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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Sob pressão

 

O poder da imersão,
Transfigura-se na essência.
Devolve o respaldo –
A consciência.

As palavras:
Sabedoria –
Discernimento –
Vasculhando o recôndito do ser.
Na transparência,
Do que é verdadeiro.

Por mais que trilhamos,
Caminhos sem respostas.
Em dado momento,
A razão nos revela o motivo –
Para cada passo dado.
Na incumbência dos atos,
Na indulgência da generosidade.

Jamais devemos nos arrepender -
Do bem praticado.
A benevolência não é fracionada,
É devolvida multiplicada.

É normal pensarmos no dia de amanhã,
Com a lei do retorno –
Mas nunca desejarmos o mal,
Ao próximo.
Embora, a luta diária,
Venha nos brindar –
Com o que não julgamos ser bom,
Para as nossas vidas.

As estradas –
Levam-nos para as vivências inesperadas.
Martelando com pressão em nossas mentes,
Ao ponto de quase nos fazer enlouquecer.

Eu sei o quanto é difícil,
Mantermos em alerta.
Mas com essa sociedade –
Humanidade –
Com a qual convivemos.
Não é nenhuma garantia,
Para sobrevivermos –
Nesta selva de pedra.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

No linear da vida

 

Preciso reagir –
Esta aqui não sou eu:
Entregue ao passar das horas,
Rendida ao marasmo:
Deslizando no tédio.

A vida segue –
Com as suas denotações,
Nas vantagens –
Também desvantagens,
Provenientes de alguma razão -
As quais não sabemos ou não.

Seguimos –
Patinando pelas peripécias estabelecidas,
Discordando sobre algum destempero.
Nem tudo é linear,
O quanto parece ser.

No decorrer do caminho,
Vamos acumulando muitas cargas –
O que nos tornam muito pesados.
Ou seguimos liberando...
Algumas pelo meio dos caminhos,
Para não enlouquecer.

O fardo se torna grande,
Ao ponto de não conseguirmos enxergar –
A um palmo do nosso nariz.
De total resiliência,
Tomando posse –
Na tentativa de respirar,
Não mais sufocar,
Por uma realidade –
Que cada vez mais nos entorpece.

Em tudo procuramos um significado,
Para nos abster dos erros.
Nas prorrogativas equivocadas –
Do despreparo.
Da falta de experiência,
Que vem nos acometer.

É estranho e abstrato,
Sem a perspectiva –
Que nos floresce –
Ao amanhecer.

Pretensão do dom

 

É sempre o mesmo grito –
Sufocado –
Preso na garganta –
Desejando expandir,
Mas que por alguma razão:
É aprisionado –
Surpreendido –
Asfixiado.

Luta remota aqui dentro,
Inconstante.
Dependente,
Unicamente de si mesmo –
Para sobressair.

O dom –
É a pretensão infinita,
Batalha consciente.
Desejando desbravar –
Novos mundos.
Mas que por alguma razão,
Fica restrito em desejos.
Incongruentes desmantelos,
Que a vida oferece.

Na rendição dos contratempos,
Demasiados atropelos –
Impostos pelos destinos.
Na tenacidade –
Com que se cruzam,
Tirando-nos dos trilhos.
Não nos tornando capazes,
Porém, ensinando-nos a buscar –
Outro modo para nós capacitar.
Nesta luta desigual,
Labuta diária – Inconstante.
A questão é tão disforme,
Não gera a igualdade.

Com o corpo esguio,
A cabeça em pé –
Triunfante.
Uma guerra que nos ensina:
A sermos fortes –
Todos os dias.
Mesmo que por dentro,
Corroendo as entranhas.
Encontrando-nos em flagelos,
Às vezes, sentindo-nos derrotados –
Sem nos darmos conta:
De que somos com tal –
Guerreiros,
Neste mundo aventureiro.

Delírio do caos


A visão, às vezes, nem sempre tão clara,
Com um futuro incerto que descortina.
As virtudes –
Em sua maioria não tão amplas,
Como devem ser.

Agindo com interesses torpes,
Grotescos acontecimentos.
Aquisições nem sempre necessárias,
Tirando o foco do que se faz presente.

Não há o empoderamento das palavras,
Quando o que se deseja é a destruição.
Palavras desnecessárias –
Armamento pesado –
Para tirar a mira da atenção.
Dissimulando o valor incompreendido,
Adormecida população.
Em um país descrente,
Total vilania.
As ordens em prol da ditadura,
Não mais velada.
A cada dia,
Aproximando-se de nossas casas -
Apossando-se de vidas alheias.

