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quarta-feira, 15 de junho de 2022

De quem será a culpa?

Ninguém justifica o que não tem razão;

Ninguém explica o que não tem a motivação.

Sobrevivemos carregados –

Imersos sobre a pressão.

Com ameaças visíveis e invisíveis ao nosso redor.

Divididos por classes...

Enumerados pelo quanto se vale.

Os mais fracos procurando se submeter para sobreviver.

Enquanto os endinheirados nos servem as esmolas...

Migalhas jogadas ao leu pelo poder.

Por quanto tempo suportaremos toda esta opressão, de um governo covarde e sem noção.

Sem um pingo de empatia...

Tratando-nos como lixo, 

Satisfazendo-se nos vendo como burros de carga...

Arrastando-nos para receber um mísero auxílio.

Os tempos são outros...

A liberdade de expressão –

Deu lugar a opressão.

O que mais estará para acontecer?

Somos testemunhas ferrenhas de uma pandemia –

Que em pleno século XXI extermina várias vidas...

Cadê os recursos?

Estes mesmos que abastece quem está no topo do poder.

Estes detém o que há de melhor.

E nós a base... 

A que faz a engrenagem rodar, somos os seres invisíveis.

Em nossos peitos permanece a dor de perder alguém ou amigos próximos, obrigados a engolir o choro e prosseguir como se nada tivesse acontecido. E se acontecer novamente, Deus ainda leva a culpa que foi da vontade dEle, será?

Veladamente...

Vivenciamos uma III Guerra Mundial, sem nenhum tiro, porém, com uma arma biológica potente e aterradora. Com um vasto poder de destruição... Invisível e devastador...

De quem será a culpa?


A saga

 

A saga de continuar vivendo prossegue –

Enquanto milhares de pessoas pelo mundo inteiro são acometidas pela morte...

Sonhos sendo deixados de lado –

Desejos prósperos abandonados para trás –

A indignação da incompetência ceifando vidas -

No destempero da realidade que nos acomete.

Vidas invisíveis –

Vidas da elite –

Um peso na balança sem o seu valor real.

Todo indivíduo vale!

Alguns têm mais caráter do que os outros...

Buscamos sobreviver na inércia da desigualdade –

Com políticos e partidos realizando as suas jogatinas, para ver quem leva mais!

Tudo é envolto em um jogo de poder...

Um teatro macabro.

Aonde somos meros números de uma estatística sórdida!

Às coisas já não são mais as mesmas...

Estamos travando uma luta diária.

Há muitos que pensam somente em si, infelizmente.

E outros e outros tantos que pensam nós outros.


Evolução


Saudades -

Vontade de estar em um lugar que desconheço, mas sinto a sua sensação em minha pele.

Uma reação transcendental de paz que reverbera em todo o meu corpo.

Impossível não deseja-lo  em meio ao caos que nos cerca, diante das ameaças que pairam ao nosso redor.

Eu fecho os meus olhos -

Posso senti-lo...

Enxergo apenas o verde da natureza e ouço o canto dos pássaros.

Eu posso contempla-lo apenas com a energia que emana do meu corpo...

A vibração em ondas invisíveis –

Imperceptíveis ao olho nu.

Se eu pudesse...

Viveria o tempo todo trancada dentro de mim,

Neste universo inquieto para o criativo.

Tenho essa necessidade!

Ao respirar profundamente e sinto um regozijo –

Que vai me envolvendo na miscelânea do desejo que me cerca.

Olhando atentamente...

Uma árvore me chama atenção –

A sua forma exuberante a destaca das outras.

Não que ela deseja ser a melhor, quer apenas cumprir o seu papel nesta vida terrena.

Porém, sente-se sozinha e vazia.

Ela sabe que a minha atenção é voltada para si.

E como retribuição, as suas folhagens  bailam ao sabor de uma brisa repentina.

De repente, abro os meus olhos...

Aquela mesma sensação permanece.

Coloco-me no lugar daquela árvore, que de tão gigante, não sabe e nem ao menos faz menção do tamanho e da força que possui. E principalmente, de sua importância para manter o seu lugar em equilíbrio.

Talvez sejamos como as árvores –

Em sua grande e magnífica missão de oxigenar o ambiente no qual vivemos e não nos damos conta de nossa luta diária.

Sejamos fortes e imponentes –

Sem nos deixarmos aniquilar  pelo egoísmo, inveja e maldade alheia.

