Quem desejar colaborar com a manutenção do Blog Poesia Translúcida, é muito simples: Pix 21987271121. Qualquer valor, o mínimo será muito bem vindo! Muito grata!

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Consciência lúcida


Uma porção do paraíso,
O que desejo no momento.
Aqui - Mundo frio - Indeciso,
Círculos, eterno movimento.

Encandeia, turva a visão,
Arrefecendo a emoção.
Miscelânea de lampejos,
A essência em ensejos.

Borboletas multicoloridas,
No jardim da imaginação.
A resiliência, alucinação,
Às vezes, sinto-me perdida.

O cansaço da alma –
Ansiedade no peito.
Necessidade da calma,
Felicidade por direito.

Na boca o sabor de fel,
Discórdias – Amarguras –
Os anseios, desventuras,
A sensação chicoteia cruel.

De fato a humanização,
Em forma de expansão.
A consciência lúcida,
Melhor notícia - Vida.

Intuito da exploração


Os humanos - Nem todos –
Tentam transformar a Terra –
Em um inferno.
Maquiavélicos inventando reinos,
Aprisionando as mentes em grilhões.
Estupefatos –
Agem como gados.

Megalomaníacos sedentos pela ambição,
Esbanjam e acumulam riquezas –
Ostentação de poder, a supremacia.
Na força escravizam os incrédulos,
Fazendo o uso de armas,
Aniquilando os opositores –
Na covardia, os opressores.

Psicopatas no mais alto escalão,
Em proveito próprio, a persuasão.
Forjando o outro,
Chantagem afim de obter privilégios.
A soberba no nível mais alto grau.
Mãos e pés acorrentados,
Invisíveis são as prisões.
Dilacerando corpos em tragédias anunciadas,
Rasgando a carne –
Asfixia sob toneladas de lama, soterrados.

Quem somos nós?
Seres desprezíveis em involução.
Fomentando o mal,
Alimentando a máquina da morte –
Saciando a alma com a desgraça alheia.

Políticos cada vez mais cruéis,
Cumprindo metas, angariando vantagens.
Demonstração de uma falsa comoção,
Em seus peitos nenhum alarde.
Lágrimas de crocodilos, insensíveis,
Berrando a alienação – Corrosíveis.

A hipocrisia diária estampada nós rostos,
Não há sequer um pingo de remorso.
Apenas visando o lucro – Nada mais –
Em meio a devastação e destroços.
Um ciclo que não se fecha:
Entra ano e sai ano – Governos –
Com o igual intuito de exploração.

Cor de carmim

 


Todos os meses,
Cor de carmim.
Todas as vezes,
É sempre assim.

Sangro por dias,
Inteiros.
Sangro por dias,
Derradeiros.

Não só o corpo,
Também a alma.
A ansiedade,
Desvanece a calma –
Excitação no topo.

Acelera o coração,
Dispara a emoção.
Desfaz a concentração,
Exclui a imaginação.

O pensar confuso,
Um olhar difuso.
Raciocínio tenaz,
Vontade apraz.

Alucinação incontida,
Sonhos dissolutos.
Compasso - Batimentos,
Vontade atrevida.

Todos os meses,
Cor de carmim.
Todas as vezes,
É sempre assim.

A vida em curso,
Busca de recursos.
Trilhando o caminho,
Em desalinho.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Iminência de guerra


Guerra terrena –
Mais do que espiritual.
Bombardeios aos megalíticos,
Destruindo a história da civilização.
O que deveria ser ao contrário:
A reconstrução.

Almas perdidas em meio ao caos,
Que toma conta feito rastilho de pólvora –
O mau cheiro no ar.
Em falsos noticiários, a difamação.
Uma vírgula fora do contexto,
Desencadeia a explosão.
Farpas trocadas –
Em meio ao momento caótico,
Dissimulação –
Costurando inverdades –
Penetrando as mentes frágeis,
Fazendo-se acreditar.

Não há lugar seguro,
Os ceifadores estão em toda parte –
À espreita, aguardando o momento exato,
A escolha errada.
Em suas mãos:
As cruzes para a extrema-unção,
Não importa, se está preparado ou não.
Impostores da civilização,
Transveste-se de santos –
Assinando a ordem para a inquisição.

