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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Carta para a vida (significativa presença) - 1

Devolveu a luz para os meus olhos,
Pude encarar de frente o espelho.
Tantas pessoas em meio à multidão,
Seria apenas mais uma.
Redescobriu a essência,
A mulher escondida.
Invadiu o meu mundo,
Sem pedir licença.
E nele fez toda a diferença,
Tão simples e significativa presença.

Mesmo quando o via à distância,
Sentia que eras ímpar –
De tudo o que conhecia.
Algo me dizia que era você,
A pessoa especial –
Em meio à tempestade,
Cessaria toda aquela tormenta.

Encaixando as coisas,
Cada peça em seu devido lugar.
Um encontro casual,
Deixando-me sem ar.
Como me aproximar?
O cupido foi a solução,
Um número de telefone –
No meio da tarde,
Primeira ligação.
Depois pessoalmente o encontro,
A aproximação.
A fantasia se tornando realidade,
Aos meus dias –
Trazendo a felicidade,
As noites enluaradas.

A fumaça condensada,
Deu lugar aos raios de sol.
Transformando a desilusão,
Em vontade de viver.

Aos poucos, encontros tímidos,
Tornaram-se intensos.
Com os nossos corpos unidos em vibração,
Trocando as energias –
Reverberando a sinergia.

Tornou-se o tudo que desejava,
A pessoa mais incrível –
Em quem poderia confiar.
Que esbarrou em meu caminho,
Aquecendo de vez o coração.
Fazendo-me acreditar nos sonhos,
Devolvendo novo ar –
Aos versos que componho.
Também a lascívia,
O tesão constante e insaciável.
De modo transcendental,
Plenamente indomável.

A chama aquecida,
Ao sabor da libido – Desinibida.
Faz-me sentir viva.
Antes como nunca com o seu toque,
Dos deuses o retoque –
Efervescente a luxúria,
Banhando-me de carícias.

Como não dei tanta importância?
Talvez por medo –
De tudo acabar no efeito do pesadelo,
Em um instante para o outro.
Não quero perde-lo jamais,
Desejo tê-lo não somente nessa,
Mas em todas as vidas.

Não posso deixa-lo seguir por outros atalhos,
Por ser covarde em momentos falhos.
Se isso acontecer,
Deixarei de ser flor –
Para ser espinhos,
Em meio a tortura e a dor.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Coração solitário

 


As tormentas,
Vêm despertar os maiores monstros.
Adormecidos nas profundezas da alma,
Não há escapatória.
Em doma-los nenhuma chance,
Nem mesmo de relance.
As tsunamis –
Jogando-me em uma escura cavernas,
Abraçada aos joelhos –
Encolhida,
A qual um dia já consegui me desvencilhar.

Fantasmas do passado –
Gatilhos –
Atormentando-me –
Traduzindo nos piores sonhos.
Na transitoriedade –
Da realidade.

O que se pensou ser,
Não existe mais.
Na somatória do cotidiano,
Tudo vira cinza.
Na fumaça condensada,
Vestígios de luz.
Ameniza a dor,
A resistência –
O clamor.

A solidão,
Que antes não existia.
Hoje se faz presente,
Na ausência,
De um momento para o outro.
Como uma viagem psicodélica,
Presa no infinito pesadelo.
O céu transmutando no inferno,
Quebrado está o elo.
No calor da deslealdade,
O desespero toma conta do espaço.
Derreteu o metal forjado,
Na desencadeada ilusão.

O que fazer com este vazio,
No calor sinto o frio.
Talvez seja a minha sina este ofício,
Caminhar solitária em tristeza.
Não me tornando pessoa grata,
Da felicidade.
Isso gira em torno da verdade,
Desprendendo-me da vaidade.

Sou somente mais uma,
A transitar por essa dimensão.
Não me pertence,
Não me diz nada,
Sinto-me diferente.
A estrangeira –
Extraterrestre –
Nenhuma palavra amiga,
Gerando inimigos.
Dos meus assuntos,
Somente a desenhar as letras.
Bem vindas companheiras,
Na solidez do descompasso.
Tristemente –
Pé ante pé –
Cada passo.
Do coração antes preenchido,
Agora vive solitário.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Luto eterno


Algo dentro do meu peito morreu –
Estou de luto,
E foi a confiança na humanidade.
Embora restasse algum resquício,
No entanto, perdeu-se na essência.

