Quem desejar colaborar com a manutenção do Blog Poesia Translúcida, é muito simples: Pix 21987271121. Qualquer valor, o mínimo será muito bem vindo! Muito grata!

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Não há remorso


A culpa, às vezes, corrói a nossa alma,
Por que agimos dessa forma?
Não tem como reverter os fatos?

A humanidade –
Perdendo-se cada vez mais,
Descarrilhando em suas próprias escolhas.
Culminando em um suicídio involuntário,
Também coletivo.

Falsas mensagens,
Propagandas enganosas –
Um duelo torpe com a realidade.

A crueldade nua e crua,
Estampada em nossos olhares.
A dor alheia nos alimentam de tal forma,
Fomentando a ostentação sem sentido.

Não há remorso,
Pelos corpos espalhados no chão.
Contentando-nos com o banho de sangue,
Gargalhando às custas do sofrimento humano -
Sem engano.
Se deles não temos piedade,
Quem dirá dos animais.
Regozijando-nos –
Tomando posse do que não é nosso.
Ideias estapafúrdias –
Controlam a mente,
Deixando o ódio dominar.

***

Essas questões –
Não serão mudadas –
De um momento para o outro,
Agindo em prol da involução.

Quanto menor os questionamentos,
Melhor para os governantes:
Que de pouco a pouco,
À olhos vistos,
Arrancam o mínimo que possuímos.
O que desejam,
É nos ver rastejando como vermes,
Famintos à míngua –
Aceitando qualquer migalha,
À troco de nada –
Promovendo o caos.

À troco de quê?

 

A quem beneficia a nossa vida?
Agimos em prol de alguém?
De alguma coisa?

Vertentes se desvanecem,
A luta constante –
Entre o bem e o mal.
A cada dia tendo que provar algo,
Não sei para quem.

Pessoas se mascarando ao redor,
À troco de quê?
Para quê tanta maldade no mundo?
Prevalecendo sempre o poder capitalista,
Onde a verdade é escondida –
Embaixo do tapete,
Não havendo a justiça.
Muito pelo contrário,
A injustiça correndo ou não,
Nas artérias do progresso.
Onde o descaso –
É mais um processo acumulado,
Em alguma prateleira –
Empoeirada e enferrujada,
Convalescendo de tétano.

O pobre é apenas um número,
Em uma enorme estatística –
Que nunca para de crescer.
O bolor no fermento,
No calor da dor que não cessa.

Até quando?
Esta é uma pergunta que não se cala,
Permanece viva em nossa essência.
Num franco desespero,
Entorpecendo a alma –
Na angústia ardente,
Sem sabermos o dia de amanhã.

Se haverá vida –
O ar para respirar.
Cada um deveria fazer o exame de consciência,
Para compreender de fato –
Qual é a sua missão.

Questões da vida

 


Surpreendem-me as questões da vida,
Algumas mais brandas –
Outras dilaceram a alma.

São tantas as perguntas sem respostas,
Na incongruência de um elo –
Um círculo que não se fecha.

A humanidade –
E suas teorias do passado:
Quem somos?
De onde viemos?
Qual o motivo para a nossa existência?
Por que nos criaram?
Para quê tanto sofrimento?
Também a deslealdade?
Quem inventou a ambição?
A ganância?
O poder?
A escravidão?

Tudo se complementa em tamanho desperdício,
Promovendo a destruição.
Nunca aprendemos –
Nunca possuímos a capacidade,
De cuidar de algo que não é nosso –
E que ao mesmo tempo nos beneficia,
No desespero pelo acúmulo de riquezas.
De sempre com a ideia fixa,
De nos darmos bem –
Seja de qualquer forma for,
Não nos importando com a alheia dor -
Este é apenas o prelúdio do fim.

De uma forma ou de outra –
Através dos mesmos erros,
Entraremos em extinção.
Se bem que na verdade,
Já estamos neste ciclo.
Tudo caminha na contramão –
Da evolução.

O relógio ao invés de progredir,
Está em fase de retrocesso.
Será que não percebemos acontecer?
Gradativamente perecer –
Definhando o progresso.


domingo, 5 de junho de 2022

Transe coletivo


Idolatramos os falsos deuses,
Em busca da purificação.
Basta vir com uma proposta de redenção,
Promessas vazias –
A abundância –
A vida abastada –
Eterna mortificação -
Figuras distorcidas.

No auge do transe coletivo,
Cadê o nosso livre arbítrio?
Caiu em fora de contexto,
Tamanho desespero.

Seres vazios,
Repletos de autossuficiência.
Lavagem cerebral,
Haja paciência.
Aos pobres oferecendo as migalhas,
Faltam-lhes os uniformes,
Para contextualizar –
Os irmãos metralhas.

Discrepância da polarização,
De que lado você está?
Pessoas comuns –
Ultraje do cristianismo.
Colocando-se em um lugar,
Que não é seu, nem por direito.

Agindo em causa própria,
Abastecendo os cofres –
Favorecendo os parelhas.
Quem discorda,
Provoca a ira.

