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terça-feira, 1 de abril de 2025

Carta para Abril - 2.025



Em um piscar de olhos...

Seja bem vindo abril.

E que em cada um de seu amanhecer – 

Venha nos abençoar. 

Iluminando  -

Irradiando  a nossa essência,

Fazendo com que possamos desbravar novos rumos. 


Mesmo que haja um vazio entre as lacunas de nossas vidas,  

Podemos esperar sem ansiedade que algo novo aconteça,

Transparecendo uma nova felicidade. 


Os “ses” na verdade não existem!

Já os sonhos são como ferramentas que nos impulsionam à ir para frente. 

Porém,  é uma faca de dois gumes em suas nuances efêmeras que vem povoar os pensamentos, adaptando o nosso cérebro à  outra realidade.

A fim de celebrar a vida como precisa ser.

E não ficar murmurando ou remoendo por algo que não deu certo. 

Os livramentos vêm em forma de nãos e portas fechadas. 


Os nossos corpos são formados por energias...

Pelos caminhos raramente encontramos alguma que se alinhe com as nossas. 

No entanto,  não são todas que de fato se reconectarão, vivendo experiências mútuas. 

Porque cada um de nós somos consequências de nossas próprias escolhas, sejam elas boas ou ruins.

Às vezes, pensamos ser algo, mas inconscientemente,  agimos pelo impulso. 

Em um futuro próximo ou não,  mostra-se diferente do que imaginamos.

Por isso,  é bom refletirmos com cautela,  para não colocar o carro na frente dos bois, ou trocarmos os pés pelas mãos. 

Portanto,  a resiliência é algo concreto que possuímos e devemos ter sempre em mente. 


Os dias estão cada vez mais corridos, fugindo de nossos dedos feito areia e ele é tão precioso quanto ao oxigênio límpido na atmosfera para que possamos respirar e sobreviver sem nenhuma consequência. Contanto, torna-se cada vez mais raro.


O que desejo dizer com isso tudo é que não há nada impossível quando decidimos pelo silêncio e perseverança. 

Na intenção de parar e observar e olharmos com mais clareza como os seres humanos vivem ou obviamente sobrevivem sobre a face da Terra, cada vez mais mecanizados agindo como robôs sob os efeitos da extensão de dispositivos eletrônicos que carregam em suas mãos. 

Por ventura, os seus corações esfriam  como se nada mais importasse.


Desejo que este mês de abril...

Seja um mês de reflexão, não somente no momento de leitura desta carta.

Mas que em todos os dias, ao acordarmos  possamos ser pessoas melhores possuindo o discernimento de nós tornarmos mais humanos, amparando quem assim necessitar e pedir auxílio. 


Abril já é:

Saúde, 

Amor,

Sorte,

Zelo,

Gratidão, 

Prosperidade, 

Caridade. 


Sejamos luz!


Escolhas


 

Maior medo


 

quarta-feira, 26 de março de 2025

Descartável

Não se preocupe...
Alimento-me -
Abasteço-me -
Da solitude.
É um manjar tão saboroso,
Diferente de essências volúveis.
Reconstruindo-me - 
De sonhos possíveis. 

Embora, sinta falta:
De uma conversa franca,
Do olho no olho -
Inteligente e palpável,
Distante do descartável. 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Carta para 1.993

 


Há se existisse uma máquina que pudesse me fazer voltar ao tempo...
Escolheria uma janela nessa tórrida aventura.
Faria tudo simplesmente diferente, 
Não pensaria em evitar tantos erros,
Talvez fossem consequências...
Escolhas mal sucedidas.
Mas viveria momentos intensos –
Quanto a trajetória de uma vida inteira. 

O passado é tão distante, 
Mesmo a data interior à atual.
Como mesmo constatamos, passou,
É tão efêmero quanto as estrelas no céu.
Onde podemos avistar o seu brilho,
Nos longínquos anos luz.
Porque cumpriram o seu papel,
Em realizações de sonhos.
Sim, ao menos notar, reflexão,
Na alquimia de ações. 

Você através de atitudes  -
Ensinou a me reconhecer como pessoa.
A saber admirar pessoas inteligentes,
Convivendo em um ambiente tão conturbado.
Em minha pouca idade,
Totalmente inexperiente.
Os “se” tomando conta da minha imaginação fértil, 
Desde sempre o meu lado poeta em questão.

Posso ter me perdido pelas trilhas, 
Por caminhos equivocados.
Mas os mesmos fizeram com quem hoje  sou,
Sem críticas e nenhum arrependimento. 
Pois cada um reconhece as bagagens que carrega, 
E não há maior entendimento quando superamos cada obstáculo.

A vivência trás as suas virtudes,
Incompreensíveis ou não. 
Em viagens sobrenaturais, 
Fazendo parte literal de meus desdobramentos.
Onde o espírito volita por outras dimensões, 
Acreditar e realizar grandes reencontros,
Através do extraordinário -
Jogando-nos de cabeça à momentos incríveis.
Embora, a nossa história na terceira dimensão não se cruze, 
Esvaiu-se a derradeira chance.
Ou quem sabe em um momento,  podemos nos esbarrar de forma singela e casual.

Hoje trago a firmeza comigo,
Protegendo-me –
Livrando-me dos perigos.
Em meio ao mar de incertezas, 
Também um bloqueio no coração.
De repente,  de um minuto para o outro,
Tudo aqui pode chegar ao fim.
Evidencio a luminescência, 
No desejo de novamente acontecer a conexão, 
Pois existem algumas coisas a serem esclarecidas.
Diante de um trauma,  um gatilho, 
Mas durante os anos,
Desvaneceram os empecilhos. 
Trago comigo as cores do arco-iris,
Emoldurando nova perspectiva.
Transmutando as expectativas,
Transformando as narrativas.

