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quarta-feira, 22 de junho de 2022

Liberdade efêmera

 

 

Não queira me compreender –

Liberdade.

Palavra efêmera –

De tantos e múltiplos significados!

 

Que atrofiam os desejos...

Que perpetua os  sonhos...

E aprisiona a alma.


Um refúgio na catástrofe –

Na palidez da vida!

 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Ao sol


Em pleno século XXI,
É um absurdo o que vivemos.
O surreal atinge em cheio –
As nossas vidas,
Adversidades antigas.

No vislumbre do novo amanhecer,
Vítimas dizimadas à esmo.
Contudo, nunca aprendemos a lição,
Jogamos no colo da normalização.
A incerteza futura toma-nos em cheio,
Como uma bala atinge o peito –
Desfazendo qualquer perspectiva,
Anulando as expectativas.

No prato vazio,
Altíssima inflamação.
E nos deparamos desolados,
Na ilusão.
A alucinação caótica –
Reverberando na alma,
Dilacerando a carne -
Vicissitudes desconhecidas.

O auto flagelo pelo esperança,
Que talvez não exista.
Arriscando a própria vida,
Para ter o que comer.
Riscos que deixam a carne marcada,
Isso é quando tudo não se acaba.

Tudo se resume ao caos –
Toda angústia por menor que seja,
Leva ao desespero.
Consequentemente:
Gera o desequilíbrio da cerne,
Não que sejamos superiores a alguém.

O que mais desejamos,
É possuir um espaço –
Um lugar ao sol,
Mesmo que seja pequeno –
Para sobreviver a tormenta do mal.

Quem sabe?
Se algum dia possamos aprender,
A compartilhar o que possuímos.
Visando o bem estar,
E o uso sadio dos recursos naturais.
Tudo o que é demais,
Um dia descamba para o desperdício –
Ou para a nossa própria destruição.

Antes de tudo

 

Fico aqui maquinando em meu imaginário,
Observando o mundo através dos andares –
De uma construção.
Como foi este lugar antes de tudo –
Com a sua exuberância:
Em completo verde?

Os meus olhos pregam uma peça,
Desfazendo a intervenção humana –
De tijolos, cimento e asfalto,
Também a torre de fumaça –
Que encobre quase tudo.
São árvores e flores,
Ornamentando para todos os lados.
A natureza não poderia senão,
Ser a mais perfeita.

Porém, de volta a realidade,
Refazendo o foco –
Vejo apenas um amontoado de poluição.
Percebo como poderia ser diferente,
Se não fosse a ocupação e destruição humana.

Somos seres tão insignificantes,
Incapazes de um olhar –
Com mais sensibilidade.
Em nossa perspicácia,
Há somente a fome por devastação –
À procura de recursos,
Fomentando os bens e acúmulos de riquezas.

A natureza empenhada a nós favorecer,
Com o que é necessário –
Para a nossa sobrevivência,
Não visando na escassez de recursos.
Com o andar da carruagem,
Tudo acabará.

Lugar sem direção

 


A natureza humana,
Surpreende-me –
Pelo fato do egoísmo.
Como podemos nos tratar,
A duro modo?
Principalmente,
Aqueles que julgamos –
Serem nossos irmãos.

Não é porque temos uma etnia diferente,
Que obrigatoriamente, precisamos ser inimigos.
Isso é uma vertente totalmente desleal,
Pois a nossa criação foi moldada à mesma maneira.
Nenhum de nós,
É preferencialmente igual ao outro –
Cada um possui a sua particularidade.

Em uma vida terrena,
Marcada pelo ódio –
Onde a predominância é do caos.
Porém, o ser humano,
Possui uma qualidade indescritível:
Por semear o mal,
Por onde quer que passa.
Age tão dissimulado,
Que é capaz de cometer os piores atos.
Em nome da ganância,
E do poder pela ostentação.
Não sendo capaz de analisar –
A própria consciência,
E nem ao menos,
Medindo as consequências.

Diz o ditado:
“Errar é humano,
Mas permanecer no erro é burrice.”

O erro que somos,
Um amontoado de tolos –
Batendo na mesma tecla,
Que não levará a lugar algum.
Mas de um tenho a total certeza:
Ao retrocesso.
Porque o progresso está logo ali,
Entretanto, embasamos –
As atitudes em pequenas frequências,
Que nos mantém presos,
A um lugar sem direção.

sábado, 18 de junho de 2022

Inquietante expectativa


A inquietude da alma sangra –
Feito vertente de um rio,
Na plenitude sonora do ser.
Ecoando no interior –
Tão reconfortante,
Quanto ao ronronar de um dócil felino.

A transmutação da essência –
É uma constante.
No regozijo do entrelaçar das letras,
Que vai tecendo –
Desfazendo o grande novelo,
Nos pontos exatos do crochê.
É tão suave os pensamentos,
Encaixando-se perfeitamente.

Quem me dera –
Se tudo fosse assim.
Mas nos vemos obrigados,
A lidar com as intempéries cotidianas.

O âmago sempre apto,
Para ouvir o ecoar de suas canções.
Em meu mundo lúdico imaginário,
A espera de alguma novidade –
Que me faça vibrar.

Às vezes, a paciência falta,
No entanto, não tenho pressa.
Cada coisa ao seu tempo,
Com as elucidações de um texto.
Não sabemos quais serão os acontecimentos,
Durante os próximos capítulos –
Permanecendo na expectativa.

Pequena centelha

 


Do que  posso falar?
À não ser da verdade que há em mim.