Injusta profanação,
Indivíduos regidos pela ganância.
O ódio em alta dose de ambição,
Julgados como poderosos –
Com seus defeitos asquerosos.
Sem um cargo de favorecimento,
Não passa mais como um indivíduo comum.
Usando de autarquia,
Altas patentes.

O favelado criminalizado,
A pobreza que aguente.
No corpo a frieza e a dureza,
Muito mal tendo o que comer.
Encurralados em um morro qualquer,
O efeito da gentrificação –
Movendo a chave da ignição,
Para a falta de solidariedade e compaixão.

Pessoas ignóbeis,
Que não passa de mais um.
Qual a sua credencial? Nenhuma!
No comprovante de residência,
Quando se tem, o motivo da intolerância.

Vivemos sob um céu,
Que tem tudo em abundância –
Para ser o primeiro mundo.
Desde sempre roubados,
Em nossa ínfima mentalidade.
Contentando-nos com o terceiro mundo,
De modo vigente –
Com ou sem resiliência.
Sobrevivemos ao caos,
Enquanto, sozinhos –
O barco navega a nau.

Ponta do iceberg


As pessoas estão cada vez mais sem noção,
Em suas falas ecoam o egoísmo –
De suas mentes o sangue,
A sede por injustiça.
As atitudes voltadas para o egocentrismo,
Não há mensura para o equilíbrio.
Arrotando –
Vomitando –
Palavras esdrúxulas.

Eu fico pensando...
Procurando o resultado para tudo isso.
E o que consigo enxergar,
É uma humanidade perdida –
Em seu próprio caos.

Os caminhos se convergem,
Em um grande emaranhado –
Feito um novelo embolado.
Ninguém mais se entende,
Nesta enorme polarização.

O grande enigma da vida,
Está desfeito.
A lei pela sobrevivência –
Grita mais alto:
Cada um por si!

Quantos mais sofrerão –
Nesta torre de Babel?
Onde ninguém mais se compreende,
Falando próprios dialetos –
Sem alguma menção de afeto.

A inconsistência –
Reina por toda a parte,
Gerando a violência.
Em armados esquemas sórdidos,
Desvio de dinheiro.
Este deveria ser empregado,
Em uma causa justa -
Mas alimenta os famigerados leões.

Há uma enorme máfia,
Por detrás dos macabros ajustes.
O que visualizamos –
É apenas uma ponta do iceberg.
O mal e sua fria reputação,
Dizimando tantas pessoas:
Direta ou indiretamente.
A sociedade hipócrita,
Em seu desvio de caráter,
Agindo em benefício próprio.

sábado, 4 de junho de 2022

Linha atemporal


Vasculhando por algo,
Nada me apraz.
Também não me distrai,
A não ser essa inquietude,
A alma feito tempestade –
Bagunçando o interior.
Sei que isso tem nome,
Ansiedade o sobrenome.

Uma angústia,
Vontade por escrever.
Mas o que sai?
São apenas as expectativas,
Sem alguma perspectiva.

A chuva cai lá fora,
Com ela o desejo do sol.
A esperança pelo arco-íris,
Quem sabe encontrar o pote de ouro,
E fazer brilhar a íris?

Por que tem que ser assim,
Tão desigual ao que sonhamos?
Uma tormenta –
Tomando proporções lineares.
Observando cada ponto do universo,
Na sublimação –
Entorpecendo os sentidos.
Em meio a dor,
Que não tem norte –
Nem direção.
Aqui em pleno estado de putrefação.
Sob o mofo da existência,
Sem causa e efeito.
Apenas pela incumbência,
De não sei quem.
Neste casulo quase inviolável,
Restando as sensações indesejáveis.

Quando aparecerá a chave de rotação?
Para dá uma guinada,
O delírio ingênuo do equilíbrio –
Fomentando o brio.
Estado sólido da gratidão,
Mas do que inquestionável –
A solidez do anseio possível.
Não que eu queira tudo,
Somente o essencial.
Para que o âmago possa coexistir,
Com o seu meio –
Resplandecente natureza,
Verdadeiro galanteio.

Aqui são apenas o resquício,
De uma memória –
Imaginação fértil.
Deixando-me febril,
Na iminência da realização.
No encaixe dos fatos,
Linha atemporal.
A vida tomando forma,
Na fermentação das ideias -
Miscelânea de sentimentos.

Não sou a prova de nada,
Apenas ser um ninguém.
Na insignificância por existir,
Até o momento da transmutação.
Onde tudo será apenas alquimia,
Restando apenas as palavras impressas,
Em meus velhos papéis.

Falsa percepção

Lastimável a falsa percepção que temos aqui na Terra,

Onde colocamos as mãos –
Somente a destruição,
Salvo algumas consciências.
O despertar da humanidade,
Na tentativa de nos resguardar do caos –
Uma ilusão,
Principalmente as próximas gerações.

Tornando-nos uma quimera distorcida,
Uma sombra.
Por maiores que sejam as intenções –
De progredir –
O mal vem à espreita,
Devastando o que vê pela frente.
Como um plano diabólico,
Entorpecendo o bem.

