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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Evolução


Saudades -

Vontade de estar em um lugar que desconheço, mas sinto a sua sensação em minha pele.

Uma reação transcendental de paz que reverbera em todo o meu corpo.

Impossível não deseja-lo  em meio ao caos que nos cerca, diante das ameaças que pairam ao nosso redor.

Eu fecho os meus olhos -

Posso senti-lo...

Enxergo apenas o verde da natureza e ouço o canto dos pássaros.

Eu posso contempla-lo apenas com a energia que emana do meu corpo...

A vibração em ondas invisíveis –

Imperceptíveis ao olho nu.

Se eu pudesse...

Viveria o tempo todo trancada dentro de mim,

Neste universo inquieto para o criativo.

Tenho essa necessidade!

Ao respirar profundamente e sinto um regozijo –

Que vai me envolvendo na miscelânea do desejo que me cerca.

Olhando atentamente...

Uma árvore me chama atenção –

A sua forma exuberante a destaca das outras.

Não que ela deseja ser a melhor, quer apenas cumprir o seu papel nesta vida terrena.

Porém, sente-se sozinha e vazia.

Ela sabe que a minha atenção é voltada para si.

E como retribuição, as suas folhagens  bailam ao sabor de uma brisa repentina.

De repente, abro os meus olhos...

Aquela mesma sensação permanece.

Coloco-me no lugar daquela árvore, que de tão gigante, não sabe e nem ao menos faz menção do tamanho e da força que possui. E principalmente, de sua importância para manter o seu lugar em equilíbrio.

Talvez sejamos como as árvores –

Em sua grande e magnífica missão de oxigenar o ambiente no qual vivemos e não nos damos conta de nossa luta diária.

Sejamos fortes e imponentes –

Sem nos deixarmos aniquilar  pelo egoísmo, inveja e maldade alheia.

Sejamos sempre a luz!

Cabe a cada um evoluir.

Os imperceptíveis (20.02.2020)


Intriga-me...

Tanta insensatez.

Intriga-me...

Tanta falta de caráter.

Cada um querendo levar o seu quinhão -

Em meio à uma crise sem proporções.

Como estaremos quando tudo isso finalmente acabar?

Como estaremos no sentido maior de amplidão?

Será que mais fortes e mais coesos?

Exercendo uma força positiva no pensamento...

Como sairemos dessa devastação?

Será que seremos melhores como seres humanos?

Será que respeitaremos os nossos semelhantes?

Assim como também a natureza que nos cerca?

Neste dilema que nos rodeia...

O futuro é apenas uma incógnita.

Neste dilúvio de afogamentos a seco que nos ameaça e que em um grau inferior nos desperta um certo temor.

Sobreviventes de uma guerra deflagrada por um ser praticamente invisível a olho nu. 

Porém, por onde passa causa estrago.


E seguimos rastejando na trincheira os imperceptíveis em nossos papéis de figurantes:

O povo –

O pobre –

Moradores da periferia.

Os mais sofridos de uma sociedade, esquecidos a Deus dará...

Jogados ao leu,

Meras peças de um jogo de xadrez, já marcados.


Vivendo...

Lutando...

Dia a dia sob o julgo de duas Pátrias:

A de direita -

A da esquerda.


Não reconhecem que este é um momento de união.

Mas que nem em um período de crise, esquecem e  governam apenas para si, visando seus fartos umbigos.

Enquanto, muitos abastados ou não, morrem e continuarão a morrer à mercê de um inimigo mundial...

Um vírus que dilacera vidas –

E deixa para trás um rastro de destruição!


terça-feira, 14 de junho de 2022

Crueldade humana


Vidas despedaçadas –
Qual crime cometido?

Governantes numa guerra literal de egos,
Onde não medem nenhum esforço para a destruição.

Nada será como antes –
Tudo muda com um piscar de olhos.
Sangue escorrendo no corpo –
Um mar de lama da hipocrisia.
Desprazerosa meritocracia,
Qual será o futuro –
Se ele ainda não resta?

Mentes entorpecidas –
Lutas armadas.
Anestesiados pela dura realidade,
Ninguém enxerga a um palmo –
À frente da razão.
Descambando para a infelicidade -
Crianças expostas ao perigo,
Doando as vidas por nada.

