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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Ínfimas escolhas

 


A luz intensa –

Densa,

Ecoa em meio à escuridão.

Aqui dentro o silêncio –

Ensurdecedor se faz presente.

No momento –

Um arrepio,

Numa saída que se apresente,

Como pode ser tão frio,

Um ser e o seu coração?

Não há endereço certo –

Nem o ponto de partida.

Em cada esquina – A despedida –

Nenhum encontro ou acerto.

Conta-me sobre as suas escolhas,

Descubra onde se deu o erro.

Pelo caminho pisando as folhas,

Na garganta preso o berro.

Na inconstância o desespero,

Não encontro, a esperança venero.

A cada dia

 


Uma cidade cinza -

Pessoas tristes e ranzinzas.

Desmoronando seus palácios,

Rios e asfalto em junção.

Quantos desmantelos –

Repletos de indícios -

De governos omissos,

Enterrando compromissos.

Insegurança sem noção -

Morremos a cada dia,

Nas mãos dos iguais.

Realidade fria –

Desencarnes fatais –

Desfazendo-se os elos!

Labirintos

 


Longe de minha essência...

Sinto-me vazia,

Mergulhando em um abismo sem fim.

Aonde vou parar?

Tenho a sensação de perder os sentidos,

Vejo-me cercada por todos os lados...

Perdida em uma realidade que não é a minha.

Qual será o meu destino?

Há muitos labirintos...

E não sei para onde seguir.

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Quando chega a noite...

E com ela se faz a escuridão.

Amiga... Doce companheira,

Leva-me para os meus sonhos.

Sei que posso adormecer...

Alguém velará o meu sono.

Saio do meu corpo... Volito...

Realizo os meus desejos,

Puro encantamento.

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Aqui estou perecendo aos poucos,

Só terei vida ao teu lado.

Você é quem me desperta,

Faz-me liberta.

Contigo tudo é permitido...

Sou mulher...

Modo atrevido.

Faça a minha luz eterna,

Na essência que me abastece...

Fazendo-me expandir em tua luz!

E o meu coração?

Preciso voar...

E me redescobrir,

Como um arco-íris.

Para que não me perca,

Há um brilho aqui dentro...

Guiando-me para além,

E jamais se apagará!

Reencontrá-lo é o meu divertimento...

Iluminando a aura que resplandece...

Venha me salvar!


Será que somos descartáveis?

 

Eu tenho o costume de refletir sobre as relações humanas, ou melhor, o que costumo observar.

No fim, chego à seguinte conclusão:

SOMOS TODOS DESCARTÁVEIS!

Pois o ser humano interage com o outro de acordo com o prisma de seu interesse.

Para uma melhor compreensão, o outro te observa com as seguintes questões:

O que o Fulano tem a me oferecer?

O que eu posso obter com a amizade do Beltrano (a)?

O que eu posso ganhar com o Cicrano (a)?

O que eu posso usufruir de tal amizade?

São inúmeras as questões, ou até mesmo a mulher do outro ou o marido da outra!

Isso é um círculo vicioso, amizades movidas a engrenagens de interesses e falsidades.

Estou falando isso, não é porque eu seja a santa da história, estou passando bem longe disso.

O que me leva a compreender que estamos vivendo em uma sociedade doente, aonde tudo é permissivo, de acordo com o caráter ou a falta dele.

A pessoa não mede o seu valor pelo o que se é, mas sim, por aquilo que se tem e pelas vantagens que se pode angariar.

Olhando pelo outro lado da moeda, se certo indivíduo não compactua com tal tipo de comportamento, independente de seu gênero, este é deixado de lado.

E com certeza sofrendo pré julgamento de sua conduta... De sua inteligência... Até mesmo de sua moral.

***

Na verdade...

O ser humano é somente uma pessoa descartável, perante a sociedade.

É muito fácil precisarmos de alguém, lembrarmos dele e depois o deixarmos de lado, como se não mais existisse.

E, claro, não faço isso!

***

Desde que o mundo é mundo e que a política existe, esta roda gira de uma maneira desigual.

Em épocas de eleições o pobre é lembrado...

Enquanto, aquele que está no poder usufrui do trabalho dessas mesmas mãos que o colocaram ali.

E o que ganha em troca é o convívio com a violência e o medo de ser o próximo na estatística.

