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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

À procura de dignidade


Quanto vale uma vida?

Como se avalia o valor de uma pele com a presença ou não de melanina?

Somos fomentados com a mesma base, porém, com personalidades diferentes, cada qual com a sua particularidade.

A essência é a mesma, exceto pela falha de caráter.

Quanto mede o nosso grau de empatia?

O nosso interesse?

A bajulação para se obter algo?

A vida é feita de prós e contras...

É normal ajudar aqueles que possamos obter favores -

Mas ainda bem que existem aqueles que são movidos pelo desinteresse.

Os ricos sempre se favorecendo, desejando deixar os pobres à espreita.

Armam –

Manipulam –

Agindo na covardia –

Mexendo os seus pauzinhos!

O que nos difere dos demais?

A falta de oportunidades?

Ou será o nosso cep?

O Estado não chega aonde deveria chegar...

E quando chega é na base da truculência!

Somos lembrados apenas em ano eleitoral, quando há uma trégua.

Mas nem sempre isso é fato –

Sobrevivendo com medo.

Perguntando-se:

- Como será o dia seguinte?

- Ou se estaremos vivos no próximo segundo?

A amada mãe gentil nos põe para o escanteio.

Eu sou branca...

Você é negro...

Somos capacitados como seres humanos.

Cores que se misturam na miscelânea de DNAs,

Mas há ainda quem prega a raça pura –

Ledo engano de uma mente tão pequena e vazia.

É isso o que faz a magia acontecer:

A diversidades de tons e nacionalidades!

Um povo cordial é esse o povo brasileiro.

No entanto, querem que sejamos iguais a outras culturas que pregam o preconceito e o racismo!

No que diz a democracia:

Sejamos livres!

Na realidade é outro regime, embora velado, é o que impera.

Façamos com que exista a diferença –

Mas que esta mesma diferença prevaleça e que não seja a indiferença para o bem do coletivo, e não apenas para um grupo de privilegiados.

O tom da derme –

O sangue que corre nas veias –

O líquido vermelho escoando no veio da favela –

Entrelaçados entre ruas e vielas.

Uma realidade triste e sombria manchando de cinza os dias sem aquarelas.

Toda vida perdida morre um pouco a esperança de um mundo não perfeito, embora menos pesado.

Quanto vale uma vida?

Como se avalia o valor de uma pele com a presença ou não de melanina?

A procura da dignidade de ser tratado como iguais!

 

Ínfimas escolhas

 


A luz intensa –

Densa,

Ecoa em meio à escuridão.

Aqui dentro o silêncio –

Ensurdecedor se faz presente.

No momento –

Um arrepio,

Numa saída que se apresente,

Como pode ser tão frio,

Um ser e o seu coração?

Não há endereço certo –

Nem o ponto de partida.

Em cada esquina – A despedida –

Nenhum encontro ou acerto.

Conta-me sobre as suas escolhas,

Descubra onde se deu o erro.

Pelo caminho pisando as folhas,

Na garganta preso o berro.

Na inconstância o desespero,

Não encontro, a esperança venero.

A cada dia

 


Uma cidade cinza -

Pessoas tristes e ranzinzas.

Desmoronando seus palácios,

Rios e asfalto em junção.

Quantos desmantelos –

Repletos de indícios -

De governos omissos,

Enterrando compromissos.

Insegurança sem noção -

Morremos a cada dia,

Nas mãos dos iguais.

Realidade fria –

Desencarnes fatais –

Desfazendo-se os elos!

Labirintos

 


Longe de minha essência...

Sinto-me vazia,

Mergulhando em um abismo sem fim.

Aonde vou parar?

Tenho a sensação de perder os sentidos,

Vejo-me cercada por todos os lados...

Perdida em uma realidade que não é a minha.

Qual será o meu destino?

Há muitos labirintos...

E não sei para onde seguir.

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Quando chega a noite...

E com ela se faz a escuridão.

Amiga... Doce companheira,

Leva-me para os meus sonhos.

Sei que posso adormecer...

Alguém velará o meu sono.

Saio do meu corpo... Volito...

Realizo os meus desejos,

Puro encantamento.

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Aqui estou perecendo aos poucos,

Só terei vida ao teu lado.

Você é quem me desperta,

Faz-me liberta.

Contigo tudo é permitido...

Sou mulher...

Modo atrevido.

Faça a minha luz eterna,

Na essência que me abastece...

Fazendo-me expandir em tua luz!

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Reencontrá-lo é o meu divertimento...

Iluminando a aura que resplandece...

Venha me salvar!


Será que somos descartáveis?

 

Eu tenho o costume de refletir sobre as relações humanas, ou melhor, o que costumo observar.

No fim, chego à seguinte conclusão:

SOMOS TODOS DESCARTÁVEIS!

Pois o ser humano interage com o outro de acordo com o prisma de seu interesse.

Para uma melhor compreensão, o outro te observa com as seguintes questões:

O que o Fulano tem a me oferecer?

O que eu posso obter com a amizade do Beltrano (a)?

O que eu posso ganhar com o Cicrano (a)?

O que eu posso usufruir de tal amizade?

São inúmeras as questões, ou até mesmo a mulher do outro ou o marido da outra!

Isso é um círculo vicioso, amizades movidas a engrenagens de interesses e falsidades.

Estou falando isso, não é porque eu seja a santa da história, estou passando bem longe disso.