Sejamos sempre a luz!

Cabe a cada um evoluir.

Os imperceptíveis (20.02.2020)


Intriga-me...

Tanta insensatez.

Intriga-me...

Tanta falta de caráter.

Cada um querendo levar o seu quinhão -

Em meio à uma crise sem proporções.

Como estaremos quando tudo isso finalmente acabar?

Como estaremos no sentido maior de amplidão?

Será que mais fortes e mais coesos?

Exercendo uma força positiva no pensamento...

Como sairemos dessa devastação?

Será que seremos melhores como seres humanos?

Será que respeitaremos os nossos semelhantes?

Assim como também a natureza que nos cerca?

Neste dilema que nos rodeia...

O futuro é apenas uma incógnita.

Neste dilúvio de afogamentos a seco que nos ameaça e que em um grau inferior nos desperta um certo temor.

Sobreviventes de uma guerra deflagrada por um ser praticamente invisível a olho nu. 

Porém, por onde passa causa estrago.


E seguimos rastejando na trincheira os imperceptíveis em nossos papéis de figurantes:

O povo –

O pobre –

Moradores da periferia.

Os mais sofridos de uma sociedade, esquecidos a Deus dará...

Jogados ao leu,

Meras peças de um jogo de xadrez, já marcados.


Vivendo...

Lutando...

Dia a dia sob o julgo de duas Pátrias:

A de direita -

A da esquerda.


Não reconhecem que este é um momento de união.

Mas que nem em um período de crise, esquecem e  governam apenas para si, visando seus fartos umbigos.

Enquanto, muitos abastados ou não, morrem e continuarão a morrer à mercê de um inimigo mundial...

Um vírus que dilacera vidas –

E deixa para trás um rastro de destruição!


terça-feira, 14 de junho de 2022

Crueldade humana


Vidas despedaçadas –
Qual crime cometido?

Governantes numa guerra literal de egos,
Onde não medem nenhum esforço para a destruição.

Nada será como antes –
Tudo muda com um piscar de olhos.
Sangue escorrendo no corpo –
Um mar de lama da hipocrisia.
Desprazerosa meritocracia,
Qual será o futuro –
Se ele ainda não resta?

Mentes entorpecidas –
Lutas armadas.
Anestesiados pela dura realidade,
Ninguém enxerga a um palmo –
À frente da razão.
Descambando para a infelicidade -
Crianças expostas ao perigo,
Doando as vidas por nada.

Quem se responsabilizará:
Pelos absurdos?
Jogos cruéis, torpes e vorazes,
Crimes com batalhas –
Cada vez mais sangrentas.
Mãos manchadas de vermelho,
Pessoas desaparecidas.
Números cruéis,
Nunca serão contabilizados.
Sobrevivemos diante dos absurdos,
A crueldade humana –
Em sua forma mais vil.

O século XXI marcado,
Período macabro.
Várias guerras –
A involução.
O dito e o feito,
Triste constatação.
Dizimando o progresso,
Retratando o retrocesso.

Universo literário

 


O sol lá fora não aquece,
Trás uma falsa impressão do que ainda é possível.

O meu eu:
Deseja algo ao contrário –
À realidade.
Como se uma sombra,
Ficasse à espreita –
Querendo devorar a luz,
Que há no ser.

Por isso, de olhos fechados,
Mantenho-me firme –
Segurando-me em sensações,
Que entorpecem.

É tudo tão abstrato –
E desconcertante.
Um mundo imaginário,
Em benefício próprio.
Onde o espaço alheio,
Permanece pequeno –
Neste universo literário.
Faz-me transmutar –
Em pura essência,
Tão vasto e surreal.
Só preciso fazer o necessário,
Desfazendo a arbitrariedade –
Do que é viver.

Sou apenas uma mulher,
Desejando sobreviver –
Em uma sociedade:
Vil e mesquinha.
Onde o capitalismo e o egoísmo,
Fala mais alto –
Do que todo e qualquer talento.

Numa brutalidade desumana,
Onde o relógio gira tão rápido –
Quanto as ações.
Não nos dando conta,
Dos acontecimentos.

O viver –
A resiliência –
São tão fugazes.
De repente, reluz,
E no próximo segundo:
Apaga-se –
Como não tivesse existido.

Aura límpida

 

A aura límpida,
Sei que não estou sozinha.
Carrego no amago,
A ancestralidade.
Os antepassados,
Em que as energias –
Reverberam na derme.

