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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Normalidade


 

Desde o início, 

Ronda-nos uma sombra, 

Na dualidade da percepção. 

De fato o que somos?

Ou o que faremos aqui?

Guiando-nos tantas doutrinas,

O flagelo da intolerância. 

O de ter de separar o joio do trigo,

Disseminando o caos,

Como cessar o fatídico perigo?


As horas de incertezas, 

Não brilham mais as luzes.

Na atmosfera cinzenta, 

Tudo parece perder a graça, 

Distante da perfeição. 

Somos teimosos,

Iguais as crianças fazendo pirraça. 


Obrigados a conviver com o medo,

Pagando alheios pecados. 

Generalizando a violência, 

A saúde mental fragilizada,

Gritando por clemência. 

Em alta o poder aquisitivo, 

Quem está a margem,

Sente-se à míngua. 


A ganância e o ego,

Dando as cartas.

No vislumbre do apocalipse, 

A base vem como as marcadas.

Por onde anda a empatia?

No estômago resta a ânsia, 

A população miserável,

Sangrando em meio aos holofotes.

A cada segundo os sobreviventes,

Tendo que mostrar que são fortes.


É uma luta diária,

Entre o sonho e a realidade.

O Estado confisca a felicidade, 

Essa que é a triste verdade. 

O Sistema é máquina  -

De moer gente. 

Sempre foi assim –

Nada de diferente. 


O novo amanhecer presenteado,

Ao que estamos predestinados?

Engolindo à seco,

A perversidade é o combustível.

Será que nunca atingiremos outro nível?

De uma sociedade polarizada.

Armando todos os dias um circo diferente, 

Promovendo-se em palcos, palanques.

Usufruindo do desespero alheio,

Enquanto, a plateia,

Indignada, rodeada pelo vespeiro.


O Governo em estado de omissão, 

Exibindo corpos em putrefação. 

A humanidade falida,

Em constante emburrecimento.

Alienada até o último pensamento, 

Cegos e teleguiados,

Pelo espetáculo da ilusão. 

Todos fazendo malabarismos,

Desejando mais alguns segundos de atenção. 

Forjados por falsas notícias, 

Intitulando-se a salvação da Pátria.

Não passam de meros mortais,

Abarrotando cofres –

Diante do sofrimento do próximo.

Profetas impostores,

Denominando-se de Deus os pastores.

À crimes dando brechas,

Posam de benfeitores,

Mas não passam de trambiqueiros.

Em frente as telas, arruaceiros, 

Choram lágrimas de crocodilo. 


Se há uma luz no fim do túnel, 

Diga-me você. 

O povo interessado na  arte do entretenimento,

No acúmulo de dopamina.

Anulando-se para caber, adrenalina, 

Os sintomas surreais de empobrecimento cultural.

Enquanto isso, próximo às nossas casas, a violência, 

Políticos corruptos, fomentando a guerra,

Destruindo o Planeta Terra. 

Diante da incredulidade, 

Na manhã seguinte a normalidade. 


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