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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Renascimento

 

Eu sei...

Não precisa me falar:

Estou perdida!

Sem saber para onde seguir nesta encruzilhada –

Chamada vida!


Percorro os caminhos de meus sentimentos...

Em minhas memórias.

E fica cada vez mais difícil de saber...

Com promessas vazias,

Elas nem sempre fazem sentido,

Enquanto se busca uma bússola –

Alguma direção.

Quando na verdade se precisa de um apoio,

Estou caindo –

Ninguém segura a minha mão.


Palavras ensaiadas -

Não permitem rimas como o fogo que queima a alma.

Palavras vazias -

Dizem que ficará tudo bem.

Como? Quando se tem urgência.

Tem que ser para já –

Rasga o meu coração a calma.


Às vezes, eu consigo ler nas entrelinhas,

Frases ditas que não fazem o menor sentido.

A boca descortina algo,

O olhar me mostra ao contrário.

Eu aprendi –

Às pessoas mentem por seus objetivos.

Não se importam se machucam alguém.

E agora estou aqui,

Feito uma criança ingênua –

Decepcionada – 

Outra vez magoada.

Essa é apenas mais uma ferida,

Que daqui a pouco ficará apenas em uma vaga lembrança,

Para a coleção -

Na caixinha de recordações.

Feito história para contar,

Infelizmente existem aqueles dias em que estamos mais cinzentos,

Essa sensação irá passar!


Palavras ensaiadas -

Não permitem rimas como o fogo que queima a alma.

Palavras vazias -

Dizem que ficará tudo bem.

Como? Quando se tem urgência.

Tem que ser para já –

Rasga o meu coração a calma.


Eu sei...

Que sou forte!

Posso suportar a tormenta em meus dias ensolarados -

Na ventania que atropela e dilacera.

Às vezes, sozinhos somos a fortaleza que tanto precisamos,

Sem alguém para nos puxar para baixo –

E sim, sermos as gaivotas em meio à poluição que nos cerca.


Palavras ensaiadas -

Não permitem rimas como o fogo que queima a alma.

Palavras vazias -

Dizem que ficará tudo bem.

Como? Quando se tem urgência.

Tem que ser para já –

Rasga o meu coração a calma.


Dia a dia

 


Desde ontem chovendo sem parar,

Ruas alagadas -

Casas inundadas -

Rios transbordados -

Carros arrastados -

Vidas devastadas.


Ano após ano vivendo na patifaria,

Correndo atrás dos planos -

Sem a doce alegria.

Alcançadas as conquistas,

Num segundo a perder de vista.


Pobres negligenciados sem perdão,

Os poderosos levam o seu quinhão.

Deus! Por que tudo é tão injusto?


Alguns tão abastados –

Outros com tão pouco –

Ou com quase nada!


Atropelados pela rotina do destino,

Cada qual sobrevivendo o desatino.

Mergulhados no caos,

A hipocrisia -

Arrefecendo o dia a dia.


Até quando?

Vidas perdidas sem arrependimento,

Na labuta pelo sustento.

Da ignorância -

Da ganância -

Somos apadrinhados,

Sem valor e dignidade -

Para os que  buscam cada vez mais.


02.03.2020


Tragédias


Sobrevoando pelas tragédias,

Cada um tem a sua.

Para sobreviver –

Procurando estratégias,

Num paralelo que flutua –

Sem o mínimo do prazer.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Duplo Estado


Sob ameaça –
Sobrevivendo em dias nublados.
Atmosfera totalmente cinza,
No azul do céu que paira.

Duplo Estado –
A perseguição.
Diga-me em que lado está,
Qual é a sua devoção?

Sistema falido –
Pragmático –
Inconclusivo –
Nem tão pouco enfático.

Mentalidades desumanas,
Lavagem cerebral.
A involução incontida,
Instante crucial.

Os contatados –
Aguardando o momento,
Do prevalecer – A luz.
Em que no momento decisivo,
Optaremos ou não pela remediação.

Amordaçados –
Postos em guilhotina.
Nas mãos de vis carrascos,
Repugnantes –
No estômago o asco.

O nefasto desejo:
De implantar antiga supremacia.
Somos um mundo –
Feito de mestiços,
Condizentes seres de luz –
Por inúmeras galáxias.

Não somos os únicos,
Com a ânsia de sobreviver -
Na alma contendo a resiliência.
A juventude, esforçando-se,
As crianças crescendo no ensejo –
De ocupar os seus espaços.
Na via de mão dupla,
Braços armados.