A contradição –
A falta de zelo –
Machucam as palavras,
Não se criam as regras –
Para a decepção.

Sou livre para ser quem eu sou,
Sou livre para ser quem desejo,
Presa na pequena ilusão.

A dor passageira,
Com o tempo não será mais lembrada.
Como um carro desgovernado nos atropela,
Descarregando o impacto –
Sobre o nosso corpo.

Basta não darmos a devida atenção,
Esvai-se logo.
A grande tormenta,
Girando o furacão.
Os ventos fortes em ação,
Não bagunçando os cabelos –
Como um coração inteiro.

A torre inabalável,
O meu canto intacto.
Salvando-nos das intempéries,
Não existe culpa –
Ou alto flagelo.

Podemos nos tornar melhores,
Do que tudo o que nos rodeia.
O sofrimento faz parte do crescimento,
É vital o amadurecimento.
Na dimensão do que possamos alcançar,
Em virtude do aprendizado.

A vida sempre apresenta,
Novos caminhos.
Basta estarmos atentos,
Para a compreensão.

Quem é quem

A dignidade colocada à prova,
Mas o amor próprio sempre vence.
A lealdade –
Não mais uma via de mão dupla,
Às vezes, torna-se inviável.

Em um momento de tempestade,
Transmutam-se em calmaria.
Cessando um ciclo vicioso,
Que não leva a alguma parte.
A rotina é quebrada,
Abre-se o elo.

Nada melhor do que o tempo,
Para mostrar: Quem é quem.
Infelizmente,
Enganamo-nos com aqueles –
Que estão,
Ou simplesmente,
Fingem está ao nosso lado.
O que sobressai é a nossa consciência,
Emanando a aura, a essência.

Talvez o livre arbítrio,
Seja apenas um artifício –
Para a dominação.
Na verdade somos fadados,
A viver em uma prisão transitória.
As grades são as questões,
Envolvendo-nos sem respostas -
Sem percebermos na luta interna.
Munidos não se dão ao trabalho,
Nem ao menos tentam compreender.

A batalha diária é constante,
Tornando-nos menos vibrante –
Não tem como ressoar.
Será que em tudo,
Deve haver uma razão para ser?
Ou nascemos com a nossa história traçada,
Pelas mãos do destino?

Distopia do tempo

 

Insólitas são as horas –
Que passo por este mundo a navegar.
A ilusão perdida por entre o olhar,
Se desconectam as pessoas -
Sem ao menos se importar.

O ser humano é volúvel!
Como sempre egoísta -
Por isso, fecho-me em casulo,
Na distopia do tempo.

Nada é mais significativo,
Um mundo real e abstrato.
Cada escolha,
Tem a sua consequência.
Que tal esperar para ver qual é?

Não dá para confiar,
Não dá para acertar.
Saber o que é certo ou errado,
As tentações chegam como nuances.
Sem deixar escapatória.

Quando percebemos,
Estamos enveredados por seus jogos –
Armadilhas.
Ao nos depararmos é tarde demais,
Não tem como voltar atrás.
Quebraram-se a firmeza e o concreto,
Sem nenhuma chance de revitalização.

As tempestades apocalípticas,
São como um banho de radiação.
Lavando a alma,
Retirando o resquício –
Do que se tornou velho.

As mudanças sempre são boas,
Para compreendermos de fato –
O que é para ser.

Antes no meu invólucro - Sozinha,
Do que com alguém –
Que não tem a compreensão,
Daquilo que sou –
Ou me tornei.

A tormenta –
A transmutação –
É a chave para a transição.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Grito de milhares

Vozes silenciadas -
Os capatazes,
Promovendo as injustiças.

A quem interessa,
Esses jogos e verbetes?
Recriando a ilusão de ótica,
A mentira transformada em verdade.
Nefasta alquimia,
Sugando as energias.

O grito de milhares,
Preso na garganta.
A realidade não mais espanta,
Pelo contrário,
A mente espanca.

Falcatruas –
Rabo preso –
Conchavos –
A perversidade do golpe.

O poder ditando as regras,
Leis compradas –
Jogadas para debaixo do tapete.
Para muitos o vil deleite,
Sabor veemente.