Um país inteiro,
Em total desequilíbrio.
A polarização armada –
Desbravada –
A cruzada.
Na displicência do desmantelo,
Com o próximo – Nenhum zelo.

O delírio da empreitada,
Abdicando de várias almas.
São pobres –
Para quê tal preocupação?
Desvalorização do bem estar,
Novas armas são implantadas.
Quem poderá nos ajudar?

terça-feira, 26 de julho de 2022

Alma fragmentada

 


Alma fragmentada,
São tantos os cacos –
Que mal consigo contar.
Desfaz-se a magia,
Em meus dias –
Nada coloridos.
A sutileza à ignorância,
Cedendo o lugar.

As pessoas –
Não escutam mais:
Uma às outras.
Ouvem sim:
Aquilo que for conveniente.
Assim deixando marcas e impressões,
De arremedo do desespero -
Desafinando a harmonia.

No peito a dor física,
O descompasso do ritmo cardíaco.
Cada vez mais se atolando,
No buraco da incredulidade –
Desfavorecendo a realidade.
Até quando nos submetermos –
A esta finalidade?

Há uma distopia –
Distorcendo a dimensão.
Compactuando com os desmantelos,
Altos desmazelos.
Ainda segue em disparada,
Seguindo na mesma toada –
Da falta de compaixão.
A linha tênue da desilusão,
Tão densa em plena solidez.

O arrefecimento de sentimentos,
Congelando qualquer coração.
No desequilíbrio das ações,
Nenhuma atitude positiva –
Manipulação,
Escondendo as verdadeiras pistas.

Ah! E essa inquietude –
Que me dilacera?
Dissonante ponto de ebulição,
O que resta,
Entrando em combustão –
Não sobra nada.
Apenas este vazio,
Que deixa a sensação:
De um oco descomunal,
Em plena existência.
Dessa forma se desfaz a coexistência,
Procurando algo –
Para justificar a resiliência.
E tudo se torna:
Completamente banal,
Em meio ao caos.

Modo aleatório

 

Inquietação –
Um grito na garganta –
A velocidade em alta,
Ao mesmo tempo:
O looping no abismo.

São tantas as sensações,
Tão opostas –
Quanto ao chiaroscuro.
Mas isso aqui,
É vida real –
Nada de sobrenatural.

Os sentimentos em reboliço,
Uma virada no estômago –
Tontura -
Falta de ar.
A ânsia –
Náuseas –
Como explicar?

A realidade em modo aleatório,
Não há escapatória.
O limite por um fio,
Desgovernada engrenagem.
O desejo no fundo,
De ser apenas uma miragem.

Não é ilusão –
É a dor sentida –
E não velada na carne.
Como se quebrasse todos os ossos,
De um corpo frágil.

Há circunstâncias,
Que não são descritas -
Apenas sentidas com veracidade.
O apelo e as atrocidades,
No vil metal que dilacera a derme –
Rasgando todos os vínculos existentes.

Natural –
Nefasto objetivo em transcender –
A existência.
Na crueldade que nós atinge em cheio.
Alvos frágeis e fáceis,
No tormento que nos abomina.
O flerte com a violência,
Não transmuta a coexistência.

Fórmulas retrógradas

 

Trago os meus traumas,
Carrego as cicatrizes –
Incontáveis –
Não somente no corpo,
Como também na alma.

Os dias –
Seguem dilacerando qualquer resquício –
De vitalidade.
Não tenho mais o ânimo,
De anos atrás.

Como sobreviver nesta sociedade,
Fundamentada em falsos moralismos?
Onde os anos seguem cíclicos,
Nada muda –
Continua da mesmíssima forma,
Com fórmulas retrógradas –
Pautadas no capitalismo.

A cada novo amanhecer,
Fica maior o absurdo.
Sem sabermos qual a direção devemos seguir,
Atordoados –
Andando em círculos,
Na desesperança do mal.

Tudo se transforma,
Em uma grande incógnita.
Repleta de mistérios,
No desmantelo cotidiano.
Não rendendo nenhum fruto,
Somente as mazelas apodrecidas.

