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domingo, 17 de julho de 2022

Inconstante aventura


Em meio as tempestades,
Vão se abrandando as nuances.
Já passei por situações piores –
E as venci – Suportei!

Nada em ter que esperar –
A vontade alheia.
Os percalços,
São os propulsores –
Que nos levam mais além,
Do que a nossa capacidade –
De sobrevivência.

A metamorfose humana,
Como armadura -
Silenciando a grande tormenta,
Que se faz lá fora.
Toda dignidade travestida,
Não mais ultrajada.
Mesmo a passos lentos,
Ganham ritmo e destreza.
Às vezes, com naturalidade,
Outras tantas vêm a maldade.
Acomodando-nos pelos caminhos,
Fazendo-nos sangrar.

Não há atalhos,
Não existem os instantes de paz –
Na incapacidade de momentos,
Que nos afugentam os êxtases.
Nenhum instante de glória e poder,
As gentilezas deixadas ao leu –
Desfazendo-se como papéis à deriva,
Desmanchando-se feito poeira ao vento.
Entregues às traças em meio as injustiças –
Acirrados julgamentos,
Atrozes –
Rasgando na carne,
Cremando a alma.

Por que tudo tem que ser tão desigual?
Tão desumano quanto a nossa falta de perspicácia -
Em progredir!

Sobrevivemos em um plano,
Completa loucura –
Sem sabermos o dia de amanhã,
Nesta inconstante aventura.
Dilacerando os ossos –
Fomentando a perversidade.

De olhos fechados


Fecho os olhos –

Uma forte ventania em meus cabelos.
Será que ela me fará cair?

A sociedade –
As pessoas –
Ensinaram-me que devo suportar...
Sem uma lágrima sequer –
Ser forte!
Nada arranhará a pele.
Porém, na alma:
Deixam as suas cicatrizes.
Momentos velados –
Para quê alardear?

Os humanos não querem saber –
Aonde é que dói.
Só querem tirar proveito –
Daquilo que se tem a oferecer.
Talvez tenham,
As suas próprias tempestades.
O ter que lidar em fazer um papel,
Principalmente, ser aceito.
Contudo, é uma perca de tempo,
Pensamentos forjados na ilusão compartilhada -
Como presente a solidão.

Pelo contrário,
Nunca se está sozinho –
Quando se aceita a própria companhia.
O interior é o universo vasto de certezas,
Quando possui uma perfeita imaginação.

Em traços particulares,
Iluminada inspiração.
No profundo do nosso ser,
Nunca estamos sozinhos.

A realidade é limitada,
Não condiz com os sentimentos –
Aprisionados na terceira dimensão.
Fora daqui,
Bilhões de possibilidades.
Entretanto, a grande maioria se prende:
Ao pessimismo,
Sem a menor inviabilidade do sobrenatural.

Rendo-me –
Entrego-me –
De corpo e alma.
Volitando por um imenso céu,
Repleto de estrelas.

sábado, 16 de julho de 2022

Novo ciclo


A resistência para sobreviver,
Devemos tirar do fundo – Do âmago –
Na desconcertante linha da vida.

Os problemas – As lutas –
São os testes para verificar,
A capacidade de veemência.

A lucidez –
Também a tenacidade,
Em meio a realidade –
Vibrante.

Tanto na forma positiva,
Quanto negativa –
Vem alimentar a ressonância.
Por isso, devemos equalizar os poros,
Para permanecermos em perfeita harmonia.

A transcendência milenar,
Refazendo a cada novo ciclo –
Que se inicia,
No metaverso da consciência.
Há um espaço ascendente,
A ser conquistado.
E não será com a força,
Porém, com a inteligência –
No lugar linear da expansão.

Na perspectiva psicodélica,
A explosão do bem estar –
Da humanidade.
No entanto, há um espaço,
Muito longo a ser percorrido.

Na vastidão proporcionada –
Pelo Universo.
Há todo um vislumbre,
Mas preferimos espalhar o caos.

Na devassidão –
Que se transformou –
Em sinônimo de purgatório.
Ao invés de emanar a luz,
Em sua essência de nossos dias.

Há todo um aprendizado por trás,
Mas preferimos o caminho inverso –
Da involução.

