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domingo, 5 de junho de 2022

Transe coletivo


Idolatramos os falsos deuses,
Em busca da purificação.
Basta vir com uma proposta de redenção,
Promessas vazias –
A abundância –
A vida abastada –
Eterna mortificação -
Figuras distorcidas.

No auge do transe coletivo,
Cadê o nosso livre arbítrio?
Caiu em fora de contexto,
Tamanho desespero.

Seres vazios,
Repletos de autossuficiência.
Lavagem cerebral,
Haja paciência.
Aos pobres oferecendo as migalhas,
Faltam-lhes os uniformes,
Para contextualizar –
Os irmãos metralhas.

Discrepância da polarização,
De que lado você está?
Pessoas comuns –
Ultraje do cristianismo.
Colocando-se em um lugar,
Que não é seu, nem por direito.

Agindo em causa própria,
Abastecendo os cofres –
Favorecendo os parelhas.
Quem discorda,
Provoca a ira.

Injusta profanação,
Indivíduos regidos pela ganância.
O ódio em alta dose de ambição,
Julgados como poderosos –
Com seus defeitos asquerosos.
Sem um cargo de favorecimento,
Não passa mais como um indivíduo comum.
Usando de autarquia,
Altas patentes.

O favelado criminalizado,
A pobreza que aguente.
No corpo a frieza e a dureza,
Muito mal tendo o que comer.
Encurralados em um morro qualquer,
O efeito da gentrificação –
Movendo a chave da ignição,
Para a falta de solidariedade e compaixão.

Pessoas ignóbeis,
Que não passa de mais um.
Qual a sua credencial? Nenhuma!
No comprovante de residência,
Quando se tem, o motivo da intolerância.

Vivemos sob um céu,
Que tem tudo em abundância –
Para ser o primeiro mundo.
Desde sempre roubados,
Em nossa ínfima mentalidade.
Contentando-nos com o terceiro mundo,
De modo vigente –
Com ou sem resiliência.
Sobrevivemos ao caos,
Enquanto, sozinhos –
O barco navega a nau.

Ponta do iceberg


As pessoas estão cada vez mais sem noção,
Em suas falas ecoam o egoísmo –
De suas mentes o sangue,
A sede por injustiça.
As atitudes voltadas para o egocentrismo,
Não há mensura para o equilíbrio.
Arrotando –
Vomitando –
Palavras esdrúxulas.

Eu fico pensando...
Procurando o resultado para tudo isso.
E o que consigo enxergar,
É uma humanidade perdida –
Em seu próprio caos.

Os caminhos se convergem,
Em um grande emaranhado –
Feito um novelo embolado.
Ninguém mais se entende,
Nesta enorme polarização.

O grande enigma da vida,
Está desfeito.
A lei pela sobrevivência –
Grita mais alto:
Cada um por si!

Quantos mais sofrerão –
Nesta torre de Babel?
Onde ninguém mais se compreende,
Falando próprios dialetos –
Sem alguma menção de afeto.

A inconsistência –
Reina por toda a parte,
Gerando a violência.
Em armados esquemas sórdidos,
Desvio de dinheiro.
Este deveria ser empregado,
Em uma causa justa -
Mas alimenta os famigerados leões.

Há uma enorme máfia,
Por detrás dos macabros ajustes.
O que visualizamos –
É apenas uma ponta do iceberg.
O mal e sua fria reputação,
Dizimando tantas pessoas:
Direta ou indiretamente.
A sociedade hipócrita,
Em seu desvio de caráter,
Agindo em benefício próprio.

sábado, 4 de junho de 2022

Linha atemporal


Vasculhando por algo,
Nada me apraz.
Também não me distrai,
A não ser essa inquietude,
A alma feito tempestade –
Bagunçando o interior.
Sei que isso tem nome,
Ansiedade o sobrenome.

Uma angústia,
Vontade por escrever.
Mas o que sai?
São apenas as expectativas,
Sem alguma perspectiva.

A chuva cai lá fora,
Com ela o desejo do sol.
A esperança pelo arco-íris,
Quem sabe encontrar o pote de ouro,
E fazer brilhar a íris?