Quem na verdade é o bandido nesta história:

O pobre e o favelado que não teve a oportunidade de seguir na vida ou o político que está no poder e assina a sua execução?

***

No fundo...

Bem no fundo...

Seja em quais esferas, em nosso convívio com a sociedade ou até mesmo familiar...

Somos descartáveis em quaisquer situações.


domingo, 3 de dezembro de 2023

Não estou sabendo existir

 


Não estou sabendo existir...

Perdi-me na existência –

Dentro de meus sonhos.

Na energia que reverbera –

Na atmosfera.

Desbravando anos à fio.

Quantos anos a minha alma deve possuir?

Mas em um corpo que envelhece a cada dia.

O âmago vai se renovando –

Desejando voltar a ser criança.

Porém, o mundo lá fora está cada vez mais conturbado –

Desmoronando à olhos vistos –

Perdendo-se os valores.

Tudo é questão de tempo, para que eu possa retornar ao lugar de onde vim...

Nem eu mesmo não sei como parei aqui!

Na aura que vai fomentando os dias,

As letras desenhando –

Misturando-se...

Pregando peças –

Entrando em harmonia com o meu ser.

No universo que carrego –

O olhar cheio de curiosidade –

Deixando para trás o supérfluo,

Só desejo o novo.

Que tudo mais se renove,

Não da boca para fora,

E sim, em toda uma existência.

Em fim, haja a consciência –

E de fato, eu possa ser livre!

Alvo

 

Um alvo –

No peito,

Outro –

Nas costas,

O que de direito?

Façam as suas apostas!

Morador periférico –

Entre becos –

Vielas –

Nas favelas!

- Qual o teu nome?

- O teu sobrenome?

- O teu cep?

- O que te entorpece?

- A luta diária,

- A sobrevivência,

- Munido de carência,

- Falta tudo...

- Senhor, um absurdo!

Água –

Luz –

Quase sempre.

O pão de cada dia,

Precisamos nos manter firmes,

Nada de deslizes,

Garantindo a moradia.

O ronco no estômago,

Questão de perigo.

Há caráter que se compre?

Às vezes, a realidade sai em atropelo,

Atravancando os elos.

Uma enxurrada, um tsunami,

O que mais apreciamos a dignidade.

Pelas mãos dos mais fortes –

Do Governo –

Este é o plano,

Cai ao chão,

Omissos em suas questões.

Expondo-nos nos mesmos:

Becos e vielas.

Para sobreviver unidos –

Pintamos a aquarela,

Esta é a grande verdade.

Moradores da periferia,

No peito a galhardia.

Sem o combustível da vida,

A alimentação -

Duvidosa ou vencida.

O que nos move –

E o poder da persuasão...

Ainda há quem se comove.

Realidade ao avesso

 

Somente ver:

Quem quer enxergar.

É muito fácil estar no conforto do seu lar e com uma conta bancária rentável, achando-se o intocável.

Não importa o que aconteça com o meu vizinho, ou na comunidade ao lado do bairro nobre.

Às vezes, a violência nos atinge de forma arbitrária fazendo tudo desmoronar.

A realidade que muito ignoramos, atravessa o peito feito uma lança, atingindo-nos ao meio sem chances de defesa.

É fácil subjugar:

O mais fraco –

O pobre –

O morador da periferia –

Independente da cor de sua pele.

Falar ou mensurar algo que não se vive –

Não dar oportunidades de fato para quem a merece.

O indivíduo não se ver como cidadão –

Não se reconhece.

O ser humano age de forma com a sua consciência –

É fadado ao racismo e ao preconceito, julgando-se superior de acordo com as suas condições.

Infelizmente vivemos e sobrevivemos em uma sociedade que não sabe lidar e de se precaver com as eventuais fatalidades.

Em tudo deveria haver o equilíbrio, rumo à construção a um país automaticamente melhor.

Ao menos não correríamos os perigos que nos ameaçam.

Tangente

 


Pensar no que não viveu...

Ou no que poderia ser.

Uma linha tangente –

Entre a fantasia

E a realidade.


Aquarelas no ar

 

Escrever...

É uma forma de eternizar -

As lembranças-

As tristezas -

Aquarelas pelo ar.


sábado, 28 de outubro de 2023

A expansão da luz

 

Jamais pensei em reviver as atrocidades de uma guerra.