Qual será o futuro –
Nesta Terra de incertezas?
Onde o pobre não tem vez,
Na dependência –
De governos falidos –
Governantes sem resquícios de caráter.
Monopolizando as riquezas,
Enquanto, a maioria:
Sem o mínimo para sobreviver,
Em sólida estupidez.

Universo metaverso

 


Na mão –
Papel e caneta:
A meta.
À outras dimensões,
Conecta-me.
Difundindo –
O real,
O sobrenatural.
Fundindo-me –
À várias vidas.

Magnífica experiência,
Faz sentido.
Exala o perfume –
Das flores.
Em tons –
Multicolores.

Composição –
Compasso –
Harmonia.

Palavras –
Encaixando-se:
Uma a uma.
Recriando versos,
Delicada poesia.
O meu universo,
Transcendente metaverso.

Aprendizado da dor


Tenho as minhas cicatrizes –
Quem as não têm?
Marcas –
Visíveis no corpo,
Invisíveis na alma.
Às vezes –
Carrego-as com calma.
Outras vezes – Gritam!
Observando-as –
Causam tempestades.
Como tatuagem –
Cada uma tem o significado.

Não julgue alguém –
Não me julgue –
Pela aparência.
Ninguém tem o poder,
Da adivinhação.

Colocar-se no lugar do outro,
É um aprendizado –
Exercício árduo,
Requer cautela.
O pisar em ovos,
Sem o frigir das emoções.

No entanto, o ser humano,
Faz-se pequeno e obtuso.
Não pensa no próximo,
Em suas dores.

Cada qual é particular,
Causando ansiedade –
Falta de ar.
Aninham-se de forma concreta,
Na transmutação do ser.

Com a narrativa da perspectiva,
Entranhada –
Desmiuçada –
No dia a dia,
Com a forma de lidar.
Com a própria,
Ou compartilhando.

Em meu caminho,
Refaço-me – Fênix.
Visto-me – A guerreira,
Da luz e do fogo.

Na agonia diária,
Conheço-me,
Reconheço-me.
Como a pessoa que sou,
Priorizando o crescimento –
Sempre – Apesar dos percalços.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Imprevisível ameaça

 


Os sons dos estampidos –
Ofuscando a realidade.
Imprevisível ameaça,
De que lado vem?
Às vezes, fazendo chover,
E não é água –
Chumbo cai do céu.
Realizando o escarcéu,
Dissonante sinfonia.

Transformaram a Terra –
Eu um grande entrevero.
Faroeste urbano –
Em pleno século XXI.
Nos anos 2.000,
Desejávamos a tecnologia –
Futurista.
O que vivenciamos,
É um processo retrógrado –
À mercê da involução,
Sem solução.

O contexto –
Antônimo da chaga aberta,
Enraizando-se em cor de carmim.
Inocentes julgados a revelia,
Julgamentos pautados:
Na cor da pele ou onde se mora,
Tamanha imoralidade.

A injustiça –
Dilacerando vidas,
Aniquilando sonhos.
Usando de força,
Mantendo-nos reféns,
De um sistema insólito.
Sociedade cruel –
Devastadora.

Indícios sórdidos –
Não há a plena conscientização.
Sem valor diante –
Do capitalismo selvagem.
Açoitando-nos –
Amordaçando-nos –
Seres inescrupulosos.

Na dura verdade,
Mantendo-nos com a esperança –
Mesmo que falte o impulso,
Para revidar.
Vozes são caladas,
Na frieza de corações de pedra.

No arrefecer da solidariedade,
Com o único intuito –
De promover a guerra.
Generalizando todo o mal,
Que assim, alimenta-os –
Sugando as nossas energias.

Lucidez do âmago

 

É um cansaço –
Atordoa a alma.
Entorpece os sentidos,
Luta interna:
Entre a vontade de escrever,
E a dislexia corporal.

O que se passa,
Eu não sei -
Falta a compreensão.
Quero e preciso,
Ao menos um sinal –
Que traga respostas.

Tenho a necessidade,
De me expressar –
Através das palavras.
Imprimindo-as –
Em rascunhos,
Passando-as –
À limpo nos fichários.
O ritual diário,
Contextualizando o raciocínio –
Sem o auxílio de calendários.
O que importa,
São os sentimentos.
O meu vício –
A droga lícita –
Ameaçada de criminalização.
Passeia pelas veias,
Condensando a vida chata,
E sem graça ao redor.

