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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Capaz de mensurar


Ninguém é capaz de mensurar a dor do outro,
Porém, tem a capacidade de provocar tal agonia.

Mesmo não demonstrando,
Cada um tem a sua –
E imperfeitos não nos damos conta disso.
Na grande maioria do tempo,
Olhando para o próprio umbigo –
Em um egoísmo desmedido.

Ninguém é obrigado a nada!

Cada um tem o seu livre arbítrio,
Em suma, faz as suas próprias escolhas.
Se bem que na verdade,
Habitamos uma grande ilusão.
O Planeta Terra –
Um lugar de esmerada perfeição.
Porém, a humanidade –
Envolvidos no jogo de manipulação.
De um lado para o outro jogados,
Na detenção de resultados macabros.

Numa disputa desleal de poder,
Aniquilando os mais fracos –
Em total desfasatez.
No momento em que a vida,
Torna-se irrisória.
Apenas mais um número,
Em plena estatística.
Sem consentimento –
E nem ao menos o sentimento.
A turbidez espalhada,
Em pleno caos.

Pela falta de solidariedade,
E compaixão.
Vil constatação –
De uma sobrevivência sombria.
A realidade diferente,
Daquela que se imaginou.

Nos desejos –
Que se transformam em insalubres,
Pagando um alto preço.
Entregue a desarmonia,
Deixado às traças –
Acumulando poeira,
Lembrado de quatro em quatro anos –
Para por em prática,
Sórdidos planos.

A resiliência –
Continua mandando contra a correnteza,
Com ou sem não destreza.
Nau a deriva –
Sem nenhuma perspectiva.

Liberdade em labirintos

A falta de sutileza vem abastecendo os dias,
Os humanos e sua realeza,
Transformando a nostalgia.

Como sobreviver as guerras cotidianas?
A cada novo amanhecer uma luta –
Uma nova batalha,
Mediante as falhas.

As atitudes como moeda de troca,
Agindo por conveniência.
Pode mais –
Se dar bem –
Conforme a falha de caráter,
Agindo na maior cara de pau.

Não interferem nas mazelas,
Olhando para o próprio umbigo –
Do outro desfazendo o abrigo.

A atmosfera poluída com a discórdia,
E total insensatez.
A mente entorpecida –
Embriaguez.

Em uma história,
Onde não há o mocinho –
Somente vilões.
Enquanto, permanecemos envolvidos,
Com as velhas questões.

A todo momento,
Surgindo novas perguntas –
E nenhuma resposta.

Quem tem coragem –
De dar a cara a bater?
Um novo mártir!

Na maquiagem,
Combatendo a própria violência –
Que provocou.
As máscaras em perfeito estado de conservação,
Entretanto, o pobre vive a míngua –
Sem nenhuma solução.

Confraternizando as poucas conquistas,
Breve respiro de alívio -
Daqui a pouco nova porrada.
Nada levamos daqui,
Nem mesmo a dignidade.
A memória manchada,
Da reputação ilibada.

A liberdade soa –
Como um imenso labirinto.
Sem sabermos o que com ela fazer –
Até quando?

Nenhum tostão

 

O que está acontecendo com as pessoas?
Parece que falta o discernimento com o trato alheio.
Estamos nos perdendo por caminhos obscuros –
Pouco iluminado.

A fumaça nefasta vem nos asfixiar,
Ou hipnotizando alguns –
Fazendo-nos vibrar em baixa frequência,
Tirando-nos do eixo.

Tenebrosa falta de compaixão,
Alucinógena equação.
Quem é o justo?
Quem será o pecador?
Nesta disforme distopia,
Tão inconsequente em dias atuais.

Quisera uma boa parcela da população,
Se esta atmosfera fosse menos compactada.
Nesta guerra ilusória,
Onde cada um tem a sua opinião –
Onde todos desejam ter a razão.
Proliferando a desordem,
Em notícias falsas –
Ou sem alguma serventia,
Que não nos levam a nada.
Pelo prazer em disseminar o caos,
Em uma triste realidade -
A mesma que nos impede a felicidade.

Emaranhando-nos neste arremedo de sobrevivência,
Repleto de julgamentos cruéis.
Onde vale mais o cristão e o crente –
O fiel.
Despojando-se em vida mentiras,
Na subtração do prazer.
Uma enxurrada de falso moralismo,
A torto e a direita –
Onde o fascismo reina à espreita,
Contaminada regalia.

O que será de nós:
Pobres mortais -
Sem onde cair morto?