Quem se responsabilizará:
Pelos absurdos?
Jogos cruéis, torpes e vorazes,
Crimes com batalhas –
Cada vez mais sangrentas.
Mãos manchadas de vermelho,
Pessoas desaparecidas.
Números cruéis,
Nunca serão contabilizados.
Sobrevivemos diante dos absurdos,
A crueldade humana –
Em sua forma mais vil.

O século XXI marcado,
Período macabro.
Várias guerras –
A involução.
O dito e o feito,
Triste constatação.
Dizimando o progresso,
Retratando o retrocesso.

Universo literário

 


O sol lá fora não aquece,
Trás uma falsa impressão do que ainda é possível.

O meu eu:
Deseja algo ao contrário –
À realidade.
Como se uma sombra,
Ficasse à espreita –
Querendo devorar a luz,
Que há no ser.

Por isso, de olhos fechados,
Mantenho-me firme –
Segurando-me em sensações,
Que entorpecem.

É tudo tão abstrato –
E desconcertante.
Um mundo imaginário,
Em benefício próprio.
Onde o espaço alheio,
Permanece pequeno –
Neste universo literário.
Faz-me transmutar –
Em pura essência,
Tão vasto e surreal.
Só preciso fazer o necessário,
Desfazendo a arbitrariedade –
Do que é viver.

Sou apenas uma mulher,
Desejando sobreviver –
Em uma sociedade:
Vil e mesquinha.
Onde o capitalismo e o egoísmo,
Fala mais alto –
Do que todo e qualquer talento.

Numa brutalidade desumana,
Onde o relógio gira tão rápido –
Quanto as ações.
Não nos dando conta,
Dos acontecimentos.

O viver –
A resiliência –
São tão fugazes.
De repente, reluz,
E no próximo segundo:
Apaga-se –
Como não tivesse existido.

Aura límpida

 

A aura límpida,
Sei que não estou sozinha.
Carrego no amago,
A ancestralidade.
Os antepassados,
Em que as energias –
Reverberam na derme.

Trago o cansaço,
Por fatos cotidianos –
E pesados.
Tão aterradores,
Quanto aos que ocorreram.

Sei que há um véu,
Cobrindo as lembranças.
Porém, há sensações,
Que ressoam aqui dentro -
Tudo é tão displicente.

No momento –
Não tenho certeza de nada,
Mas também de um tudo.

A vida é grandiosa,
Nós que a tornamos fugaz.
O ser humano,
Ainda tem muito –
O que aprender.
Mas prefere –
Repetir os mesmos erros.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Labirintos fúteis

 

Distante do fato,
De querer ser –
E não me tornar.

Sou uma mera humana,
Ocupando este espaço –
Tão desvalido,
Quanto a um compasso enferrujado.

As minhas aptidões,
São com as letras.
Enquanto, aos utensílios domésticos,
Atrapalho-me!
Às vezes, até me dou bem.
Mas o talento que possuo,
Sacia a alma.
Porém, as pessoas estão mais preocupadas,
É com o físico –
O que é palpável.

O alimento do corpo,
Este sim, é valorizado.
As palavras –
Perdem-se nos ouvidos.
Acabam se diluindo,
Por entre os labirintos fúteis –
Das necessidades.

Não me importo!

Algum dia –
Chegará o doce momento.
Não quero tudo!
Apenas obter o necessário,
Principalmente, o discernimento.
Para sobreviver –
A esta selva de pedras.

domingo, 12 de junho de 2022

Ruptura

Somos feitos de dois mundos:
O eu interior –
E aquele que é aceito pela sociedade.

Prefiro o meu mundo particular,
Moldado a simples forma.
E não se fazendo volúvel,
Para caber no de alguém.
Aproveitando o silêncio ou não,
Para fazer o que tenho vontade.

***

De fato, não conhecemos o outro,
Do que ele é capaz –
Para atingir aos seus objetivos.
Numa sociedade que se camufla,
Onde não há ruptura –
Do ser cadenciado.
Onde se prega o egoísmo,
Ainda mais munido de ostentação.

Em um lugar,
Em que vem primeiro o capitalismo –
No ranking de uma estatística desleal,
Com a falsa impressão:
De que tudo ficará bem.
Quando de fato sabemos,
Que não é tão simples assim.

Há uma linha tênue,
Da esfera da classe social -
Que nos difere de seres autossuficientes,
Ou apenas se julgam desse modo.
Mas que são incapazes,
De um olhar com mais sensibilidade.
Apenas visando o lucro,
Muitas das vezes –
Passando  por cima de tudo,
Principalmente de todos.