Algumas pessoas –
Podem achar mera tolice.
Mas acredito em uma inteligência superior,
Que me acolhe e me abriga –
Desprezando a futilidade de muitos.

Quase sempre não me compreendo,
Outras vezes, perco-me,
Em pleno raciocínio.
Tudo condiz com a proximidade,
A ressonância da luz -
O que nunca me deixa sentir sozinha.
Posso parecer,
Mas nunca estou.

Não sou ninguém,
Apenas uma pequena centelha –
Como tantas outras,
Desejando o lugar ao sol para brilhar.
Compartilhando os ensinamentos,
Ao menos o pouco que sei –
Para irradiar a vida de alguém.

Por isso, sou grata,
Principalmente, a este momento.
Por está escrevendo,
Imprimindo as impressões de um mundo –
Que poderia ser prazeroso ao extremo.
Porém, os seres humanos,
Cismam em estraga-lo.

Mas a vida é isso:
Vivendo e aprendendo,
Em algum momento ou não.
Pois somos errôneos,
Desde o instante da concepção.
É tropeçando e caindo,
Que podemos adquirir experiências –
E mudar a nossa realidade,
Nem sempre ao nosso modo.

Ostentação alucinógena


O vento ressoando como uma tormenta...
Qual era do absurdo que vai nos entorpecendo?

Jogos de discórdia,
Pouco a pouco minando as ações,
Desbravando um mundo –
Totalmente desconhecido.
Falsas notícias pela mídia,
A adaga à centímetro do peito -
Dilacerando a alma.

Conquistas do lugar imaginário,
Tão torpe quanto as consequências.
Ostentação alucinógena –
Veias entupidas pelo mal.
Ganha quem tem mais poder,
De espalhar o caos.

Vítimas inocentes,
Crueldade à torto e a direita –
Descambando para o terror.
Um círculo que não se abre,
Fechado com o mal.
Vicissitudes dilaceradas,
O egoísmo propagado,
Aos quatro ventos.

Alucinados –
Vamos feito zumbis,
Através de uma resiliência –
Que não existe.
Meros coadjuvantes,
Em meio ao circo de horror.
Espelhados nos olhares,
Autoflagelando-nos –
Sem ao menos sentir.
A falta da graça,
De uma vida surreal.
Onde os eleitos,
São aqueles que acumulam riquezas.
E as esbanjam sem pensar no próximo.

Qual será o destino –
Diante de tal ameaça?

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Transitoriedade do espírito


Amanheceu –
Mais um dia.

A névoa densa ao lado de fora,
Abrindo a janela –
É capaz de invadir a casa.
Mal podemos enxergar,
Assim, é o coração.
Às vezes, amarrotado –
Fica cego sem razão.

No momento,
Estou em paz.
Da mesma forma,
Que o nevoeiro se dissipara –
Desvaneceu o cansaço.
O reparador sono,
Feito o sonho –
Reacendeu o desejo por escrever,
A motivação de uma vida inteira.

Aprendi com o tempo,
A não culpar ninguém.
As circunstâncias provém das ações,
Do magnetismo do livre arbítrio –
Acreditando nele ou não.

A transmutação do momento,
O total desprendimento –
Condiz com o discernimento.
Ao sentir o reverberar em nosso cerne,
Vamos seguindo – As surpresas diárias.
Com sobressaltos,
Ultrapassando os obstáculos.
Por ora, errando o cálculo,
Sobrevivendo com algumas escoriações –
E também cicatrizes.

Episódios a este modo,
Fazem parte do repertório.
Por mais que desejamos o contrário,
As nossas vontades –
Nem sempre são atendidas.

A vida aqui na Terra é uma passagem,
Composta de ciclos.
E, na data, em que somos chamados,
Uma nova jornada se reinicia –
Em outra dimensão.
O ritmo depende do compasso,
A qual experenciamos por aqui –
Na transitoriedade do espírito.

Terapia


A escrita –
Salva-me dos empecilhos.
Das angústias,
Que reverberam na alma.

Tenho cicatrizes,
Algumas saradas –
Outras não.

É uma tortura,
O flagelo no desespero.
Desenhar cada letra,
É uma terapia.
O que me faz deixar o caos,
Ao lado de fora.

Não cem por cento falando,
Mas ameniza o fardo.
Que tanto o ser humano –
Carrega dentro de si.

Cada um:
Deve ter o escape,
A válvula –
Para trazer o alívio,
Tão pertinente.

As palavras,
Formando versos –
Frases –
Incentivando a reflexão.

Estamos aqui de passagem,
Em algum momento –
Haverá a transmutação.
O ser revelado na essência,
Que transcende a resistência.


Amplitude da expansão


Tenho o costume de perguntar:
- Quem eu sou?
Neste mero devaneio incongruente,
Fechando-me para todos –
Com medo de sofrer.

Mas as pessoas –
Têm uma triste mania.
De querer se prevalecer,
Diante da fraqueza alheia.
Só consigo enxergar,
A ingratidão em seus olhares.
A vida que desejei,
Foi totalmente diferente –
Da planejada.
(Isso é, se houve o planejamento.)

Talvez tivesse uma visão equivocada,
Do que seria o paraíso.
A dimensão é aleatória e abstrata,
Ao contrário do que poderia imaginar.

O que desejo,
É apenas a amplitude –
Da expansão.
Para que tudo seja notório e perspicaz,
Diferente de tudo o que presenciamos.

Diante de fatos distorcidos,
Sinto-me presa como antes –
Como havia me sentido.

O meu corpo físico cansado,
Diante de uma mente –
Inquieta e febril,
Ávida por novidades –

Por viver o que nunca antes presenciado.