O que me leva a compreender que estamos vivendo em uma sociedade doente, aonde tudo é permissivo, de acordo com o caráter ou a falta dele.

A pessoa não mede o seu valor pelo o que se é, mas sim, por aquilo que se tem e pelas vantagens que se pode angariar.

Olhando pelo outro lado da moeda, se certo indivíduo não compactua com tal tipo de comportamento, independente de seu gênero, este é deixado de lado.

E com certeza sofrendo pré julgamento de sua conduta... De sua inteligência... Até mesmo de sua moral.

***

Na verdade...

O ser humano é somente uma pessoa descartável, perante a sociedade.

É muito fácil precisarmos de alguém, lembrarmos dele e depois o deixarmos de lado, como se não mais existisse.

E, claro, não faço isso!

***

Desde que o mundo é mundo e que a política existe, esta roda gira de uma maneira desigual.

Em épocas de eleições o pobre é lembrado...

Enquanto, aquele que está no poder usufrui do trabalho dessas mesmas mãos que o colocaram ali.

E o que ganha em troca é o convívio com a violência e o medo de ser o próximo na estatística.

Quem na verdade é o bandido nesta história:

O pobre e o favelado que não teve a oportunidade de seguir na vida ou o político que está no poder e assina a sua execução?

***

No fundo...

Bem no fundo...

Seja em quais esferas, em nosso convívio com a sociedade ou até mesmo familiar...

Somos descartáveis em quaisquer situações.


domingo, 3 de dezembro de 2023

Não estou sabendo existir

 


Não estou sabendo existir...

Perdi-me na existência –

Dentro de meus sonhos.

Na energia que reverbera –

Na atmosfera.

Desbravando anos à fio.

Quantos anos a minha alma deve possuir?

Mas em um corpo que envelhece a cada dia.

O âmago vai se renovando –

Desejando voltar a ser criança.

Porém, o mundo lá fora está cada vez mais conturbado –

Desmoronando à olhos vistos –

Perdendo-se os valores.

Tudo é questão de tempo, para que eu possa retornar ao lugar de onde vim...

Nem eu mesmo não sei como parei aqui!

Na aura que vai fomentando os dias,

As letras desenhando –

Misturando-se...

Pregando peças –

Entrando em harmonia com o meu ser.

No universo que carrego –

O olhar cheio de curiosidade –

Deixando para trás o supérfluo,

Só desejo o novo.

Que tudo mais se renove,

Não da boca para fora,

E sim, em toda uma existência.

Em fim, haja a consciência –

E de fato, eu possa ser livre!

Alvo

 

Um alvo –

No peito,

Outro –

Nas costas,

O que de direito?

Façam as suas apostas!

Morador periférico –

Entre becos –

Vielas –

Nas favelas!

- Qual o teu nome?

- O teu sobrenome?

- O teu cep?

- O que te entorpece?

- A luta diária,

- A sobrevivência,

- Munido de carência,

- Falta tudo...

- Senhor, um absurdo!

Água –

Luz –

Quase sempre.

O pão de cada dia,

Precisamos nos manter firmes,

Nada de deslizes,

Garantindo a moradia.

O ronco no estômago,

Questão de perigo.

Há caráter que se compre?

Às vezes, a realidade sai em atropelo,

Atravancando os elos.

Uma enxurrada, um tsunami,

O que mais apreciamos a dignidade.

Pelas mãos dos mais fortes –

Do Governo –

Este é o plano,

Cai ao chão,

Omissos em suas questões.

Expondo-nos nos mesmos:

Becos e vielas.

Para sobreviver unidos –

Pintamos a aquarela,

Esta é a grande verdade.

Moradores da periferia,

No peito a galhardia.

Sem o combustível da vida,

A alimentação -

Duvidosa ou vencida.

O que nos move –

E o poder da persuasão...

Ainda há quem se comove.

Realidade ao avesso

 

Somente ver:

Quem quer enxergar.

É muito fácil estar no conforto do seu lar e com uma conta bancária rentável, achando-se o intocável.

Não importa o que aconteça com o meu vizinho, ou na comunidade ao lado do bairro nobre.

Às vezes, a violência nos atinge de forma arbitrária fazendo tudo desmoronar.

A realidade que muito ignoramos, atravessa o peito feito uma lança, atingindo-nos ao meio sem chances de defesa.

É fácil subjugar:

O mais fraco –

O pobre –

O morador da periferia –

Independente da cor de sua pele.

Falar ou mensurar algo que não se vive –

Não dar oportunidades de fato para quem a merece.

O indivíduo não se ver como cidadão –

Não se reconhece.

O ser humano age de forma com a sua consciência –

É fadado ao racismo e ao preconceito, julgando-se superior de acordo com as suas condições.

Infelizmente vivemos e sobrevivemos em uma sociedade que não sabe lidar e de se precaver com as eventuais fatalidades.

Em tudo deveria haver o equilíbrio, rumo à construção a um país automaticamente melhor.

Ao menos não correríamos os perigos que nos ameaçam.

Tangente

 


Pensar no que não viveu...

Ou no que poderia ser.

Uma linha tangente –

Entre a fantasia

E a realidade.


Aquarelas no ar

 

Escrever...

É uma forma de eternizar -

As lembranças-

As tristezas -

Aquarelas pelo ar.