Por que tem que ser assim,
Tão desigual ao que sonhamos?
Uma tormenta –
Tomando proporções lineares.
Observando cada ponto do universo,
Na sublimação –
Entorpecendo os sentidos.
Em meio a dor,
Que não tem norte –
Nem direção.
Aqui em pleno estado de putrefação.
Sob o mofo da existência,
Sem causa e efeito.
Apenas pela incumbência,
De não sei quem.
Neste casulo quase inviolável,
Restando as sensações indesejáveis.

Quando aparecerá a chave de rotação?
Para dá uma guinada,
O delírio ingênuo do equilíbrio –
Fomentando o brio.
Estado sólido da gratidão,
Mas do que inquestionável –
A solidez do anseio possível.
Não que eu queira tudo,
Somente o essencial.
Para que o âmago possa coexistir,
Com o seu meio –
Resplandecente natureza,
Verdadeiro galanteio.

Aqui são apenas o resquício,
De uma memória –
Imaginação fértil.
Deixando-me febril,
Na iminência da realização.
No encaixe dos fatos,
Linha atemporal.
A vida tomando forma,
Na fermentação das ideias -
Miscelânea de sentimentos.

Não sou a prova de nada,
Apenas ser um ninguém.
Na insignificância por existir,
Até o momento da transmutação.
Onde tudo será apenas alquimia,
Restando apenas as palavras impressas,
Em meus velhos papéis.

Falsa percepção

Lastimável a falsa percepção que temos aqui na Terra,

Onde colocamos as mãos –
Somente a destruição,
Salvo algumas consciências.
O despertar da humanidade,
Na tentativa de nos resguardar do caos –
Uma ilusão,
Principalmente as próximas gerações.

Tornando-nos uma quimera distorcida,
Uma sombra.
Por maiores que sejam as intenções –
De progredir –
O mal vem à espreita,
Devastando o que vê pela frente.
Como um plano diabólico,
Entorpecendo o bem.

Se ao menos no futuro,
Mostrasse-nos alguma saída.
Mas nos vemos encurralados,
Terrível maldição.
Há todo um esplendor,
Porém, somos capazes de destruí-lo -
E é o que estamos a realizar,
Não havendo uma menção de constrangimento.

A Natureza luta bravamente com as suas armas,
E nos tornamos tão insignificantes –
Diante de sua força.
Nunca aprendemos a nossa forma de coesão,
Entre a humanidade e o meio ambiente.
O maior elo está no oxigênio,
Nem sempre límpido.

Somos seres cruéis –
Incapazes de admitir tal fraqueza.
Haverá um futuro,
Não muito distante –
Em que não estaremos mais por aqui.
E isso, dependerá de todos –
Cada um terá a sua parcela de culpa.
A Mãe Terra pede socorro –
Asfixiando-a pouco a pouco.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Desdenhados pelo sistema

 

De um jeito ou de outro,
Vivemos à mercê da raiva e da dor –
Impostas em nossas almas.
Em uma realidade,
Nada condiz com o que sonhamos.
Os sonhos –
São apenas desejos –
Que não se realizam.
Sobrevivemos com os restos,
Na busca inalcansável –
Por algo que nunca existirá.

As vontades descritas na mídia,
Como algo possível –
Fazem parte de um jogo sórdido.
Por que como os outros,
Não somos merecedores –
De receber tais graças?
E de uma maneira soberba,
Somos excluídos –
De uma sociedade:
Cruel e mesquinha,
Porque simplesmente,
Não nos moldamos de acordo –
Com certos trejeitos,
Também em conceitos.
A verdadeira face,
Pode ser tão desfavorável –
Quanto a de algum algoz.

Por isso,
Em pleno século XXI -
Moldados pelo falso moralismo,
Deturpado com o capitalismo –
Mergulhados no egocentrismo.
Seres marcados pela insignificância,
Expostos e ridicularizados,
Em rodas de panelinhas.
Fomentados pela ganância exacerbada,
Do poder monetário –
Onde não visam os reais valores.
Seres decrépitos,
Desdenhados pelo sistema.

