melhor em mim.

Toda essa contradição,
Toda essa confusão,
A tormenta,
Estou no olho do furacão.

Se não me importasse,
Se não te amasse –
Eu simplesmente viraria a costas,
E iria embora.
Não é isso o que desejo,
O meu lugar é ao seu lado.
Diga-me se ainda é possível...
Também preciso saber.

Carta para a vida (significativa presença) - 1

Devolveu a luz para os meus olhos,
Pude encarar de frente o espelho.
Tantas pessoas em meio à multidão,
Seria apenas mais uma.
Redescobriu a essência,
A mulher escondida.
Invadiu o meu mundo,
Sem pedir licença.
E nele fez toda a diferença,
Tão simples e significativa presença.

Mesmo quando o via à distância,
Sentia que eras ímpar –
De tudo o que conhecia.
Algo me dizia que era você,
A pessoa especial –
Em meio à tempestade,
Cessaria toda aquela tormenta.

Encaixando as coisas,
Cada peça em seu devido lugar.
Um encontro casual,
Deixando-me sem ar.
Como me aproximar?
O cupido foi a solução,
Um número de telefone –
No meio da tarde,
Primeira ligação.
Depois pessoalmente o encontro,
A aproximação.
A fantasia se tornando realidade,
Aos meus dias –
Trazendo a felicidade,
As noites enluaradas.

A fumaça condensada,
Deu lugar aos raios de sol.
Transformando a desilusão,
Em vontade de viver.

Aos poucos, encontros tímidos,
Tornaram-se intensos.
Com os nossos corpos unidos em vibração,
Trocando as energias –
Reverberando a sinergia.

Tornou-se o tudo que desejava,
A pessoa mais incrível –
Em quem poderia confiar.
Que esbarrou em meu caminho,
Aquecendo de vez o coração.
Fazendo-me acreditar nos sonhos,
Devolvendo novo ar –
Aos versos que componho.
Também a lascívia,
O tesão constante e insaciável.
De modo transcendental,
Plenamente indomável.

A chama aquecida,
Ao sabor da libido – Desinibida.
Faz-me sentir viva.
Antes como nunca com o seu toque,
Dos deuses o retoque –
Efervescente a luxúria,
Banhando-me de carícias.

Como não dei tanta importância?
Talvez por medo –
De tudo acabar no efeito do pesadelo,
Em um instante para o outro.
Não quero perde-lo jamais,
Desejo tê-lo não somente nessa,
Mas em todas as vidas.

Não posso deixa-lo seguir por outros atalhos,
Por ser covarde em momentos falhos.
Se isso acontecer,
Deixarei de ser flor –
Para ser espinhos,
Em meio a tortura e a dor.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Coração solitário

 


As tormentas,
Vêm despertar os maiores monstros.
Adormecidos nas profundezas da alma,
Não há escapatória.
Em doma-los nenhuma chance,
Nem mesmo de relance.
As tsunamis –
Jogando-me em uma escura cavernas,
Abraçada aos joelhos –
Encolhida,
A qual um dia já consegui me desvencilhar.

Fantasmas do passado –
Gatilhos –
Atormentando-me –
Traduzindo nos piores sonhos.
Na transitoriedade –
Da realidade.

O que se pensou ser,
Não existe mais.
Na somatória do cotidiano,
Tudo vira cinza.
Na fumaça condensada,
Vestígios de luz.
Ameniza a dor,
A resistência –
O clamor.

A solidão,
Que antes não existia.
Hoje se faz presente,
Na ausência,
De um momento para o outro.
Como uma viagem psicodélica,
Presa no infinito pesadelo.
O céu transmutando no inferno,
Quebrado está o elo.
No calor da deslealdade,
O desespero toma conta do espaço.
Derreteu o metal forjado,
Na desencadeada ilusão.

O que fazer com este vazio,
No calor sinto o frio.
Talvez seja a minha sina este ofício,
Caminhar solitária em tristeza.
Não me tornando pessoa grata,
Da felicidade.
Isso gira em torno da verdade,
Desprendendo-me da vaidade.

Sou somente mais uma,
A transitar por essa dimensão.
Não me pertence,
Não me diz nada,
Sinto-me diferente.
A estrangeira –
Extraterrestre –
Nenhuma palavra amiga,
Gerando inimigos.
Dos meus assuntos,
Somente a desenhar as letras.
Bem vindas companheiras,
Na solidez do descompasso.
Tristemente –
Pé ante pé –
Cada passo.
Do coração antes preenchido,
Agora vive solitário.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Luto eterno


Algo dentro do meu peito morreu –
Estou de luto,
E foi a confiança na humanidade.
Embora restasse algum resquício,
No entanto, perdeu-se na essência.

A contradição –
A falta de zelo –
Machucam as palavras,
Não se criam as regras –
Para a decepção.

Sou livre para ser quem eu sou,
Sou livre para ser quem desejo,
Presa na pequena ilusão.

A dor passageira,
Com o tempo não será mais lembrada.
Como um carro desgovernado nos atropela,
Descarregando o impacto –
Sobre o nosso corpo.

Basta não darmos a devida atenção,
Esvai-se logo.
A grande tormenta,
Girando o furacão.
Os ventos fortes em ação,
Não bagunçando os cabelos –
Como um coração inteiro.

A torre inabalável,
O meu canto intacto.
Salvando-nos das intempéries,
Não existe culpa –
Ou alto flagelo.

Podemos nos tornar melhores,
Do que tudo o que nos rodeia.
O sofrimento faz parte do crescimento,
É vital o amadurecimento.
Na dimensão do que possamos alcançar,
Em virtude do aprendizado.

A vida sempre apresenta,
Novos caminhos.
Basta estarmos atentos,
Para a compreensão.

Quem é quem

A dignidade colocada à prova,
Mas o amor próprio sempre vence.
A lealdade –
Não mais uma via de mão dupla,
Às vezes, torna-se inviável.

Em um momento de tempestade,
Transmutam-se em calmaria.
Cessando um ciclo vicioso,
Que não leva a alguma parte.
A rotina é quebrada,
Abre-se o elo.

Nada melhor do que o tempo,
Para mostrar: Quem é quem.
Infelizmente,
Enganamo-nos com aqueles –
Que estão,
Ou simplesmente,
Fingem está ao nosso lado.
O que sobressai é a nossa consciência,
Emanando a aura, a essência.

Talvez o livre arbítrio,
Seja apenas um artifício –
Para a dominação.
Na verdade somos fadados,
A viver em uma prisão transitória.
As grades são as questões,
Envolvendo-nos sem respostas -
Sem percebermos na luta interna.
Munidos não se dão ao trabalho,
Nem ao menos tentam compreender.

A batalha diária é constante,
Tornando-nos menos vibrante –
Não tem como ressoar.
Será que em tudo,
Deve haver uma razão para ser?
Ou nascemos com a nossa história traçada,
Pelas mãos do destino?