Vozes atrozes


Vozes atrozes –
Ecoando por nossas cabeças.
Eles têm o costume de ditar as regras,
Enquanto, seguimos ao reverso.
Sinais poluentes –
Na extravagância do desespero.

Os movimentos translúcidos,
Não mais circulares –
Aleatórios –
Expandindo os alertas sonoros.

A pressão na mente,
Em completa agonia –
Fomentando a adrenalina.
Por ora, a abstinência no descompasso,
Invalidador –
Mas na desarmonia,
Provoca a dor.

Quanta eloquência,
A medida frenética.
No psicodelismo –
De tentativas frustradas,
Por veemência -
No delírio com a fraqueza.

Emérita santidade,
Escorrendo por seus poros.
Mas que de nada coopera,
O falso moralismo –
Cristandade.

Os lobos em pele de cordeiro,
Favorecendo em maracutaias.
Auto se promovendo,
Às custas dos favelados –
Flagelados sem opção.
Com total abnegação,
Na falta de sorte.
Órfão de oportunidades,
Acinzentado o céu da aquarela.
Menosprezados os talentos,
Dando vazão às futilidades.

Total exclusão


Cegos –
Caminhando sem direção.
Ouvindo vozes sem sentido,
Perversa contramão.

O menosprezo pela vida,
O corpo por alimento ávido.
Uma população encarcerada,
Pela falta de oportunidade.

Total exclusão –
Décadas marcadas pela gentrificação.
Movimentos vorazes,
Aleatórios e atrozes –
Não há ressignificação.

A realidade –
Triste dualidade.
Percalços pelos caminhos,
A ferida aberta –
Em desalinho.
Cadê a lucidez?

Um governo pacato e omisso,
Os gritos uníssonos.
Desvairada a felicidade,
Contentando-se com o pouco.
Restando os farelos –
Desfazendo os elos.
A míngua recebendo migalhas,
De pés descalços pelas trilhas.

De peito nu –
Um sentimento cru.
De alma aflita –
Na imensidão,
Sem guarita.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Polarização desumana


Será que alguém sabe ou percebe o quanto estou me esforçando?

A cada dia é uma luta para o levantar,
Embora rápido,
Há um extremo enorme –
Um abismo entre o ser e o acontecer,
Numa ansiedade desmedida.

A lucidez se transforma em uma quimera,
O que desejamos a realização –
Das promessas de dias melhores,
Tão contundentes –
Quanto  a claridade que nos rege.

Por que o ser humano tem que ser tão contraditório?
A vida inerte –
Às vezes, por um triz,
Sem alguma diretriz.

Os sonhos amontoados em papéis,
Trancafiados em fichários.
Não dando a dimensão da intensidade,
Tão maiores quanto a realidade.
Deparando-nos com as adversidades,
Cada vez mais se fazendo notórias.
Arrefecendo as expectativas –
Desnorteando as perspectivas.
Deixando-nos menos ativos,
Em completa letargia.

Nada mais faz sentido,
Mergulhando de cabeça nessa polarização.
A transformação –
Em completa involução.
Perdendo a serenidade –
Os movimentos mecanizados,
As falas robotizadas –
Propagando-se –
Promovendo o caos.
Não existem mais os sentimentos,
Esfriaram-se na triste rotina –
Menos quentes –
Mais desumanizados.

Em algum lugar

 


Em algum lugar deve haver vida!

Em algum lugar deve haver felicidade!

Com a atmosfera mais leve,
E não condensada –
Com a qual lidamos.

Pois vivemos numa louca ânsia,
Por alcançarmos os sonhos inatingíveis.
A vida em plena insanidade do cotidiano,
Muitos se desfazendo em seus planos –
Tão surreais quanto a realidade.

Bem lá no fundo,
Sei que por mais difícil –
Ainda resta a esperança,
Por dias melhores,
Por momentos amenos.

Qual é a dificuldade para a transformação?
Se batemos na mesma tecla –
Vil constatação.

Enquanto isso,
As horas vão se passando –
Diluindo-se em nossas mãos,
Feito areia no deserto.
Ao amanhecer –
Novos passos –
Rumo à qualquer direção,
Evoluindo ou não.
Na contramão do desespero,
Afugentando o esmero.
Na inconstância dos compassos,
Mesmo que falte a harmonia.

