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domingo, 26 de junho de 2022

Loucura diária

 


A minha lucidez –
Por onde anda?
Tento buscá-la –
Em meio à loucura diária,
E afazeres domésticos.

Às vezes, sinto-me tonta,
Numa espécie de corda bamba.
Os escritos –
Entorpecendo-me.
A satisfação –
Em meio à tormenta.
O refúgio –
Para encarar uma nova questão.

É tão salutar,
Manter-me distante de alguns:
Aqueles em que nada acrescentam.
Na indiferença,
Procurando o abrigo e proteção.
Naufragando no próprio eu,
Talvez num alter ego que se julga superior,
Mas nunca melhor do que alguém -
No entanto, frágil como o gelo no calor,
Julgo-me – Ninguém!

Permito-me –
Permeio-me –
Nesta busca redundante,
Por alto conhecimento.
Com a ajuda de seres invisíveis,
E incompreendidos pela humanidade.
A vida –
É tão frágil em momentos atuais.
Sem saber se estaremos aqui,
No próximo segundo.

Pensar –
Escrever –
É o que me mantém minimamente sã,
Em plena discordância –
Com uma sociedade fútil,
Cheia de regras e convenções hipócritas.
Por isso, fico perdida em meio à tudo isso,
Contemplando as poesias –
Em minha mente fértil –
Nada fútil.
Desenhando nos pensamentos:
Outros episódios,
Para os fatos cotidianos.
Recriando outro enredo,
Quem sabe,
Mais interessante.

Época de mudança


O que buscamos de mais concreto nesta vida –
É uma paz de valor tão irrisório,
Tornando-se efêmera.

Sobrevivemos à troco de nada,
Afim de contar migalhas.
Nos sobressaltos que nos permeiam,
Ao mesmo tempo –
Em que é fantástico e assustador,
Com as nossas mentes pregando peças.
Intercalando momentos de lucidez,
Com longos minutos de entorpecimento.

De onde vem nos abalar está angústia?
De nossos pés retirando a firmeza,
Os acontecimentos soam equivalentes.
Como dois pesos e duas medidas,
Em atitudes alucinantes –
Ais quais desconhecemos.
Agarrando-nos às virtudes,
Que chegam de surpresa.

Seria natural –
Se fosse normal,
Mas não é.
O sobrenatural salta aos olhos,
Porém, não lhe damos o devido valor –
Olhando através do espelho.

O passado –
Vira e mexe bate à nossa porta,
Para nos mostrar velhos e antigos hábitos.
Mesmo sabendo que é errado,
Não cansamos de comete-los

É época de mudanças,
De ressaltar o progresso –
Dizendo não a omissão.

Entretanto, os pensamentos se fazem fortes,
Comandando as nossas vidas –
Numa ansiedade desmedida.
É imprescindível mantermos a respiração –
Compassada –
Para que ela nos entoe:
Novas sensações de bem estar.
 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Verdadeiro propósito


Os pensamentos voam longe –
Divagam para onde não sei.
Eleva-me para outros patamares,
Da evolução.
Uma consciência maior,
A expansão.

Ainda sou muito pequena,
Em insignificante sabedoria.
Pronta para aprender,
A cada novo dia.
Desejando ser a luz –
Na vida de alguém.
Iluminando os caminhos,
Em tons acinzentados.

Tenho a impressão de ser imperfeito,
Mas procuro alcançar a perfeição –
Em gestos pequenos.
As circunstâncias,
Não são as mais favoráveis.
No entanto, ainda podemos reparar os velhos erros.

A humanidade –
É uma caixa de surpresa.
Há indivíduos com consciência plena,
Como aqueles que desejam apenas fomentar o mal.
Precisamos uma nova retomada,
Para que possamos espalhar a luz –
Por onde quer que seja,
Sem o medo de ser castrados –
Vilipendiados.

É necessário,
Que sejamos livres -
Longe das amarras da manipulação.
Infelizmente, a semente da discórdia,
É plantada em solo fértil.
Não apenas crescendo,
Porém, espalhando as sementes ao vento.

Ainda resta a esperança,
Para que possamos reverter este quadro.
A natureza humana é tão enigmática,
Quanto deslumbrante.
Haja vista,
Que possamos alcançar –
O verdadeiro propósito.

Sonhos misteriosos


O que são os sonhos?

Costumo dizer que é uma viagem,
A qual realizamos,
Quando o nosso corpo –
Finalmente repousa.
Um metaverso sem direção,
Talvez mais real,
Do que a própria realidade:
Sombria que nos cerca.

O mundo está cada vez –
Mais surreal e obtuso.
Pois congestionamos a mente,
Com pensamentos supérfluos –
E atenção desnecessária.

Como é maravilhoso,
Presenciar mais uma manhã que se descortina.
Este é o presente nos agraciado –
Diariamente –
Mesmo naquelas manhãs mais cinzentas,
Contemplados com os primeiros raios de sol.
No entanto, prendemo-nos à raciocínio,
Tão mesquinhos.

Desejo que flua –
Que tudo possa irradiar na luminosidade,
Retribuindo as energias positivas –
Que emanam da natureza.

Tudo poderia ser simples,
Mas somos os mestres –
Em complicar o que está ao nosso redor,
Com questionamentos absurdos.
Em sair atropelando as maravilhas,
Que estão a nossa frente.

Mesmo sabendo –
Que o viver é um mistério,
Tão enigmático –
Quanto a sua essência.
O vislumbre de várias vidas,
No espelhar da harmonia.

Basta que sejamos simples,
Para quem sabe –
Algum dia –
Chegarmos à compreensão.