O único desejo é o intuito –
De acabar com tudo e com todos,
Em seus caminhos,
Desarmando os planos –
Na disputa pelo poder, ambição.
O senhor da guerra –
Não tolera oponentes.
Impõe uma única religião –
Consagra-se como perfeito deus –
Insana devoção.
Às nossas crenças, o aceno,
O adeus.

Traços humanos –
Os olhos vermelhos.
Energia nefasta,
Disseminando a crueldade,
Triste realidade –
Jogos de palavras,
Não existe a verdade.

De maneira vil e mesquinha,
Saboreia com gosto –
O sangue dos inocentes,
Doce licor.
Perante os demais –
Ilibado cristão,
No peito o rancor.

A supremacia que não deu certo,
Escravizando os povos mais fracos.
Disseminando o gás letal,
Fora da hora –
A passagem lenta e horrível.
Ou em fornos –
Restando apenas cinzas.
Desaparecendo os desafetos,
Outra alternativa,
Negligenciando o dom da vida.

***
Jamais devemos deixar (resistência),
Que se repita está velha história.
A desumanização –
A humilhação –
Na mira do fuzil.
Sociedades marcadas -
Pelo tom da incredulidade,
Genocídios escancarados –
Em pleno século XXI.
Pandemia tratada com descaso,
Operações mas favelas,
A fome lastimável no cenário mundial.
A crise hídrica – Nascentes destruídas,
A falta de cuidado com o meio ambiente –
O fogo, a motosserra –
Arrasando tudo o que vem pela frente.

Os iguais episódios de destruição,
Na história contemporânea –
No futuro não sobrará nada para se contar.

Mostra-nos com nitidez,
Que de fato nada aprendemos –
É necessário a preservação,
Escolhe-se o caminho mais fácil:
A destruição.
Discípulos aliciando novos adeptos,
Do bem – A perseguição.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Incautos da covardia

 

Pronto o discurso, estarrecedor a empatia em desuso,

Inexistente atitudes, incautos os discípulos da covardia.

Baixa vibração, movimentos vis, agem por debaixo dos panos,

Mentes sórdidas, de repente, no abrir e fechar das cortinas.

Criam e reinventam – Na prática demoníacos planos,

No vislumbre macabro, impondo medo - Descortina.

Dispõe-se e escravizam as frágeis vidas, indiferente tortura,

Complicando a resistência, determinada , desventura.

Das engrenagens enferrujadas do sistema, mal uso,

Implantando na maior parte o caos, veemente discórdia.


Governantes mesquinhos, ganância de poder e ambição,

De boas intenções, o inferno anda cheio, desolação.

Lobos em pele de cordeiro, orquestram – Manipulação,

Ao povo faminto por sobrevivência, nenhuma condição.

Batalhando no amanhecer (a resistência) para saciar a fome,

A cada segundo o estômago reclama, energia consome.

No caminho a total falta de segurança, escuridão,

Às vezes, ou quase sempre no meio do tiroteio.

Por onde anda o Estado? Moradores no entremeio,

Linhas paralelas, visando melhor chance, conexão.


No cotidiano aturdido, sufoco bem na condução,

Ônibus, trem, metrô, ladainha para chegar, baldeação.

Com sacrifício, gasta-se o pouco que se tem, por nada,

De vez em quando, ficando a pé no meio da estrada.

Viver assim, não há menor admiração, indefinido viés,

População vilipendiada em meio ao descaso, pessoas cruéis.

O pobre trabalhador vítima do preconceito e do racismo,

Iludida classe social entranhada a mercê do autoritarismo.

A democracia injustiçada, ameaçada pela ditadura velada,

De muletas até quando caminhará sem ser interpelada?


Febre alucinógena

 


Repugnante –
Esta linha tênue invisível,
Muitas das vezes berrantes –
Entre o poder aquisitivo,
E a quem é apenas mais um –
Perante a sociedade.
Neste insano jogo,
Onde a ganância dá as cartas.
Manipulação e rendição,
Caminham de mãos dadas.

