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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Alguém


Sou uma energia cósmica –

Os meus átomos viajam à anos luz.

Que se apoderam de forma contagiante...

No poder das palavras impressas.

Não tenho pressa –

O importante é escrever...

Então para assim: Ser!


Quem sou eu?

Qual é o meu nome?

Será que isso tem importância?


Vivo como uma ninguém –

Ofuscada pela triste realidade.

Escondida –

Atrás do muro –

Desejando buscar a verdade.

Porém, cadê o interesse?

O povo rodeado por suas mazelas.


Sou apenas um alguém –

Desejando sobreviver a este mundo cinzento...

Repleto de asfalto e poluição.

Onde a pobreza é menor do que a corrupção.

Os ricos desalmados e sem compaixão,

Com o propósito único em sempre querer mais.


Ninguém se importa –

Pensam no seu próprio bem estar.

Enquanto, muitos morrem à míngua –

Asfixiado –

Sem nenhuma trégua –

Desviando da fome.

Driblando a falta de assistência –

A morte –

A remediar.


Amizade fraterna


Ninguém vive sozinho,

Na vida sem um ninho.

Momentos felizes,

Estes são primordiais.

Guiando diretrizes,

No amor fraterno, cordiais.


Amizade de infância,

Criam-se os elos.

Amadurecendo os sonhos,

A base dos castelos.

Riqueza em abundância,

Os ventos do cotidiano.

Insuflando os planos,

Movendo moinhos.


Refrão:

Sei que posso contar contigo,

Assim havendo reciprocidade.

Contagiando os dias, felicidade,

No sorriso sendo o abrigo.


Às vezes, mais próximo,

Do que o próprio irmão.

Contando na tristeza,

Dando-nos a mão,

O seu máximo.

Por ora, recebemos o sermão,

Sabe o instante do sim,

E também o do não.

Devolve a beleza,

Verdadeiro até o fim.


Nem sempre tão presente,

Mas ao longe conectado.

Uma mensagem,

Desfaz a ausência,

Que não se sente.

Pela fraternidade agraciado,

Desfazendo a turbulência,

Em meia a miragem.


Refrão:

Sei que posso contar contigo,

Assim havendo reciprocidade.

Contagiando os dias, felicidade,

No sorriso sendo o abrigo.


Mulher


Estrela de primeira grandeza,

Uma flor que exala beleza.

De infinita ternura,

Filha, mãe e avó,

Com muito louvor.

Mulher guerreira –

Às vezes, mal amanhece,

O dia na labuta.

Mesmo com lágrimas nos olhos –

Vermelhos –

Nunca perece,

Em mais uma luta.

O cansaço não transparece,

Transborda bravura.

A força sempre verdadeira,

Nos sobressaltos de todas as horas,

Expande-se em gratidão.

Movida pela engrenagem, combustão,

Por cada uma de suas conquistas,

Relembrando cada aventura.

Nem sempre vistas,

Desafiando os preconceitos,

Engolindo a seco.

Mas não importa –

Quando os seus estão por perto.

Abrindo a porta,

O coração aporta –

Visualizando tão intrínseco.

Tão sobre-humana,

De contra partida.

Capaz de dar a vida –

Por quem se ama.

Nem sempre é uma troca justa,

Não há permuta.

Doando-se...

Entregando-se...

No final,

Só deseja que tudo fique bem,

Longe de qualquer mal.

Amém.


Racionalidade


Numa luta por igualdade,

O que vale é a racionalidade –

Em busca da liberdade!


Quinhão


Imensidão –

Tormenta –

Dimensão –

Tsunami –

Ecoa lancinante,

À todo instante.

Mar adentro,

Tempestade.

Inquietude aqui dentro,

Infelicidade.

Quanto custa para ser feliz?

Tudo se deve ao valor monetário,

E eu aqui feito um otário.

No bolso nenhum tostão,

Quanto vale o seu quinhão?


Salve-se quem puder


O meu espírito inquieto –

Busca um acalento.

Na vicissitude –

Propagar aos quatro ventos –

Atrás da felicidade.

 

O meu corpo gira –

A mente enlouquecida pira.

Sufocada pela realidade –

Diga-me: Qual é a tua capacidade?

 

Muitos com nada –

Julgam-se superiores.

Outros com a inteligência armada –

Ocultando-se de seus detratores.

 

A cor da pele –

Não demonstra o caráter.

Muitos clamam a glória de Deus,

Não passam de crentes de araque,

Religiões afro-brasileira, ataques.

Na ganância de poder,

Aí esconde o seu prazer –

O lado sombrio se revele.

Negligenciando o que prometeu,

É um salve-se quem puder.

 

Sentença

 


Face oculta –

Objeção.

Mundos opostos –

Abnegação.

Completa exaustão –

Desilusão.

 

Cansada de dar murros –

Em pontas de faça.

Atrasada –

Sinto-me louca.

Arrasada –

Uníssonos sussurros.

 

Nada de compreensão,

Não há a mensuração.

O bizarro se torna claro,

Permaneço no escuro.

 

Para quê a genialidade,

Ou talvez a inteligência?

O que impera –

É a ignorância sem clemência,

Em sua total imparcialidade –

A vida emperra.

 

Ao nascer fui condenada,

O que fiz para receber tal sentença?

Impossível não haver tal crença,

Três pessoas deram o veredicto.

