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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Energia em constante transformação

 


O meu corpo carrega as impressões de uma vida inteira...

Quem saberá de muitas outras?

Não sou mais quem eu era na semana passada –

Que dirá a mesma pessoa de anos atrás!

A vivência –

As experiências –

Tornam o fardo leve ou pesado demais para carregar.

Trago bagagens...

Algumas alegrias...

Poucas conquistas...

Na alma -

Inúmeras cicatrizes.

Não faça questão daquilo que desconhece.

Os anseios reverberam e os reconheço um por um.

Como sombras vivem me espreitando –

Povoando os meus sonhos –

Provocando pesadelos.

Tudo o que me rodeia é uma quimera.

Não há sentimentos.

O consolo apenas na literatura –

A minha resiliência –

Fuga do narcisismo alheio.

Desde sempre não tive escolhas...

Ou se é forte ou forte para superar a pressão...

E sobreviver –

Busco lá do recôndito do meu ser, mergulhando fundo, racionando o fôlego, para reconhecer o que há de melhor em mim.

E quem sabe em um futuro próximo ou distante...

Ainda possa compreender o porquê de tudo isso.

Se é uma missão –

Um propósito.

Tudo é questão de tempo.

E quando estiver se cumprindo –

Poderei descansar.

Nem sempre é fácil ser forte.

Pois na vida não há escolhas, e você tem que contar apenas consigo mesmo.

Poetrix

 


Reverbera na alma...

Paz - Transmuta a calma,

Carnal - Minha autoestima.


Estado líquido (vidas negras)

 


Uma luta diária –

Riscos cotidianos.

Definições –

Rótulos –

Para quê?

Caráter não tem cor.

Caráter não tem gênero,

Nem ao menos classe social.

Ou tu tens ou não!

É invisível –

Transparente –

É insípido,

No entanto, visível...

Percebido pelas atitudes.

Na maneira com que lidas com as questões,

Agindo de boa ou má fé,

Usufruindo das oportunidades para se dar bem ou não.


Não me julgue pela minha cor.

Não pondere por minha aparência.

E nem ao menos pelo lugar de onde vim ou de onde eu sou.

Não me condene com os achismos –

De uma sociedade hipócrita,

Que prega a crença de uma normalidade de estar tudo bem,

Quando não se está!

Enquanto, muitos morrem à míngua –

Sem o direito da alimentação –

Ou por uma bala perdida –

Lançada no ar –

Sem qualquer consideração.

Assassinados –

Pela falta de oportunidade.

Que por sua cor negra,

Levam-no ao cárcere.

Que por sua cor negra –

Veem-no como um perigo ambulante.


Muitos acreditam serem melhores do que os outros,

Achando-se no poder de decidir.

Quem pode seguir entre a linha tênue do bem e do mal?

Quem pode ser o juiz e bater o martelo usufruindo da imparcialidade?

E sem pender para o próprio benefício.


Somos o tempo todo rechaçados –

Nos momentos mais simples de diversão.

À olhos nus os excluídos,

Hipocritamente afugentados,

Como se a pobreza fosse uma doença contagiosa.

E eu te digo meu amigo, a fome mata!


Muitos apegam-se na proteção divina,

Como se o Deus deles fosse seletivo.

Como se o mesmo Deus ficasse ao lado dos mais abastados,

Usando de sua falsa religião para tomar o poder.

Na verdade, estes são os mais incrédulos,

Mexendo os pauzinhos da política –

Falsos duelos,

Na mídia se engalfinham.

Mas por detrás dos panos, continuam com os seus asquerosos acordos.

Quem paga mais –

Leva!

Entretanto, quem precisa da proteção,

Olha-se acuado –

Diante de uma realidade incoerente,

Crianças marginalizadas e carentes!


Qual foi a Pátria que nos pariu?

Renegados –

Abandonados –

Não há nada de gentil!

Vistos como bastardos,

Os filhos indesejados,

Margeando ruas, becos e vielas,

Pelas periferias.