Trago o cansaço,
Por fatos cotidianos –
E pesados.
Tão aterradores,
Quanto aos que ocorreram.

Sei que há um véu,
Cobrindo as lembranças.
Porém, há sensações,
Que ressoam aqui dentro -
Tudo é tão displicente.

No momento –
Não tenho certeza de nada,
Mas também de um tudo.

A vida é grandiosa,
Nós que a tornamos fugaz.
O ser humano,
Ainda tem muito –
O que aprender.
Mas prefere –
Repetir os mesmos erros.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Labirintos fúteis

 

Distante do fato,
De querer ser –
E não me tornar.

Sou uma mera humana,
Ocupando este espaço –
Tão desvalido,
Quanto a um compasso enferrujado.

As minhas aptidões,
São com as letras.
Enquanto, aos utensílios domésticos,
Atrapalho-me!
Às vezes, até me dou bem.
Mas o talento que possuo,
Sacia a alma.
Porém, as pessoas estão mais preocupadas,
É com o físico –
O que é palpável.

O alimento do corpo,
Este sim, é valorizado.
As palavras –
Perdem-se nos ouvidos.
Acabam se diluindo,
Por entre os labirintos fúteis –
Das necessidades.

Não me importo!

Algum dia –
Chegará o doce momento.
Não quero tudo!
Apenas obter o necessário,
Principalmente, o discernimento.
Para sobreviver –
A esta selva de pedras.

domingo, 12 de junho de 2022

Ruptura

Somos feitos de dois mundos:
O eu interior –
E aquele que é aceito pela sociedade.

Prefiro o meu mundo particular,
Moldado a simples forma.
E não se fazendo volúvel,
Para caber no de alguém.
Aproveitando o silêncio ou não,
Para fazer o que tenho vontade.

***

De fato, não conhecemos o outro,
Do que ele é capaz –
Para atingir aos seus objetivos.
Numa sociedade que se camufla,
Onde não há ruptura –
Do ser cadenciado.
Onde se prega o egoísmo,
Ainda mais munido de ostentação.

Em um lugar,
Em que vem primeiro o capitalismo –
No ranking de uma estatística desleal,
Com a falsa impressão:
De que tudo ficará bem.
Quando de fato sabemos,
Que não é tão simples assim.

Há uma linha tênue,
Da esfera da classe social -
Que nos difere de seres autossuficientes,
Ou apenas se julgam desse modo.
Mas que são incapazes,
De um olhar com mais sensibilidade.
Apenas visando o lucro,
Muitas das vezes –
Passando  por cima de tudo,
Principalmente de todos.

Existe um apelo que não é ouvido –
Há vozes que são caladas –
Talentos abafados.

Um castigo,
Ou quem sabe uma tortura –
Para muitos que desejam progredir.
Desejando apenas uma oportunidade,
Para se mostrar –
E demonstrar a capacidade –

O que é possível a realização.

Estranho rascunho

 

Em dias nublados,  às vezes, acordamos,
Mesmo com um sol estampado lá fora.

O ser humano é algo tão complexo,
Que muita gente, ou a maioria das pessoas –
Não se compreendem.
E ficam buscando respostas,
Muitas das quais não existem –
E somos incapazes de entender,
Dado todo o emaranhado de fios –
Que nos reconectam,
À uma enorme rede de configurações.

Muitos não superam a falta de perspectivas,
Buscando e recriando expectativas –
Onde não existem.
Por isso, as decepções sempre se fazem presentes,
Em nossos dias.

A eterna luta –
Em superar os obstáculos cotidianos,
Recriam uma nova roupagem –
Nem sempre blindada –
Mas sim, enferrujada,
Pelo fato de não alcançar os objetivos –
Gerando a frustração.
Cada experiência:
É um aprendizado.

Lidar com o outro,
Torna-se, às vezes, muito massante.
Porque muitas das vezes,
Achamos que somos o problema.
Enquanto, a questão está no próximo,
E não conosco.

As trajetórias seguem caminhos distintos,
Distante da compreensão –
Que no momento,
Não conseguimos distinguir.

Talvez com sorte,
Em um futuro próximo ou não –
Seremos presenteados,
Com todas as explicações possíveis.

Quem sabe,
Teremos o êxito de nos reconhecer –
Como seres humanos?
Porque no momento presente,
Faz-se um estranho rascunho.