A base em ruínas,
Momentos fúteis.
Velhas doutrinas,
Lavagem cerebral.

Em algum momento,
A casa cai.
Desmorona a fortaleza,
O fluxo se esvai.

Não adianta o arrependimento,
Se no presente não há o discernimento.
O futuro será de pleno lamento,
O raciocínio lógico –
Enfim, vencendo a parada,
No momento seguindo a estrada.

Desfavorecendo o egoísmo,
A ambição, acúmulo de riquezas.
Gerando o caos,
Completa avareza.

Psicopatas querendo tomar de assalto,
A destruição da democracia.
Implantação da ditadura,
Impostora heresia.

Comportamento –
Sem precedentes,
Sem postura.
Com a boa educação,
A ruptura.

De um lado para o outro,
Vagando mecanizados.
Com o único intuito de trabalhar,
Gerando renda –
Pagando impostos.
Lutar pela sobrevivência,
Ensinando os demais –
No mesmo caminho,
Mesmo em desalinho.

 

Feliz constatação


O sol nasce em mais uma manhã,
Bons presságios.
Olhos bem abertos,
Para contemplar cada segundo.
O canto da cigarra,
Anunciando outro dia de calor.

Estamos vivos!
Respirando!
Quem diria?

Na luminescência,
Entorpece os sentidos –
De quem sabe admirar.
Na labuta diária,
Entre um intervalo e outro –
Resplandecente maestria.
Na lucidez,
Revigorando as energias.

Para continuar renovando o ar,
A inspiração –
A expiração!

Infelizmente,
Nem todos têm a sensibilidade –
Em apreciar,
Por mais simples que sejam –
Estes momentos.

Não é inevitável passatempo,
E sim, divertimento.
A conexão –
A troca de sinergias –
A realização,
Com o sobrenatural.
Parâmetro nada casual,
Para a existência primordial.

Há mistérios significativos,
Muitos estão ao nosso alcance.
Mas não somos capazes de enxergar,
Nem mesmo de relance.

O egoísmo presente,
Maior do que qualquer explicação.
No instante necessário,
Cairá sobre o chão o véu.
As palavras –
As frases –
Farão todo o sentido.
Na separação da luz e sombra,
O mal aniquilado –
Transmutara-se-a.
Não será mais lembrado,
Viveremos em outra dimensão –
Feliz constatação.

Essência transmutável

 

A corda sempre arrebenta do lado mais fraco,
A ruptura do sistema –
Governantes vis armando os esquemas.
Não importa as consequências,
Menores são os dilemas.
Para eles relativizando a dor,
A população servil no clamor –
Concatenando a exclusão.

Os menos favorecidos,
Movimentos ao contrário –
Oscilação em que nada prova.
A força –
O nado de encontro à correnteza,
Embalos aleatórios,
Em busca da satisfação.

Unindo as vozes,
Uníssonas –
Tal qual a efêmera realização.
Os fatos ordinários,
Atropelos diários.
Na vertente,
Areia quente.
Tramas inescrupulosas,
Prendendo-nos nas teias.

No espaço mínimo de tempo,
O desafio –
O momento do desperdício.
Aventuramos-nos –
Por caminhos desconhecidos.
Este é o nosso vício,
Sem medirmos a consequência.

Os seres humanos,
Têm um triste costume.
Em querer julgar,
Para aniquilar criando escudos.
Tornando o outro vulnerável,
Este é o acúmulo do absurdo.
Será que no Planeta Terra –
Somos os intrusos?

Ao ponto de não sabermos cuidar,
Compactuando com a destruição.
Quem sabe? Se em algum momento,
Possamos transmutar a realidade -
Quando chegar a hora da evolução.
No instante presente,
Somos uma incógnita,
Mais um ponto de interrogação.

A essência transmutável,
Em ação volúvel -
Pendendo para o bem e o mal.
Somente a transitoriedade dimensional,
Poderá resolver as velhas questões –
Ou nos depararmos com o desprazer,
Da involução.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Genocídio anunciado

 

Caneta, uma folha de papel em branco,
Quem sabe a tela embaçada do computador.
Fakes news, ativem o teor de comando,
Disseminando o caos e a dor, atrevimento.
Difundida dinastia, sequela do sofrimento,
Psicopatia inflamada, nenhum lamento.
A comunhão, desafiando o vil pecado,
Oportunistas, inescrupulosos saltimbancos.