Para eles somos apenas joguetes em suas mãos,
Não valendo nenhum tostão.

domingo, 17 de julho de 2022

Ensurdecedora loucura

 

Logo cedo –
O som do silêncio é interrompido.
Não por trovões,
Ou outro barulho qualquer da natureza.
Tão ensurdecedor quanto,
Mas não impõe beleza.
Os estampidos –
Criados pelos humanos:
Armas de destruição,
E para aniquilação.

Onde estamos de fato seguros?
Os disparos –
Em qual direção?

O estresse –
O rastilho de pólvora,
A qualquer momento –
Pode eclodir.

Permanecemos em alerta,
Neste jogo cruel –
Sem alguma chance de defesa,
Sobreviver é uma proeza.
Qual é o ser munido,
Com tamanha destreza?

A vida insurgindo em atos de bravura,
Anestesiados –
Caminhando a passos acelerados,
Em meio a aventura –
Ou quem sabe talvez loucura.

A resiliência abastecida de desafios,
O corpo por um triz –
A alma na direção da luz.
Quais os pecados cometidos,
Em meio a diretriz?

Tamanha desfasatez,
Ignorante insensatez.
A arrogância dominando os pólos,
Como um enredo de novela.
Onde os mocinhos –
Nunca se dão bem.
A dor e o sofrimento,
A maioria entretém.

Num sadismo desmedido,
Nada convenientes em conchavos –
Persistentes,
Total incapacidade de coexistir.
São máquinas,
Ao ponto de passar por cima de tudo,
Rolo compressor –
Nada promissor.

Inconstante aventura


Em meio as tempestades,
Vão se abrandando as nuances.
Já passei por situações piores –
E as venci – Suportei!

Nada em ter que esperar –
A vontade alheia.
Os percalços,
São os propulsores –
Que nos levam mais além,
Do que a nossa capacidade –
De sobrevivência.

A metamorfose humana,
Como armadura -
Silenciando a grande tormenta,
Que se faz lá fora.
Toda dignidade travestida,
Não mais ultrajada.
Mesmo a passos lentos,
Ganham ritmo e destreza.
Às vezes, com naturalidade,
Outras tantas vêm a maldade.
Acomodando-nos pelos caminhos,
Fazendo-nos sangrar.

Não há atalhos,
Não existem os instantes de paz –
Na incapacidade de momentos,
Que nos afugentam os êxtases.
Nenhum instante de glória e poder,
As gentilezas deixadas ao leu –
Desfazendo-se como papéis à deriva,
Desmanchando-se feito poeira ao vento.
Entregues às traças em meio as injustiças –
Acirrados julgamentos,
Atrozes –
Rasgando na carne,
Cremando a alma.

Por que tudo tem que ser tão desigual?
Tão desumano quanto a nossa falta de perspicácia -
Em progredir!

Sobrevivemos em um plano,
Completa loucura –
Sem sabermos o dia de amanhã,
Nesta inconstante aventura.
Dilacerando os ossos –
Fomentando a perversidade.

De olhos fechados


Fecho os olhos –

Uma forte ventania em meus cabelos.
Será que ela me fará cair?

A sociedade –
As pessoas –
Ensinaram-me que devo suportar...
Sem uma lágrima sequer –
Ser forte!
Nada arranhará a pele.
Porém, na alma:
Deixam as suas cicatrizes.
Momentos velados –
Para quê alardear?

Os humanos não querem saber –
Aonde é que dói.
Só querem tirar proveito –
Daquilo que se tem a oferecer.
Talvez tenham,
As suas próprias tempestades.
O ter que lidar em fazer um papel,
Principalmente, ser aceito.
Contudo, é uma perca de tempo,
Pensamentos forjados na ilusão compartilhada -
Como presente a solidão.

Pelo contrário,
Nunca se está sozinho –
Quando se aceita a própria companhia.
O interior é o universo vasto de certezas,
Quando possui uma perfeita imaginação.

Em traços particulares,
Iluminada inspiração.
No profundo do nosso ser,
Nunca estamos sozinhos.

A realidade é limitada,
Não condiz com os sentimentos –
Aprisionados na terceira dimensão.
Fora daqui,
Bilhões de possibilidades.
Entretanto, a grande maioria se prende:
Ao pessimismo,
Sem a menor inviabilidade do sobrenatural.

Rendo-me –
Entrego-me –
De corpo e alma.
Volitando por um imenso céu,
Repleto de estrelas.

sábado, 16 de julho de 2022

Novo ciclo


A resistência para sobreviver,
Devemos tirar do fundo – Do âmago –
Na desconcertante linha da vida.