A cada amanhecer, sobrevivendo em mais uma batalha,

Matando vários leões por dia.


Em pleno século XXI –

O racismo dá a sua cara,

Desejando um corpo negro para massacrar.

Quando alcançamos o topo de um sonho,

Nem tudo será perfeito.

Os riscos corremos de sermos apedrejados moralmente, e ou não, por uma fala medíocre e surreal.

Não são todos os que aceitam que tu chegastes lá, no alto da montanha.


***


Infelizmente, muitos ainda enxergam a pele marcada de nossos ancestrais.

Os mesmos que foram sequestrados de suas terras distante –

Trazidos à força –

Acorrentados –

Amordaçados –

Passando fome e sede...

E aqueles que nunca chegaram?


***


Um negro luta por seu reconhecimento,

Por um lugar que sempre foi e será seu, sem o medo do ir e vir.

A luta é intensa e desproporcional.


***


Não sou negra...

Tenho a pele branca.

Porém, nada muda a minha concepção de ser humano.

A dor dos meus irmãos,

É a minha dor!

Tenho amigos negros,

Já passei por situações constrangedoras por ser uma mulher branca ao lado de pessoas negras.

Acredito que isso não chega a nem um porcento do que passam durante o seu dia a dia.

O que vale é o coração...

E de pessoas racistas e preconceituosas –

Quero distância!

Sem emoção

 

Humanos –

O que acontece com esses novos tempos que estamos vivendo?

O amor ao próximo –

A empatia –

Os cuidados –

Ficaram para trás e cada vez extintos.

Em pleno século XXI somos pautados no agora, esquecendo das gerações futuras.

O que deixaremos?

Apenas a destruição e a intolerância.

Há tempos atrás, sonhávamos com robôs.

E, hoje em dia, estamos nos transformando neles.

No dia a dia agimos sem emoção com base na violência.

E para completar, não há um governo para apaziguar, e sim, fomentar o ódio.

Com urgência, precisamos rever os nossos valores.

Se não, tudo estará perdido.


Sem compaixão


O topo da montanha –

Cinzento pela poluição.

O que estamos fazendo com a natureza,

Maldade sem dimensão.

À passos largos a humanidade caminha,

Para a sua destruição.


Perdendo a chance de viver a sua beleza,

Como podem ter tamanha certeza?

A existência – Encaixando peças,

Engrenagens em harmonia – Sem trapaças.

O homem realizando as suas graças,

Ao pobre fazendo cair em desgraças.


Neste contexto – É necessário a união,

Para nos fortalecer com precisão.

Senão no futuro próximo – A combustão,

O extermínio – A nossa destruição.

Sem percebermos movimentamos o moinho,

Cada um pensando em si, o ninho.

Não haverá labirintos para a salvação,

Todos seremos esmagados – Sem compaixão.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Tempo perdido

 

Liberdade –

O que cabe em nove letras?

Inúmeras palavras -

Tantos sentimentos –

Impregnados nos lamentos.

Na verdade –

Sem felicidade –

Se traduz em prisão,

Apertado coração.

Enclausurada –

Trancafiada –

Perdida –

Extenso labirinto.

Qual o mal feito?

O crime cometido?

Tempo perdido

Outras vidas

 


Às vezes, aqui em meu corpo físico,

Porém, a minha alma viaja por outras dimensões.

Não me pergunte como e também o porque,

Talvez seja um dom...

Ou mesmo uma fuga –

Que criei para me desvencilhar dessa realidade que me desnorteia.


Basta fechar os meus olhos...

Vou descobrindo que há outras vidas dentro de mim,

Sensações –

Emoções –

Reverberando.

Se já vivi algo parecido,

Ou se ainda viverei...

Eu não sei.


Ao mesmo tempo que se faz tão misterioso –

É tão instigante e desbravador.

Renova a minha essência e me faz descobrir o que realmente quero e principalmente, quem eu sou.


O essencial é o que me basta...

O que torna tudo tão mais profundo.