Aí meu Deus! Por que acredito?

Pelos dias vagueio feito alma penada.

 

Os dias seguem lentos –

Sem resolução.

Em sonhos dissolvidos –

Feito espuma no chão.

Ficarei sozinha –

Sem solução,

Renegando os lamentos.


Ano novo 2.021

 


Mais um ano se reinicia –

Em meio a uma pandemia.

Entre pessoas felizes –

E infelizes –

Outras sofrendo,

Em seus adendos.

A violência mostrando a sua cara,

Em plena loucura –

Arrancando vidas...

Dilacerando outras.

 

Estamos entregue aos caos,

Seguimos solenes a naos.

Não se entendem os governantes –

Já vimos isso antes.

Enquanto o povo é dizimado,

O que cometemos, qual o crime?

Será que somos os desalmados?

O que é que nos redime?

 

A corrupção à galope,

Lentos são os nossos trotes.

Da visão embaçada e míope,

Supremacia de desigualdade –

Sem a tal da felicidade.

Fazendo-se presente a injustiça,

Velando o sono da criança –

Por infortúnio, total desesperança.

O barco seguindo a nau deriva,

Estaremos na mesma leva.

 

Na conjectura do abismo,

Trilhamos o mesmo lirismo,

De anos atrás –

O tempo que nos apraz.

De dias melhores,

Por trás do espetáculo –

Nós bastidores.

Com os iguais, criando o elo,

Se é que sobreviveremos.

A passos largos,

Fugindo do perigo.

Caminhando –

Metamorfoseando –

Mais uma vez,

No revés,

Com o burro nas águas daremos.

 

Expansão interior

 


Uma ansiedade...

Uma ânsia –

O desejo por mais.

Aquela sensação de querer,

E não poder.

O limite previsível –

Estampado bem na cara.

A constatação –

De que pode alcançar o sempre mais. 

Mas a realidade –

Aprisiona –

Encarcera –

Amordaça.

Somos imperfeitos –

Em nossa perfeição. 

Meros coadjuvantes –

De uma força motriz.

Quem é de fato:

O bem e o mal?

A perspectiva –

Aprisionando.

A expectativa –

Decepcionando. 

E nada mais além acontece...

Enquanto o mundo lá perece –

O interior se expande.


Imperfeição


Tento não deixar me afligir pelos últimos acontecimentos...

Mas é inevitável não me entristecer.

Por que as coisas têm que ser assim?

O mal abalando as nossas estruturas.

No reflexo de cada um percebo e vejo a dor fazendo morada.

Por mais que me esforce, ao menos tento manter o foco naquilo que é simples, no que de fato acredito ao menos tentar amenizar...

Confesso que, às vezes, balanço e estremeço.

Indo em busca de um novo ar para respirar, mergulhando no que há aqui dentro, para manter a essência da criança que já fui um dia e voar para bem longe, onde apenas sinta o orvalho se misturando ao perfume das flores, e desvanecer essa escuridão que teima em me rodear.

Então, abro as minhas asas.

E voo em um rasante profundo para longe de toda essa atmosfera cinzenta e asfixiante.

O vento batendo em meus cabelos...

A brisa leve e refrescante tocando em meu rosto.

Este mundo é só meu!


Algo me diz que preciso continuar aqui,

Mesmo com alguém me chamando ao seu encontro.

Luto para sobreviver a minha maneira, permitindo-me até a exaustão.

Então, abro as minhas asas e voo...

Deixando para trás o sofrimento, ou até mesmo fingindo que ele não está presente.

Esse foi o modo que eu encontrei para sobreviver.


Só queria compreender, por que o ser humano, às vezes, ou quase sempre, é tão frio e calculista, ao ponto de magoar, machucar e matar?

Eu sinto muito...

Eu sinto tanto em que tenhamos que passar por tudo isso.

Nos sonhos que construí, a realidade era bem diferente...

Onde tudo mais era realizado e havia mais luminosidade.

O que ficou são apenas lembranças, de que nada mais será como antes...

O que há são apenas cicatrizes...

E fotos que vão se amarelando com o tempo.

Ficaram para trás todas as alegrias perdidas...

Os desejos deixados em um canto empoeirado da sala e uma vida pela frente pereceu em um sopro pela névoa enegrecida que teima em cair.

Eu só queria dormir...

Para que quando acordasse, sentisse aquela sensação de um pesadelo ruim.

Os meus voos são sempre solitários...

Almejando encontrar alguém para tocar a minha mão...


Algo me diz que preciso continuar aqui,

Mesmo com alguém me chamando ao seu encontro.

Luto para sobreviver a minha maneira, permitindo-me até a exaustão.

Então, abro as minhas asas e voo...

Deixando para trás o sofrimento, ou até mesmo fingindo que ele não está presente.

Esse foi o modo que eu encontrei para sobreviver.


Constantemente...

O desespero me atormenta...

Na escuridão de meus dias.

O que há de errado?

Que pecado cometi?

Só queria te encontrar...


Olhe profundamente em meus olhos e me responda:

O que será mesmo a solidão de quem anda perdido pela imensidão do universo e não sabe como se encontrar?

Não se engane com o brilho em meu olhar...


***


Florescem os dias,

Em meio a escuridão.

No tempo – 

A exatidão.

No contratempo –

Da imperfeição.

Invisível...

No indivisível –

Da solidão.

Envolto nas primícias!