Existe um apelo que não é ouvido –
Há vozes que são caladas –
Talentos abafados.

Um castigo,
Ou quem sabe uma tortura –
Para muitos que desejam progredir.
Desejando apenas uma oportunidade,
Para se mostrar –
E demonstrar a capacidade –

O que é possível a realização.

Estranho rascunho

 

Em dias nublados,  às vezes, acordamos,
Mesmo com um sol estampado lá fora.

O ser humano é algo tão complexo,
Que muita gente, ou a maioria das pessoas –
Não se compreendem.
E ficam buscando respostas,
Muitas das quais não existem –
E somos incapazes de entender,
Dado todo o emaranhado de fios –
Que nos reconectam,
À uma enorme rede de configurações.

Muitos não superam a falta de perspectivas,
Buscando e recriando expectativas –
Onde não existem.
Por isso, as decepções sempre se fazem presentes,
Em nossos dias.

A eterna luta –
Em superar os obstáculos cotidianos,
Recriam uma nova roupagem –
Nem sempre blindada –
Mas sim, enferrujada,
Pelo fato de não alcançar os objetivos –
Gerando a frustração.
Cada experiência:
É um aprendizado.

Lidar com o outro,
Torna-se, às vezes, muito massante.
Porque muitas das vezes,
Achamos que somos o problema.
Enquanto, a questão está no próximo,
E não conosco.

As trajetórias seguem caminhos distintos,
Distante da compreensão –
Que no momento,
Não conseguimos distinguir.

Talvez com sorte,
Em um futuro próximo ou não –
Seremos presenteados,
Com todas as explicações possíveis.

Quem sabe,
Teremos o êxito de nos reconhecer –
Como seres humanos?
Porque no momento presente,
Faz-se um estranho rascunho.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Flagelo pelo corpo

 

Fortes correntes –
Tentam nos puxar para baixo.
Com todas as forças –
Lutamos a nos manter de pé.

Grilhões –
Aprisionando as mentes.
Falsas promessas arrasadoras,
Ecoam feito avalanches –
Levando o que encontra pela frente.

Gélido martírio –
A perversão do mal em abundância,
Impondo o flagelo pelo corpo.
Não são lapsos –
Que nos levarão ao progresso.

As ideias distorcidas,
Em seu próprio favor –
Equiparando-se a lealdade,
Mas não é o que encontramos –
Pelo caminho.
Dispondo-se em flores artificiais,
Com verdadeiros espinhos.
Dilacerando o que mais de precioso,
Submetendo-nos a árdua jornada.
Pedras e mais pedras, as horas dolorosas,
Em descompasso aterrorizante.
Em gritos ecoando apavorantes,
Numa bizarra escalada.
Impossibilitando o desenvolvimento,
Condenados por leis –
Injustas e desfavoráveis.

Mercenários do congresso,
Hipócritas e moralistas.
Vendidos à hipocrisia,
O fedor da burguesia.
Chorume da sociedade,
Sangrenta realidade.
Tomando de assalto,
Uma população inteira submetida,
Vivendo em sobressaltos.
Sem possuir uma alimentação decente,
O dia do amanhã na incerteza.
Na resiliência descrente –
Infinita - Jaz a pureza.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Única certeza

 


Uma hora é chegada o nosso momento,
A data da partida.
Nada mais além para se fazer,
Do que cuidar dos corações daqueles que ficaram.

No início, infinita agonia,
Mas aos poucos tudo vai tomando o seu lugar –
Permanecendo a saudade.

A passagem é algo tão efêmero,
Ao mesmo tempo,
Não nos damos conta do que acontece ao redor.
Não levando à sério a missão,
O livre arbítrio –
Condicionado ao mal uso,
Ao banho Maria...
De qualquer jeito,
Empurrando os acontecimentos.

O dia de amanhã é tão incerto,
Quanto a uma tempestade –
Em pleno mar.

A glória inesperada da bonança,
Às vezes, surpreendem-nos.
Devemos acreditar que um dia,
Essa realidade se transmutar-se-á:
Não estaremos mais aqui!

O que devemos deixar,
Os afetos confortados.
De alguma maneira,
Mesmo que não haja a compreensão.

A única certeza que possuímos na vida:
É a morte.
Em um instante determinado,
Entramos em colapso.

Um olhar de compaixão ao próximo,
Não reconforta somente a ele.
Há uma troca de energia,
Desencadeando a sinergia –
Promovendo o bem.