A grande engrenagem


A morte -

Um choque para todos nós.

Mas a vida tem dessas surpresas,

Aqui embaixo não enxergamos com clareza os seus grandes mistérios.

Para alguns um grande intempérie...

Para outros a dádiva divina.


***


Estamos aqui somente de passagem –

Um grande aprendizado.


As mazelas com as quais nós deparamos e o refrigério das alegrias...

Tudo é uma miscelânea –

Uma graça.


A roda da vida em sua grande engrenagem que nos mantém de pé,

Até o dia em que Deus quiser!


Vivemos em uma época na qual parece que estamos presos em um grande liquidificador que vai girando –

Ameaças por todos os lados!


Cadê a democracia?

Não temos voz!


Um plano arquitetado milimetricamente...


Somos pobres!

Somos negros!

Somos brancos!

Somos da comunidade!


O que foi deixado na Terra –

Foi para ser dividido e não amontoado.


Acumular riquezas de nada serve se não for compartilhada.


Quem tem consciência não dorme tranquilo, quando se tem conhecimento das necessidades alheias.


Como é que se vive –

Sem ganhar o pão?


Magnitude

 

A mente em ebulição -

O corpo pede cama.

A dor reinando -

Neste triste dilema.

Por que tanta exaustão?

Estou minando...


Em breve tudo será esquecimento,

Nesta quarentena de isolamento.

Cercada de mentes vazias,

Restam as minhas primícias.

Não se esqueça do que te falei,

Arrefecendo ao frio – Pronto, acabei!


Poesia em sua magnitude,

Aflorando na alma a juventude.

Envelhecendo vai a forma física,

Permanecendo o essencial: A música!


quarta-feira, 22 de junho de 2022

Poeira cósmica


Somos poeira cósmica...

Uma pequena centelha do universo.

A grande ambição do homem –

Curioso por natureza –

Querer explorá-lo.

A sua magnitude é tão perfeita –

E nós simples mortais:

Com diversos defeitos e inúmeras imperfeições –

Não temos capacidade para tal!

Somos o reflexo de nossa própria imagem incrédula e indissoluta.

O maior carma de nossa existência é a ambição –

Fadados ao fracasso.

Quanto mais se quer –

Menos se tem.

Por isso, essa busca constante pela evolução.

A maior riqueza que algum dia poderemos obter é a conscientização para a evolução.

Enquanto, não acontece, só enxergaremos o sofrimento e a morte –

Sangue de inocentes sendo derramados.

Até quando?

Então, estaremos sujeitos aos fracassos e decepções.


Omissão

 


A ciranda gira -

Não sabemos em que pé vai parar.

No gingado da labuta –

Na tentativa de não morrer.

Somos a grande “maioria” –

Para alguns a minoria.

Qual é o certo?

Por onde andará o errado?

No dia a dia oprimidos...

Na luta pela sobrevivência.

Sobre a tua pele:

- Qual é a tua cor?

Responda-me:

- Que eu lhes digo qual é o teu valor!

Somos uma miscelânea –

Cultura de várias nações e povos.

- A minha pele é clara, mas a minha alma é pura melanina.

- Sou da periferia... 

- A minha voz ecoa da comunidade!

Cada um tem a medida exata do seu caráter.

Os ratos que estão no poder:

Brancos, claros, olhos azuis, ou alguns pardos, vão lá se saber.

A sua grande maioria procurando promover a raça ariana.

- Diga-me o qual é o seu pensamento sobre o prisma de nossa ancestralidade!

Somos um povo guerreiro...

Somos um povo mestiço...

Pretos, índios e brancos oriundos de todas as partes do mundo.

Arianos  aqui no Brasil –

Somente quem nasceu regido no período do signo de Áries.

Somos uma nação de miscigenados –

Na peleja de cada dia procurando sobreviver aos desmandos de um país racista e genocida.

- Quem é que vale mais?

- Ou o que pesa menos?

Somos torturados!

Somos assassinados!

Somos rejeitados e excluídos por uma cultura imposta por uma massa de manobra branca.

Porém, somos resistência:

Nada de direita e nem ao menos de esquerda!

O que deve ter prioridade é uma política de igualdade.

Partidos políticos:

Religiosos...

Ateus...

Seja lá quem for...

Querem levar o seu quinhão.

Esquecendo-se do mais importante:

O respeito pela vida!

Somos humanos...

Somos gente...

Independente de credo, cor ou religião.

Somos pessoas...

Somos cidadãos...

Diga-me:

- Por que tanta demanda de omissão?


Contra as adversidades


Não gosto dessa sensação de impotência...

Acredito que ninguém goste,

Principalmente quando se é para ajudar alguém -

Tenho isso comigo.

Por que tudo tem que ser tão contraditório?

A minha alma sangra...

Não deveria me sentir assim –

É mais forte do que eu.

Luto contra as adversidades...

Contra a correnteza que teima em me dragar.

Esmero-me com todas as forças para me manter firme.

Até quando viverei em uma realidade que não é a minha?

Podem me achar louça...

Eu sempre me senti fora do eixo,

Como uma peça que não é do padrão.

Há uma força avassaladora que me move...

Não o meu físico e sim a minha essência.

Eu só queria ter a compreensão...

Eu só desejo que tudo fique bem!


Efêmero


Escrever é uma arte –

Um dom.

Embevece a alma –

Embriaga as emoções.

Dando sentido a vida.


Sou uma mistura de tudo

Sentimentos em ebulição –

Embaralhados;

Fomentando o meu espírito.


O que for verdadeiro –

Permanecerá.

E o que for falso –

Vai passar!


Tudo passa...

Nem que seja a utopia.