Vidas à mercê, entregues aos riscos,
Como garantia do sorriso, o confisco.
A voz ativa, nas entrelinhas o golpe,
Persuadindo os indivíduos, à galope.
Incitando a agonia, a violência,
Em suas falas, nenhuma advertência.
O objetivo, a falta de transparência,
Aos injustiçados, não trás a referência

O povo pobre, na grande maioria,
Largados à própria sorte.
Meu Deus, mas que tamanha ironia,
Com o passar dos anos, qual é o norte?
Para cessar com toda essa patifaria,
Sonhos velados dentro de mais um caixão.
A sobrevivência cobra o preço, zero solução,
Na labuta diária, sem a menor compaixão.

O ser humano nasce lascado,
Comendo o pão pela elite pisado.
A sociedade preta, mendiga por inclusão,
Pedindo respeito, o Estado devendo satisfação.
A falta de recursos, o buraco no estômago,
Roncando, clamando por auxílio.
O desejo de sobressair em meio ao perigo,
Quimera, faca de dois gumes, o fio.

O anseio resiste ao que é natural,
Racismo incrustado no alicerce estrutural.
O total respaldo, a meta da raça ariana,
Infundado pensamento, alta miscigenação.
Quem é que cabe totalmente neste requisito?
Hoje em dia é um tanto esquisito.
A Mãe Terra, Mística e Africana,
Sob as bençãos da Natureza, a proteção.

A humanidade necessita reaver as velhas questões,
Na desigualdade fomentada, o freio – A resolução.
A diversidade de poder, as reações,
As crianças são o futuro, iguais oportunidades.
Na transmutação da realidade,
Não este mundo paralelo, crescente ilusão.
O Estado genocida, a fome põe no prato,
Com a morte de milhares, faz o pacto.

No acúmulo de riquezas, enchendo os bolsos,
Comprando, vendendo os armamentos.
Dizimando a população das favelas, dos morros,
Roubando dos mais fracos, vivendo em paraísos.
Aos moradores da periferia, alguns trocados,
Na mira do fuzil, crimes são cometidos.
A sentença é a morte, um tiro certeiro no peito,
Com a bandidagem do alto escalão, não há socorro.

Probabilidade do holocausto


A humanidade,
Vestida de perversidade.
Encarcerada em grilhões invisíveis,
Levando os irmãos –
Ao sacrifício,
Indiscriminado indícios.

A cor da pele,
Não dá o direito da violação.
O endereço postal,
Do caráter –
Nenhuma constatação.
O preconceito –
Escancarado.
Não só o direito de ir e vir,
Ameaçado.
Estado segregador,
Na demanda a gentrificação.

O ócio, o ofício,
Ópio da transgressão.
Rasgando na carne,
Sangrando a alma.

Infligindo leis,
Sem classe a meritocracia.
Outros revivendo seus mártires,
Na vivência –
A probabilidade do holocausto,
Como objetivo o ódio.
Na insignificância crescente,
Ao modo aleatório.

Desconstruindo o que foi feito,
Colocando as peças –
Há como ser refeito?
Lavagens cerebrais,
Entorpecendo mentes pensantes –
Aos montes.
Adormecendo todo o significado –
De evolução.
Aos despertos,
O título de conspiradores.

Há uma força maior,
Que nos move, amparadores.
Atraindo-nos feitos zumbis,
Felizmente, existem muitos –
Que não se deixam enveredar.
Pelos sons sonoros,
Quase imperceptíveis.
Repetindo mentiras maquiavélicas,
Mil vezes, algum escrúpulo?

Nenhum grau de verdade -
A questão é mais profunda,
Do que possamos imaginar.
Antes as intenções veladas,
Navegavam no fundo da hipocrisia –
Fato notório e descabido.

A sociedade desperta,
Luta contra os fatos –
A favor dos argumentos.
Trazendo à tona o discernimento,
As somatórias de resistências.
De mãos dadas,
Espelhando o futuro brilhante.
Persuadindo a dureza, quedas,
Inflamando a persuasão –
Da consciência,
Com a devido persistência.