O descaso –
O preconceito –
O racismo –
Ecoando à mercê,
Dos menos favorecidos.
Sujeitos à violência,
Tragédias diárias.
Sem o menor senso –
Do amparo.
O sentimento –
Esfria na alma,
Incontido desespero.
Morro ladeira abaixo,
Levando embora –
Tudo o que se tem,
(Não é muito, a dignidade).

Crimes bárbaros –
À luz do dia.
Antes realizados na surdina,
Escancarado sob o sol.
Jogados nas mídias sociais,
Ao vivo em meio à multidão.
Para quem desejar ver,
Outro corpo ao chão.
Culpado ou não,
Julgado por sua aparência -
Indivíduo maltrapilho,
Criando suspeita.
O dedo no gatilho,
Gerando comoção –
Só queria garantir o pão.

Corpos vilipendiados,
O massacre em todas as esferas.
Nomenclatura da desigualdade,
Na maioria, tachada como fatalidade.
O ser – O estar –
Na hora errada  -
No momento impróprio –
Será que atingimos o menor nível,
Rebaixados à nada?
A psicopatia  é generalizada,
Sem nos importarmos, um pouco,
Com a vida alheia.

Não basta sermos humanos,
Também é necessário:
Que sejamos cruéis?
O comportamento inescrupulosos,
Copiando de governantes –
Nesse febre alucinógena do mito.
Infelizmente, emburrecendo  seguidores,
Perdendo totalmente –
A noção da realidade.

Podres poderes

 


Desordem –
O caos –
Beirando ao irracional.
Entorpecendo –
Aniquilando –
Podres ares –
Mudança de planos,
Em suas mentes.
Delinquentes –
Tardios.
Maquiavélicas ideias,
Antagonismo surreal.

Sangue de inocentes,
Artigo descartável.
Momentânea comoção,
Corpos flagelados,
Roupas maltrapilhas.
Rastejando por migalhas,
Comida descartada –
Sobras no lixo.
A melhor das iguarias,
Enquanto isso na mídia,
Os poderosos no luxo.
Mesa abarrotada,
Incontáveis opções.

Na geladeira dos miseráveis,
Às vezes, nem água,
Que dirá o pão.
Olhos marejados,
A mãe como alimenta os filhos?
Na sordidez de muitos –
As vestimentas de grifes –
Nas ruas ou nos congressos,
Os desfiles.

O contraste da zona sul –
E da favela.
Aos olhos descortina,
Imperfeita aquarela.
Dualidade –
Dura e cruel realidade.
O retrato da ironia,
Pintam-o com a hipocrisia.

Corpos pretos –
A pele imaculada pelo racismo,
Tão vil e descarado.
Margeando a sociedade,
Intolerância desvelada.
No cotidiano a fragilidade,
Aprendendo a lidar –
Com a triste fatalidade -
O preconceito estampado.
Expulsos de lugares,
Abordados pelo sistema.

Nessa história –
Quem é o santo?
Quem é pecador?
O injustiçado?
O ceifador?

Cidadãos sem o direito a voz,
Muito menos a vez.
Tachados de bandidos,
Julgados e condenados –
Por dolorosa condição.
A justiça nunca feita,
Por vezes, tardia.
Comete-se os erros –
Ninguém repara o mal feito,
O passo em falso não tem pai.

Os pobres –
Sobrevivência –
Mesma ladainha,
Lamentos –
Antes os grilhões nas senzalas,
Agora no lugar as algemas.
Da prisão o abre alas,
De se defender, o impedimento.
Para os governantes,
Teatro sórdido.
Um prato cheio, a vitrine,
Inflando o egocentrismo.

Enquanto, subjugados –
Como gados –
Na boca a mordaça,
Nos olhos os arreios.

Manipulação da sociedade,
Almejando um alívio –
Infinitas dores.
Cicatrizes –
Geradas com o tempo.
Da sobrevivência,
O motivo para a existência –
Os dessabores.
O grito ecoando na essência,
É o mesmo preso na garganta.

Grandes multidões –
Em ambientes hostis.
O campo de concentração,
Diferentes são os algozes.
Impondo o medo –
Ameaçando o ir e o vir.
Na luta –
Por um pouco de dignidade.
Até quando existir a permissão,
Por ora, o toque de recolher.
Contando com a graça divina,
Se chegaremos ou não ao destino –
Impactante desatino,
Na labuta - A quem recorrer?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Transmutação em letras


Um dia sem escrever,
É como se não existisse –
Refaço-me em letras.