Na falta da sutileza –
De alguns.
No exagero –
De questões capitalistas –
Dos demais.
Prendem-me –
O simples,
A delicadeza –
Dos acontecimentos.
E não momentos,
Que preencham  o presente.

É preciso a sensação:
De longitude –
De eternidade.
Marcadas com leveza,
Reverberando na essência.
Do primordial –
Nada efêmero.

A lucidez do âmago,
Antiguidade do ser.
Experiências translúcidas,
Regozijo de conquistas.

Transmuta o viver,
Através da gravura.
Transporta-me para algum lugar,
Revigorantes aventuras.
Quem sabe conhecido?
Divago pelas sensações,
Transcendendo em emoções.
Reconectam com os elos,
Não esquecidos.
Margeiam pela linha do sobrenatural,
A mente insana e surreal.

Por quantos lugares já percorri?
Vivenciando fatos –
Compartilhando da História.
Pequenos fragmentos,
Recomponhem-me.
Finíssimos fios condutores,
Imperceptíveis.
Recriando a ilusão,
Embora, mistificada.
Volitando –
Pela realidade e ficção.

É o modo de sobrevivência,
Nesta terra selvagem –
De utopia.

Abasteço-me –
Desfiguro-me em modo aleatório,
Desbravo o terreno hostil.
Sem perder o brilho –
Do que se faz essencial:
O jeito especial de ser.

Não pondero:
Se agrado ou não –
A alguém.
Ou ainda desagrado –
A maioria.

Não mais tem importância,
A não ser o bem estar –
Do próximo.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Ciclos de horror


Círculos – Ciclos –
Início, meio e fim,
Efeitos de contradições.

Quais lições –
Podemos aprender –
Com os acontecimentos da vida?

Os sentidos fora de órbita,
Estação fora do eixo –
Totalmente desconexo,
Sem alguma exatidão.

Como sobreviver a “escravidão”,
Que assola a capacidade de pensamentos?
O ato restrito, o toque de recolher,
O ritual nefasto e desolador –
Pouco a pouco aniquilando a alma.

Métodos insolentes,
Coração batendo fora do corpo.
Como máquinas –
Rendem-se a manipulação humana.

Sentimentos mecânicos,
Não há nenhum embasamento –
De sentimentos.

Qual será a razão para tudo isso?
O porquê de nós tratarmos  -
Como estranhos.
Se viemos da mesma essência,
Primordial da espécie.

O não interferir –
A conduta do Criador.
Mas a criação –
Teima em mexer os pauzinhos,
Para que tudo termine a contento.
Não importa quais os meios usados,
Para essa degradação.

Mentes volúveis,
Sujeitas ao mal.
Rolo compressor –
Passando por cima de tudo –
Principalmente de todos.
Caráter duvidoso constante,
Pura sabotagem.
A humanidade –
Entregue a própria escória,
Subjugando os seus,
Futuramente, peças de museus.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

População descredenciada

 


Incertezas –
Inverdades.
Dualidades –
As tristezas.

Intensos confrontos,
Armando-nos de  todas as maneiras.
Estratégias de guerra,
Ao menos para a proteção.

Sociedade civil,
Ameaçada a Democracia.
Território instável,
Dia a dia lamentável.
Em cada ação,
A sua consequência.
Qual é o limite,
Para uma saudável –
Existência?
Qual será a próxima –
Advertência?

População descredenciada,
Não tem voz e nem vez.
Por nefastos humanos –
Silenciada.
O poder corrupto,
Rasgando o juramento –
De proteção.
A Constituição mero livro,
A quem recorrer?

À Deus dará –
São meras as circunstâncias.
Cartas marcadas.
Não há julgamento,
Empurra-se com a barriga –
Cartas marcadas,
Sentenciada.

Interpretam os mesmos papéis:
Algoz e capataz.
A escravidão servil –
Contemporânea.
Racismo estruturado,
Favelas –
As constantes senzalas.
Traçando linhas paralelas,
Um paradoxo sem fim.
Sempre será assim?

Inteligência –
Não se faz com poder de compra,
Riquezas não caem do céu.
Como é que fecha essa conta?

O povo massacrado –
Pelas leis pisoteados.
Mesclando dor e divertimento,
Insana labuta.
De compromissos honrando,
Não esquece dos irmãos –
Na hora do lamento.

É um ciclo –
A roda que gira no mesmo compasso,
Na luta.
Queda de braço acirrada –
Disputa surreal.
A corda arrebenta sempre,
No lado mais fraco.
Mas em algum dia,
Transmutara-se-a na psicodelia.