Em nenhuma virtude –
Há o contrassenso do bem.
Nas entrelinhas do descaso,
Amontoando-se as vítimas –
Seja de qualquer forma for,
No emaranhado da dor.
Entregando-se ao dissabor,
Na falta do colorido.

A angústia sendo ainda maior,
A visão turva –
Em meio as atrocidades.
No ser feliz –
Perece a verdade.

É apenas uma cortina de fumaça,
Não existe a vibração –
Em meio a existência,
A falta de expansão –
Da consciência.

domingo, 24 de julho de 2022

Estatísticas sanguinárias

 

Sinceramente –
Não sei o que escrever com esta nuvem escura –
Que se desenha sobre os nossos dias,
Mortes e mais mortes espalhando o caos.

É isso o que desejam os nossos governantes,
Incrementar o mal –
Dando uma falsa impressão de combate.
Alimentando os números das estatísticas sanguinárias,
Lubridiando os cidadãos –
Fazendo-os abaixar a cabeça,
Sem alguma argumentação.

Não importa o número de baixas,
Tanto faz quem sejam.
Não sendo ninguém do seu sangue,
Não há nenhuma diferença.

Nesta guerra sem sentido,
Buscando a tal da idolatração.
Índoles fomentada no mal caráter duvidosos,
Atos inescrupulosos –
O ódio derramando o sangue na bandeira,
Vertiginosa alienação.
Aos menos favorecidos,
A flagelação.
Culminando na falta de bondade –
Peregrinação.

A vida soa como um grande lamento,
Perda irreparável.
Por que todos não são os escolhidos,
Para repousar em berço esplêndido?
Enquanto, a minoria esbanja os recursos,
A maioria perece de forma assustadora.
Por um tiro de fuzil –
Cravado no peito.
Ou o buraco da fome em seu estômago.

Choque de realidade

 

Dias de sombras –
Anulando qualquer tenacidade.
O que é para ser de verdade,
Quando uma guerra explode sobre as nossas cabeças?

Um governo –
Com pretensões aleatórias.
Por dias sórdidos e macabros,
Não visando a população de bem.

Famigerada polarização,
Atos escusos.
A vida quando permitida,
Segue por becos e vielas –
Entre um choque e outro,
A realidade.
Por vezes, perdendo as perspectivas,
Denominados como qualquer um –
Tratados como descartáveis,
Seres volúveis e violáveis.
Sujeitando-se a barbaridade,
Crimes sem escrúpulos –
Delirante abordagem.

Na linha tênue entre o certo e o errado,
Vagando por entrelinhas desconhecidas.
Mera formalidade do submundo,
Inóspito – Velejando  à deriva –
Por pretensões ordinárias.

Na contramão da ordem,
Vislumbrando o caos no cotidiano.
Deixando iminente inquietação,
Onde não sustenta a formalidade.
Desfazendo a serenidade,
Empregando o desespero –
Na contravenção do submundo,
Subserviência não programada.

Ameaçada democracia,
O ódio e a supremacia.
Aniquilando os sonhos,
Asquerosa ditadura.
Há quem a deseje –
Quem a ature.
Não sabe o que está falando,
Sem nenhuma noção.

Projeto fracassado

 

Os tempos estão sombrios,
O que fazer com este tanto de sentimentos –
Reverberando aqui dentro?
E não são somente positivos.

As falsas conquistas,
Tampando o sol com a peneira –
De um lugar feito de ilusão.
O que descortina –
Também fica por detrás de um pano negro da manipulação.

Sem percebermos,
Por mais que lutamos –
Tornando-nos as presas,
Em um fatídico mundo que nos controlam –
Sem o menor senso crítico.

Políticos com as suas canetas,
Por detrás das mesas –
Assinando velhos papéis,
Traçando vis destinos.
Não há o menor questionamento,
Leis a favor de si.

Somos tratados como animais:
Os bodes expiatórios –
Os bois de piranhas –
Levando-nos a um triste e cruel fim,
Sem a menor chance de perspectivas.

Não existe uma saúde mental sadia,
Quando atacados por todos os lados –
Sobrevivendo neste inferno,
Em que se transformou a terra.

Por que tamanha destruição?
Dos que aqui convivem –
A alienação.
Criados a imagem e semelhança,
Ou seja, iguais.

Mas criamos desavenças –
Movimentos separatistas,
Promovendo o caos.
Caminhando ao contrário,
Daquilo que sempre imaginou.
No final das contas,
Transformando-nos –
Em um projeto que não deu certo.