Indigestos –
Famintos –
Pura hipocrisia.
Ilusão de ótica –
Completa heresia.

A resiliência,
Nadando contra a correnteza.
Ou chegamos –
Ou morremos –
Entregues ao caos.
A perspicácia –
Desfazendo-se de forma desleal.

Sobrecarga desumana

 

Olho para frente –
Cadê a luz no fim do túnel?

A humanidade –
Em atos inconsequentes.

Quem diria –
Que chegaríamos ao fundo do poço?
E continuamos caindo...
Cada vez mais neste abismo –
Que se transformou o século XXI.

As inconsistências de pensamentos,
O distanciamento sem proporção.
Alguns pautando as lutas no diálogo,
Enquanto, outros à ferro e à fogo.
Na contramão do destino,
O caminho contrário da evolução.

Não que desejamos a perfeição,
Mas que algo seja saudável.
Ao ponto de conduzir –
Com discernimento as nossas vidas.
É sabido as condições maiores,
Para os acontecimentos.
Porém, as dores por momentos,
Chegam a ser insuportáveis.

Confesso:
Estou cansada de bater na mesma tecla.
Farta – De que tudo tenha que ser –
Do mesmo jeito.

Não há o empoderamento das ações,
Apenas críticas –
Por sermos da maneira diferente moldados.
As circunstâncias se fazem presentes,
Será que realmente exercemos o livre arbítrio?
Ou estamos condenados –
A não ter vontade própria?
Sobrevivendo apenas na função do outro,
Nesta sobrecarga desumana.

sábado, 9 de julho de 2022

Luta desleal

 


Estes últimos dias –
Têm sido muito difíceis.
Travando uma luta desleal:
Entre a realidade e a mente.
Tenho pânico –
Sinto pavor!
Como nos acostumarmos...
Com algo tão ruim?

As adversidades –
Que encontramos,
São apenas falhas de caráter.

É enorme a pressão,
Por parecer ser normal.
Natural não é!

O que reconheço como tal,
É totalmente visceral –
Fora desse contexto.

Só precisava de um pouco,
De discernimento.
Para compreender,
O que de fato acontece.

A humanidade –
É tão extrema em suas atitudes.
Desde sempre levando as questões,
Às últimas consequências.

Na verdade,
Acredito que não vivemos.
E sim, sobrevivemos –
Em uma grande ilusão.

O outro deseja,
Que sejamos um formato servil.
Abaixando a cabeça,
Para todas as mazelas.

A distopia dissonante,
O geral e o agravante.
Aqueles que não aceitam,
O que lhe provém.
De um modo ou de outro,
É descartado.
Denominado:
Como louco, doido ou desmantelado.

Esta é a cultura da humanidade:
Ou vai ou racha.
Na criminalização do povo favelado,
Sofrendo a gentrificação –
De um governo em omissão.

A cada amanhecer –
Uma luta é travada.
Em momentos felizes -
Horas descontentes.
A dualidade iminente –
Na contramão dos sentidos.
As datas somando –
Os dias subtraindo.
Observando a resiliência,
Perecer pouco a pouco.

Nada mais vibra

 


Veremos o que daqui sai,
Desse oco que se transformou a mente –
Com o corpo em completa exaustão.

O tom cinzento ecoando,
Sobrevoando no espaço condensado.
Nenhuma luz limita a sombra,
A gentileza perdida no local.
Equalização infinita do estardalhaço,
Fulminando em meu ser.

A divindade translúcida,
O emaranhado de sensações.
As virtudes sobrenaturais,
Do que falava antes?

Quem é que presta a atenção?
Quem é que deseja saber?
Para falar a verdade:
Ninguém!

É tudo  um desmantelo,
O paralelo em construção –
Convergindo-se não sei para onde.

A humanidade limitada,
Por esta realidade tenebrosa –
Não condiz com a felicidade.

Infinita quimera –
A pequena lucidez,
Em meio à insensatez.

Nada mais vibra,
E sim, perde-se em meio ao caos.
Na falta de virtude,
Com tudo se acabando.
Principalmente, a humanidade:
Extinguindo-se.
No futuro próximo,
Não existirá mais nenhum vestígio –
De nossa passagem na Terra,
Viraremos pó.