Os problemas – As lutas –
São os testes para verificar,
A capacidade de veemência.

A lucidez –
Também a tenacidade,
Em meio a realidade –
Vibrante.

Tanto na forma positiva,
Quanto negativa –
Vem alimentar a ressonância.
Por isso, devemos equalizar os poros,
Para permanecermos em perfeita harmonia.

A transcendência milenar,
Refazendo a cada novo ciclo –
Que se inicia,
No metaverso da consciência.
Há um espaço ascendente,
A ser conquistado.
E não será com a força,
Porém, com a inteligência –
No lugar linear da expansão.

Na perspectiva psicodélica,
A explosão do bem estar –
Da humanidade.
No entanto, há um espaço,
Muito longo a ser percorrido.

Na vastidão proporcionada –
Pelo Universo.
Há todo um vislumbre,
Mas preferimos espalhar o caos.

Na devassidão –
Que se transformou –
Em sinônimo de purgatório.
Ao invés de emanar a luz,
Em sua essência de nossos dias.

Há todo um aprendizado por trás,
Mas preferimos o caminho inverso –
Da involução.

Vozes atrozes


Vozes atrozes –
Ecoando por nossas cabeças.
Eles têm o costume de ditar as regras,
Enquanto, seguimos ao reverso.
Sinais poluentes –
Na extravagância do desespero.

Os movimentos translúcidos,
Não mais circulares –
Aleatórios –
Expandindo os alertas sonoros.

A pressão na mente,
Em completa agonia –
Fomentando a adrenalina.
Por ora, a abstinência no descompasso,
Invalidador –
Mas na desarmonia,
Provoca a dor.

Quanta eloquência,
A medida frenética.
No psicodelismo –
De tentativas frustradas,
Por veemência -
No delírio com a fraqueza.

Emérita santidade,
Escorrendo por seus poros.
Mas que de nada coopera,
O falso moralismo –
Cristandade.

Os lobos em pele de cordeiro,
Favorecendo em maracutaias.
Auto se promovendo,
Às custas dos favelados –
Flagelados sem opção.
Com total abnegação,
Na falta de sorte.
Órfão de oportunidades,
Acinzentado o céu da aquarela.
Menosprezados os talentos,
Dando vazão às futilidades.

Total exclusão


Cegos –
Caminhando sem direção.
Ouvindo vozes sem sentido,
Perversa contramão.

O menosprezo pela vida,
O corpo por alimento ávido.
Uma população encarcerada,
Pela falta de oportunidade.

Total exclusão –
Décadas marcadas pela gentrificação.
Movimentos vorazes,
Aleatórios e atrozes –
Não há ressignificação.

A realidade –
Triste dualidade.
Percalços pelos caminhos,
A ferida aberta –
Em desalinho.
Cadê a lucidez?

Um governo pacato e omisso,
Os gritos uníssonos.
Desvairada a felicidade,
Contentando-se com o pouco.
Restando os farelos –
Desfazendo os elos.
A míngua recebendo migalhas,
De pés descalços pelas trilhas.

De peito nu –
Um sentimento cru.
De alma aflita –
Na imensidão,
Sem guarita.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Polarização desumana


Será que alguém sabe ou percebe o quanto estou me esforçando?

A cada dia é uma luta para o levantar,
Embora rápido,
Há um extremo enorme –
Um abismo entre o ser e o acontecer,
Numa ansiedade desmedida.

A lucidez se transforma em uma quimera,
O que desejamos a realização –
Das promessas de dias melhores,
Tão contundentes –
Quanto  a claridade que nos rege.

Por que o ser humano tem que ser tão contraditório?
A vida inerte –
Às vezes, por um triz,
Sem alguma diretriz.

Os sonhos amontoados em papéis,
Trancafiados em fichários.
Não dando a dimensão da intensidade,
Tão maiores quanto a realidade.
Deparando-nos com as adversidades,
Cada vez mais se fazendo notórias.
Arrefecendo as expectativas –
Desnorteando as perspectivas.
Deixando-nos menos ativos,
Em completa letargia.

Nada mais faz sentido,
Mergulhando de cabeça nessa polarização.
A transformação –
Em completa involução.
Perdendo a serenidade –
Os movimentos mecanizados,
As falas robotizadas –
Propagando-se –
Promovendo o caos.
Não existem mais os sentimentos,
Esfriaram-se na triste rotina –
Menos quentes –
Mais desumanizados.