Desde o início,
Ronda-nos uma sombra,
Na dualidade da percepção.
De fato o que somos?
Ou o que faremos aqui?
Guiando-nos tantas doutrinas,
O flagelo da intolerância.
O de ter de separar o joio do trigo,
Disseminando o caos,
Como cessar o fatídico perigo?
As horas de incertezas,
Não brilham mais as luzes.
Na atmosfera cinzenta,
Tudo parece perder a graça,
Distante da perfeição.
Somos teimosos,
Iguais as crianças fazendo pirraça.
Obrigados a conviver com o medo,
Pagando alheios pecados.
Generalizando a violência,
A saúde mental fragilizada,
Gritando por clemência.
Em alta o poder aquisitivo,
Quem está a margem,
Sente-se à míngua.
A ganância e o ego,
Dando as cartas.
No vislumbre do apocalipse,
A base vem como as marcadas.
Por onde anda a empatia?
No estômago resta a ânsia,
A população miserável,
Sangrando em meio aos holofotes.
A cada segundo os sobreviventes,
Tendo que mostrar que são fortes.
É uma luta diária,
Entre o sonho e a realidade.
O Estado confisca a felicidade,
Essa que é a triste verdade.
O Sistema é máquina -
De moer gente.
Sempre foi assim –
Nada de diferente.
O novo amanhecer presenteado,
Ao que estamos predestinados?
Engolindo à seco,
A perversidade é o combustível.
Será que nunca atingiremos outro nível?
De uma sociedade polarizada.
Armando todos os dias um circo diferente,
Promovendo-se em palcos, palanques.
Usufruindo do desespero alheio,
Enquanto, a plateia,
Indignada, rodeada pelo vespeiro.
O Governo em estado de omissão,
Exibindo corpos em putrefação.
A humanidade falida,
Em constante emburrecimento.
Alienada até o último pensamento,
Cegos e teleguiados,
Pelo espetáculo da ilusão.
Todos fazendo malabarismos,
Desejando mais alguns segundos de atenção.
Forjados por falsas notícias,
Intitulando-se a salvação da Pátria.
Não passam de meros mortais,
Abarrotando cofres –
Diante do sofrimento do próximo.
Profetas impostores,
Denominando-se de Deus os pastores.
À crimes dando brechas,
Posam de benfeitores,
Mas não passam de trambiqueiros.
Em frente as telas, arruaceiros,
Choram lágrimas de crocodilo.
Se há uma luz no fim do túnel,
Diga-me você.
O povo interessado na arte do entretenimento,
No acúmulo de dopamina.
Anulando-se para caber, adrenalina,
Os sintomas surreais de empobrecimento cultural.
Enquanto isso, próximo às nossas casas, a violência,
Políticos corruptos, fomentando a guerra,
Destruindo o Planeta Terra.
Diante da incredulidade,
Na manhã seguinte a normalidade.
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