Não adianta fingir ser quem não é –

Não adianta mascarar o cotidiano!

A pessoa é o que é em sua essência,

Embora muitas se camuflam para caber na vida de alguém.


Eu sou o que e quem eu sou e não me sujeito a me diminuir ou tomar atitudes que ferem os meus princípios e ser aceita por alguém.

Tenho o brio de ser quem eu sou...

Mesmo estando sozinha.


Dimensões

 


As distrações –

Atribuições para não se fazer o que é necessário.

A minha mente divaga –

Foge dessa realidade que em nada contribui.


De quem somos os espelhos?

Em quem a minha imagem se reflete?

Se no que galguei nunca tive apoio e não obtive o privilégio.


Sinto-me tão sozinha –

Mesmo rodeada por pessoas o tempo inteiro.

A minha dimensão –

A minha perspectiva –

Não é igual aos demais.

Olho e observo as coisas e os acontecimentos por outro prisma.

O seu ângulo nem sempre será o meu.


Fazendo-me perguntas interiores.

As pessoas não estão e nunca estarão preparadas para a verdade.

Em si preferem o mundo cinzento de uma sociedade medíocre e hipócrita.


A vida é uma viagem insólita,

Não sabemos aonde vamos parar.

Caminhos e labirintos,

Que nos levam a qualquer lugar.

Basta o abrir de uma porta,

Seguindo ou não aos instintos.

Vibrações

 


Há algo para ser dito,

E não quer calar.

Se a minha voz não soa,

Pelos meus dedos ecoa.

É no que acredito,

Sem ao menos respirar.

À procura de dignidade


Quanto vale uma vida?

Como se avalia o valor de uma pele com a presença ou não de melanina?

Somos fomentados com a mesma base, porém, com personalidades diferentes, cada qual com a sua particularidade.

A essência é a mesma, exceto pela falha de caráter.

Quanto mede o nosso grau de empatia?

O nosso interesse?

A bajulação para se obter algo?

A vida é feita de prós e contras...

É normal ajudar aqueles que possamos obter favores -

Mas ainda bem que existem aqueles que são movidos pelo desinteresse.

Os ricos sempre se favorecendo, desejando deixar os pobres à espreita.

Armam –

Manipulam –

Agindo na covardia –

Mexendo os seus pauzinhos!

O que nos difere dos demais?

A falta de oportunidades?

Ou será o nosso cep?

O Estado não chega aonde deveria chegar...

E quando chega é na base da truculência!

Somos lembrados apenas em ano eleitoral, quando há uma trégua.

Mas nem sempre isso é fato –

Sobrevivendo com medo.

Perguntando-se:

- Como será o dia seguinte?

- Ou se estaremos vivos no próximo segundo?

A amada mãe gentil nos põe para o escanteio.

Eu sou branca...

Você é negro...

Somos capacitados como seres humanos.

Cores que se misturam na miscelânea de DNAs,

Mas há ainda quem prega a raça pura –

Ledo engano de uma mente tão pequena e vazia.

É isso o que faz a magia acontecer:

A diversidades de tons e nacionalidades!

Um povo cordial é esse o povo brasileiro.

No entanto, querem que sejamos iguais a outras culturas que pregam o preconceito e o racismo!

No que diz a democracia:

Sejamos livres!

Na realidade é outro regime, embora velado, é o que impera.

Façamos com que exista a diferença –

Mas que esta mesma diferença prevaleça e que não seja a indiferença para o bem do coletivo, e não apenas para um grupo de privilegiados.

O tom da derme –

O sangue que corre nas veias –

O líquido vermelho escoando no veio da favela –

Entrelaçados entre ruas e vielas.

Uma realidade triste e sombria manchando de cinza os dias sem aquarelas.

Toda vida perdida morre um pouco a esperança de um mundo não perfeito, embora menos pesado.

Quanto vale uma vida?

Como se avalia o valor de uma pele com a presença ou não de melanina?

A procura da dignidade de ser tratado como iguais!