Contraditório

Para quê este espaço?
Um oco por entre as lacunas –
Tomando conta,
Feito areia no deserto.

Estresse emocional,
Sem paciência –
Para realizar o que mais gostamos.

É irreal –
Surreal –
Total discordância dos fatos.

Nada se encaixa,
Muito menos combina,
Com as nuances da alma.
Não há a conexão necessária,
Apenas os estampidos –
Involuntários –
Deixando-nos fora do eixo,
Dissonante ansiedade.

Na respiração:
Longa e prolongada,
A tentativa de não enlouquecer –
Com a realidade que nos cerca,
Desbravando uma conexão interior –
Para o espaço além da existência.

É uma luta desleal,
Por algum motivo –
Impulsiona-nos para frente,
Mesmo no desejo de estagnar.

É tudo tão competitivo,
Onde a dor e a fraqueza –
Devem ser deixadas de lado.
Enquanto, isso beiramos à loucura,
Haverá outra maneira?

Asfixiados –
Procuramos progredir –
Ao menos lutarmos,
Para modificar esta dimensão.

Será o mundo –
Uma completa mentira?
No fundo, sempre nos enganaram,
Como seres inconsequentes?
No momento em que a coisa aperta,
Pensamos em nossa própria sobrevivência?

É tão completamente contraditório,
O que nos ensinaram –
Para nós manter como cães fiéis,
Em seus domínios.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Batalhas atemporais


Subterfúgios –
Artifícios –
Atravessando o caminho,
Gerando tsunami de sensações.

O desmantelo cabal –
A reação crucial.
Derrubando –
Acabando com tudo.

Sonhos destruídos -
Empecilhos geram a insegurança,
Arrefecendo a esperança.

Como nos mantermos fortes,
Diante de tais situações?

O desespero na alma,
Vertiginosa condição -
Há tanta coisa para modificar
Mesmo sabendo –
Não movemos um palmo,
Diante do nariz.
E continuamos a procrastinar,
Na igual condição.

Os desafetos tornam-se fortes,
Uma luta desleal –
Por aquilo que é certo.
Os ventos intensos,
Cada vez mais arrasadores –
Jogando-nos ao chão.

A derrota é algo –
Não existe.
Feito a Fênix,
Ressurgimos por entre as cinzas.
Através do fogo,
Imenso castelo de ações.

Não há futuro,
Sem travamos as batalhas –
Por mais íntimas que sejam.
O espelho rachado,
Deixado de lado – Jogado fora.
Não há anos de azar,
Fortalecidos na resiliência.
Recompondo-nos –
Quantas vezes forem necessárias.

Jogo fora as palavras –
Que me jogam para baixo,
Volitando em sabedoria interna.
Ainda há um misto de discernimento,
Um tanto quanto de atrevimento –
Precisamos prosseguir,
Em curso da evolução.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Velhos caminhos

 


A humanidade –
Perdeu-se tentando redesenhar um novo caminho.
De igual maneira agem –
Conchavos com os seus iguais,
Vinculando-se em panelinhas.
Quanto aos detratores,
Passam por cima –
Dizimando a qualquer custo:
Os opositores.

A resiliência –
Tinta invisível tatuada na alma.
Com pressa,
Sem a menor chance para dar errado -
Mas com todas para se embrenhar aos espinhos.

Quantos mais desentendimentos acontecerão?
Distúrbios civis –
Falhas de caráter –
Atropelando pessoas de bem,
Não há o menor escrúpulo.

Sobrevivendo a batalhas sem fim,
Uma guerra continua,
Onde não há ganhadores.
Somos peças marcadas,
Os perdedores.

Macabra realidade,
Na segregação social.
A cor da pele é apenas uma desculpa,
Para tal disputa –
Aguardando o momento crucial,
Para dar o bote.
Saber quem vai vencer:
A este cabo de guerra desleal.
Onde já se presenciou,
Tanta imparcialidade –
Neste jogo de crueldade.

Pessoas inocentes ou não,
Tanto faz,
Julgadas por suas condições.
Na hora errada?
No lugar errado?

Será que isso ainda existe?
Persiste numa ínfima adversidade,
Quando podemos exercer,
A mudança de chave –
Para a transformação.
Será que a hora já passou?
Ou dos nossos atos –
Não há a coesão?