O papel é a melhor companhia,
Tem paciência para os desabafos –
Imprevisíveis delírios.
Envolvo-o –
Com os segredos e aventuras,
Neste mundo –
Repleto de desventuras.

Transfigura-se no melhor amigo,
Transveste-se de desejos,
Em sua alquimia –
Fazendo irradiar a poesia.

O versejar –
Alucinante de meus dedos.
Incandescente –
Da mente febril e inquieta.

Doces aventuras –
Como fruta saborosa,
Sinto ao paladar.
O aroma do verde,
O flamejar das matas.
As flores –
A saltitarem em meu olhar,
Delirantes sensações.

Entorpecer –
Entregar-me –
Não há como.
Embriaga-me –
Em reações.
Desconexa com a realidade:
Cinzenta –
Repleta de concreto e asfalto.

Recrio universos paralelos,
Desejosas dimensões.
A Natureza –
Empoderada e majestosa,
O ensejo da realização.

Pura magia,
Reverberando pela essência.
Refazendo-se em meus sentidos,
Presenteando-me –
Com o mais simples e espetacular,
De toda uma existência –
A vida.

Luzes psicodélicas


Uma luta travada –
Sangue frio –
Nós olhos a vibração.

Para nos mantermos vivos,
Um alucinógeno qualquer –
O álcool na corrente sanguínea,
Ou a poesia vertendo na essência.

Batalhas coletivas,
Às vezes, consigo próprio.
Na eminência do prazer,
Embora, momentâneo.
Na busca por fazê-lo,
O mais eterno possível.
Reverberando –
Luzes psicodélicas,
Alucinações tardia.
Recriando dimensões,
Paralelas -
Para anestesiar a realidade,
Dura e fria –
Por vil governo,
Sem a menor chance –
De escapatória.

A palavra de alguém,
Que não vale nada.
As atitudes,
Mostram-lhe totalmente:
Contraditório,
Diante de infames acusações.

Será que ainda teremos outra opção,
Uma questão não relacionada –
Para podermos sair e sobreviver,
À tragédias históricas –
Em meio à tantas pessoas em sofrimento?

O caos entranhado, uma doença,
Feito uma nuvem cinzenta –
De poeira e fumaça,
Com seu dedo podre –
Devastando tudo o que toca.

Em nossa pequena invalidez -
Servindo-os de escravos,
Diante daqueles que julgam saber mais.

Triste fim terão,
A arrogância e a ganância de poder.
Sobretudo diante da força –
Avassaladora da Natureza.
Que impõe os seus sacrifícios,
Pequenas amostras homeopáticas,
Do que acontecerá.
Não estaremos seguros,
Os desmandos –
Colocando-nos em apuros.

Duro sistema

A realidade anestesia os sonhos,
Os devaneios vem destoar –
Infinitas correntezas.
Carregadas –
Dilacerando a carne.
Turvando a visão,
De pedra o coração.

Atormentam os fantasmas,
Tomando forma de injustiças.
Pesa a cabeça - Atordoados –
Sem sabermos –
Para onde seguiremos,
No desmantelo –
Por onde fica o zelo?

Quais caminhos  -
A percorrer ainda,
Nas incertezas de infortúnios?

Ventos devastadores,
Piores do que as tempestades –
Em nossos interiores.
Aprendendo a lidar –
Com o fogo amigo,
A falsidade que nos cerca.

As tormentas –
Os furações –
Distanciando dos objetivos.
De joelhos –
O clamor em preces,
Afim de não perdermos o foco.

O duro sistema,
Transformando-nos –
Em seres rastejantes.
Fazendo-nos:
De muletas –
De tipoias –
Em joguetes sórdidos,
Trapaças.

Quem é que se perde –
Em meio a desgraça?
Tudo se torna inútil –
Nos entremeios da banalização.
Fora do estado da graça,
Contextualização.

Castelos de cartas marcadas,
Um momento,
Cairão por terra  –
O que for de mais concreto.

Ninguém nasceu para ser eterno,
Algum dia  -
Transmutara-se-a a matéria.
Na falta de consciência,
Constante desafio -
Em desatino.