Se ao menos no futuro,
Mostrasse-nos alguma saída.
Mas nos vemos encurralados,
Terrível maldição.
Há todo um esplendor,
Porém, somos capazes de destruí-lo -
E é o que estamos a realizar,
Não havendo uma menção de constrangimento.

A Natureza luta bravamente com as suas armas,
E nos tornamos tão insignificantes –
Diante de sua força.
Nunca aprendemos a nossa forma de coesão,
Entre a humanidade e o meio ambiente.
O maior elo está no oxigênio,
Nem sempre límpido.

Somos seres cruéis –
Incapazes de admitir tal fraqueza.
Haverá um futuro,
Não muito distante –
Em que não estaremos mais por aqui.
E isso, dependerá de todos –
Cada um terá a sua parcela de culpa.
A Mãe Terra pede socorro –
Asfixiando-a pouco a pouco.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Desdenhados pelo sistema

 

De um jeito ou de outro,
Vivemos à mercê da raiva e da dor –
Impostas em nossas almas.
Em uma realidade,
Nada condiz com o que sonhamos.
Os sonhos –
São apenas desejos –
Que não se realizam.
Sobrevivemos com os restos,
Na busca inalcansável –
Por algo que nunca existirá.

As vontades descritas na mídia,
Como algo possível –
Fazem parte de um jogo sórdido.
Por que como os outros,
Não somos merecedores –
De receber tais graças?
E de uma maneira soberba,
Somos excluídos –
De uma sociedade:
Cruel e mesquinha,
Porque simplesmente,
Não nos moldamos de acordo –
Com certos trejeitos,
Também em conceitos.
A verdadeira face,
Pode ser tão desfavorável –
Quanto a de algum algoz.

Por isso,
Em pleno século XXI -
Moldados pelo falso moralismo,
Deturpado com o capitalismo –
Mergulhados no egocentrismo.
Seres marcados pela insignificância,
Expostos e ridicularizados,
Em rodas de panelinhas.
Fomentados pela ganância exacerbada,
Do poder monetário –
Onde não visam os reais valores.
Seres decrépitos,
Desdenhados pelo sistema.

Contraditório

Para quê este espaço?
Um oco por entre as lacunas –
Tomando conta,
Feito areia no deserto.

Estresse emocional,
Sem paciência –
Para realizar o que mais gostamos.

É irreal –
Surreal –
Total discordância dos fatos.

Nada se encaixa,
Muito menos combina,
Com as nuances da alma.
Não há a conexão necessária,
Apenas os estampidos –
Involuntários –
Deixando-nos fora do eixo,
Dissonante ansiedade.

Na respiração:
Longa e prolongada,
A tentativa de não enlouquecer –
Com a realidade que nos cerca,
Desbravando uma conexão interior –
Para o espaço além da existência.

É uma luta desleal,
Por algum motivo –
Impulsiona-nos para frente,
Mesmo no desejo de estagnar.

É tudo tão competitivo,
Onde a dor e a fraqueza –
Devem ser deixadas de lado.
Enquanto, isso beiramos à loucura,
Haverá outra maneira?

Asfixiados –
Procuramos progredir –
Ao menos lutarmos,
Para modificar esta dimensão.

Será o mundo –
Uma completa mentira?
No fundo, sempre nos enganaram,
Como seres inconsequentes?
No momento em que a coisa aperta,
Pensamos em nossa própria sobrevivência?

É tão completamente contraditório,
O que nos ensinaram –
Para nós manter como cães fiéis,
Em seus domínios.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Batalhas atemporais


Subterfúgios –
Artifícios –
Atravessando o caminho,
Gerando tsunami de sensações.

O desmantelo cabal –
A reação crucial.
Derrubando –
Acabando com tudo.

Sonhos destruídos -
Empecilhos geram a insegurança,
Arrefecendo a esperança.

Como nos mantermos fortes,
Diante de tais situações?

O desespero na alma,
Vertiginosa condição -
Há tanta coisa para modificar
Mesmo sabendo –
Não movemos um palmo,
Diante do nariz.
E continuamos a procrastinar,
Na igual condição.

Os desafetos tornam-se fortes,
Uma luta desleal –
Por aquilo que é certo.
Os ventos intensos,
Cada vez mais arrasadores –
Jogando-nos ao chão.

A derrota é algo –
Não existe.
Feito a Fênix,
Ressurgimos por entre as cinzas.
Através do fogo,
Imenso castelo de ações.

Não há futuro,
Sem travamos as batalhas –
Por mais íntimas que sejam.
O espelho rachado,
Deixado de lado – Jogado fora.
Não há anos de azar,
Fortalecidos na resiliência.
Recompondo-nos –
Quantas vezes forem necessárias.

Jogo fora as palavras –
Que me jogam para baixo,
Volitando em sabedoria interna.
Ainda há um misto de discernimento,
Um tanto quanto de atrevimento –
Precisamos prosseguir,
Em curso da evolução.