Vozes cessadas


O horror na mente,
Não é simples alucinação.
Duros percalços,
Palavras de ordens –
No medido tom,
Ligando o dispositivo –
Da manipulação.
Entorpecendo corpos,
Esfriando os sentimentos.
Ações desumanas,
Com total desprendimento.

Tornando-nos vulneráveis,
Por dentro –
Morrendo pouco a pouco,
Sem ao menos sentir,
Deteriorando.
Aniquilando pensamentos,
Derrotando o raciocínio.
A lei pautada na involução,
Vil constatação.

De mãos e pés atados,
Testemunhamos –
O cessar dos direitos,
Em uma direita podre.
Atônitos –
Vozes cessadas –
Gás de pimenta,
Ou lacrimogêneo:
Sobre os rostos da oposição,
Mais uma vida interrompida.

O sistema capitalista,
No comando de tudo.
Mentes opressoras,
Na covardia –
Calando os cidadãos.

Abastado sistema monetário,
Compra-se à todos –
Ou quase tudo.
Não acaba com a fome de milhões,
Até quando suportaremos:
Cruéis situações?

Um governo recheado,
Com tristes desmandos.
O povo –
À míngua ou ao Deus dará,
Em desarmoniosa humilhação.
De um lado ou de outro –
Açoitados.
Políticos corruptos –
A corrupção –
Quem não compactua,
À sangue frio:
Demonstra o poder do algoz,
Dando um jeito para existir.

O dinheiro –
Corrompendo os bons,
Muitos absurdos –
Total divulgação.
Furtos e mais furtos,
Os produtos roubados,
Na maior cara de pau -
O principal, a paz.
Ao prêmio óleo de peroba,
Fica difícil,
Pela concorrência –
À mercê de crimes brutais.
Plena iminência do descaso,
Ultrapassando o absurdo.
Não levando apenas os pertences,
Mas a honra e a vida.

A ganância e o poder desnecessário,
Inocentes em riscos –
Um banho de sangue...
Mais outro.

Até quando suportaremos –
Tais desmantelos?
De uma sociedade,
Em meio a carnificina.
Jogo sujo –
Mar de lama –
Em plena mídia.
A lavação de roupa suja,
Sempre acaba do mesmo jeito:
Os cofres da grande minoria,
Repletos de grandes quantias.
Enquanto, morremos –
Sem direito a nada.
Muito menos –
À dignidade.
Tachados como bandidos –
O nome manchado.
O corpo – A carne marcada –
A memória destroçada.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Ilusório


Tudo gira em torno da incerteza,
Onde devo buscar a força que não tenho?
Por fora apenas uma casca,
Por dentro não há fingimento.

É tão simples –
Quando olhamos através do espelho,
A realidade cai com a sua máscara.
Não existe nenhuma rota de fuga,
O destino está traçado.
Os deuses escreveram nas tabuletas,
Os humanos as reescreveram –
Impondo-nos as suas frágeis leis:
“Façam o que eu digo,
Mas não façam o que eu faço.”

É tão fácil nos enganar,
Com fios iguais à marionetes –
Tratando-nos como ventrículos,
Entrando em nossa mente.
A consciência tornando menor –
Do que um grão de mostarda.

Se tivermos uma redenção ou não,
É tão difícil prever.
Seres corruptos,
Voltados para o egoísmo.
Qual providência –
Tomaremos ao ver o leite derramado?
É imprevisível e inconsequente –
Os nossos atos.

A dor alheia,
Comovendo-nos por um milésimo de segundo.
Após a mesma sensação vira pó,
Dissipando-se na atmosfera.

Quanto tempo mais –
Teremos para a realização?
Indivíduos moldados –
Para a exclusão.

Interesses fúteis,
Volúveis –
De acordo com a realidade.
Empregando o ódio e o rancor,
Espalhando a sede de vingança –
Também o desamor,
Munidos de um grau exorbitante:
De psicopatia.
Não lembram que amanhã,
Será outro dia.
Visando o lucro –
Do capitalismo a discrepância.