Antes o que estampava os livros de História com o avançar da tecnologia, agora salta à olhos vistos através das mídias sociais.

O genocídio,  o holocausto turbinado com requintes de crueldade, deixando inocentes acuados feito animais entrincheirados.

Quem tem o poder?

O que limita o certo ou o errado?

Quem decide aquele que vai morrer?

Não há critério algum nesse jogo de gato e rato onde os menos favorecidos são os que mais padecem.

Estou à milhares de quilômetros de distância, mas é como se estivesse lá sentindo todos os horrores de uma agonia sem fim.

Às vezes, tenho a ligeira impressão que todo este ódio vai tomando conta, alastrando-se feito um rastilho de pólvora,  disseminando o caos, e angariando mais mentes perturbadas. O que me trás a sensação dessa ser a meta a ser atingida.

As pessoas promovem toda essa turbulência para evitar a ascensão da humanidade, ao ponto de impedi-la de se redescobrir como realmente é,  trazendo em rédeas curtas,  conduzindo-nos como gados subjugados em nome da involução.

Enquanto,  os poderosos estão protegidos , consequentemente,  os que estão na linha de frente sofrem com a fogueira de vaidades de um desgoverno movido apenas com o intuito de insuflar cada vez mais o seu ego, medindo forças com Deus e o mundo para expandir o seu poderio bélico.

Justiça não se faz alimentando o ódio e promovendo a guerra – Somos totalmente criados para conviver como seres racionais  como se é, porém,  preferimos dar vazão ao que há de mais mesquinho em nossa essência.

Os dias atuais se mostram imprevisíveis,  entretanto,  é necessário o equilíbrio.

Aos que tem o psíquico sadio, os que não se deixam manipular por eventos de baixa vibração, porque este é o intuito, o que eles  desejam para nos ver enfraquecidos e realizar o que simplesmente desejam.

Não é nenhum absurdo que a paz seja um ingrediente mundial para vivermos em total harmonia não cultivando o ego.

A natureza é sábia,  o mundo é  vasto e criou o ser humano para se adaptar conforme o ambiente,  e dessa forma nos enxergamos como pessoas diferentes o que não somos.

No fundo buscamos os mesmos ideais de sobrevivência e ser o que somos  e/ou nos tornarmos pessoas melhores do que em tempos atuais.

Todos têm direito à vida!

Um povo não deve sucumbir para a existência do outro.

A tecnologia deve ser usada para facilitar as formas de comunicação para nos adaptarmos conforme as nossas necessidades e não para tentar contra a vida alheia

Se continuarmos a agir dessa maneira, retornaremos ao pó, transformando-nos em poeira estelar.

No momento,  o mundo está em efervescência onde nos tornamos meros coadjuvantes, um prato cheio para o inimigo,  e nem ao menos sabemos quem o são. Porque tudo aqui não passa de uma mera ilusão. 

A única certeza que possuímos é  da morte, sem sabermos o dia, o momento ou quando se dará.

Há algo muito mais além do que possamos mensurar nessa densidade atmosférica obscura.

Muitos não acreditam ou fingem não existir.

***

Não tenho cem por cento da minha visão física,  o que me faz desenvolver outros sentidos.

É no silêncio que tudo vem – No observar – No sentir.

Antes o que não compreendia, agora vem sem interferências... Pelas asas da intuição.

A espiritualidade encontra a sua maneira de se fazer presente, afastando de nossos caminhos aqueles que não mais agregam, deixando cicatrizes na alma, não para punir, mas sim, para não esquecermos das experiências obtidas.

Simplesmente,  as coisas acontecem para nos ensinar e a nos moldar como seres humanos. Recolha em sua alma o que for bom. Quanto ao restante? Abandone. Não faz sentido algum carregar esse fardo pesado e desnecessário.

Sombras e luz devem coexistir em equilíbrio.

Os que aqui promovem o mal em algum momento terá a sua cobrança realizada.

Há um preço muito alto a ser ajustado.

O bem deve ser sempre a escolha correta.

Aqueles que estão despertos escolhem trilhar outra estrada, por mais difícil que seja, a sua recompensa chegará.

A luz deve permanecer sempre acesa para iluminar e extinguir as trevas.