Permanecerão em mim,
As suas lembranças -
Em constantes vibrações.
O toque suave e singelo,
Tão repentino, e natural.
Não importa o que aconteça,
Em um tempo-espaço. 
Que parece um infinito na Terra,
Mas que é apenas um segundo no interdimensional. 
Somos a sequência, 
Do que reverbera em nossa essência. 

Sempre estará presente, 
De uma maneira ou de outra.

Gratidão 

domingo, 9 de março de 2025

Carta para a humanidade XXV



- Não sou daqui!
- Estou aqui!

Na tentativa de algo,
Ou é uma peça da imaginação. 
De quem sabe,
Redescobrir o paraíso. 
Entranhado por linhas paralelas, 
Observando o que resta da Natureza,
Reflexiva no alto das minhas janelas.
Ofuscada pela fumaça,
Paisagem cinzenta. 
No calor torrencial, 
Entre o concreto e o asfalto. 
Às vezes, perco a razão, 
Desejando jogar tudo para o alto.

O ser humano,
É  totalmente bipolar.
Para a sua sobrevivência, 
Arrefecendo o próprio ar.
O que nos resta então?
Sobreviver na dualidade, 
Amenizando a realidade. 
Ligando ao máximo, 
O grau de existência. 

Como devotos de uma seita qualquer, 
Agarrando-nos a todos os credos  possíveis. 
Em meio à orações e conjuros, 
Alicerçando com fé a esperança. 
O produto cada vez em extinção, 
Está o respeito. 
Fomentado na intolerância, 
Na obsolescência programada,
Ao longo da estrada.
Favorecimento ao capitalismo, 
Impondo a questão da resistência. 
Onde o conforme, 
Cada vez mais inacessível. 

Derretemo-nos neste calor surreal, 
A Terra um ser vivo,
Traduz em sua magnitude, 
O que almeja para si.
Tornando-nos desnecessários,
Um  ser descartável.

Digo e repito:
- Não sou daqui!
- Estou aqui!
Em busca da compreensão, 
Como renegar? 
Fora de cogitação. 

Este é apenas um lar temporário, 
Em nossa pequena estadia.
Devemos fazer o melhor,
E não destrui-lo.
Retornaremos em algum momento, 
Sem sabermos o dia da partida. 
Do jeito e como será,
Só saberemos no instante. 
Preservarmos –
Ponderarmos as atitudes, 
Fará com que trilhemos outro caminho. 
De flores,
Ao invés,  de espinhos.
Repensarmos os atos,
Fugindo da ilusão. 
Não cairmos em contradição, 
Sacrifícios serão indispensáveis. 
Para formatamos melhores dias,
Embora, o tempo pareça tenebroso. 
Iminentes guerras,
Assolando sem precedentes a Terra.
Há algo acontecendo,
Em planos superiores. 
Na verdade  sempre existiu sombrios planos,
Sem darmos a devida atenção. 

Os adormecidos vagando desorientados,
Exímios de responsabilidades.
Incrementando as atrocidades, 
Espalhando a maldade. 
Tudo é questão de nos espelharmos na reflexão,
Quanto mais pessoas ao nosso lado,
Feito grãos de areia –
Haverá chances de reverter este quadro. 
Enquanto,  existir possibilidades,
Sempre estaremos presentes. 
Para que na Terra –
Faça-se uma morada descente.

quinta-feira, 6 de março de 2025

Reset


Viajo por um lugar transcendental,

Transbordo-me –

Por dimensões paralelas,

Entoando boas vibrações. 

Observo pessoas  -

Mergulhadas no vazio.

Tentando preencher,

Algum buraco sem fundo.

De uma vida baseada em egos,

Vivenciando adrenalina e perigos  -

As suas almas sem abrigo,

Em completo abandono,

Exímios de emoções. 


Não é o que desejo,

Influente ensejo.

Às vezes, a dor é inevitável, 

Mas não devemos por ela nos guiar -

Mesmo que nos falta o ar.

O destino é tão aleatório, 

Quanto a correnteza de um rio.

Levando-nos de surpresa,

Para alguma represa.

Jogando-nos em direções opostas,

Ultrapassaremos a linha de chegada?

Façam  inevitáveis apostas.


Por mais que pareça surreal,

Lutando para não cair em contradição. 

A realidade fomenta um ciclo de horror, 

Sabermos separar o joio do trigo –

Será que esta é a nossa missão?

Escolhermos onde ficar, um lado,

Cometermos ou redimirmos dos pecados. 

A luta traçada com o sobrenatural, 

Quem dará o respaldo, o aval?


Na Terra tudo ressoa diferente, 

O caos fazendo enfrentar o próprio medo.

Sem ao menos esperar,  a turbulência de repente, 

O que testemunharemos logo em seguida?

Retornarmos ao local de partida, 

Fornecendo o reset necessário. 

Apagando este mundo arbitrário,

A humanidade inconsequente. 

Agindo de modo insatisfatório,

Sentimentos ofuscados pela tecnologia. 

Cadê o resquício de empatia?


A quantas anda o senso de direção?

A maldade ganhando na estatística da contradição, 

Em pequenas bolhas –

Prevendo as falhas. 

O egocentrismo em pauta,

O narcisismo não falta.

Alimentando a insanidade da carne,

Demonstrando na pele total desgaste.

No quanto mais se tem,

Mais se cobiça  -

O capitalismo atiça. 


Com atitudes avassaladoras,

Inquietantes aventuras.

Todos possuímos o poder de escolhas,

Embora, pequenas há consequências.

Permito-me ser mais forte,

Ascensionando  a essência. 

Como um pequeno conta gotas,

O sol iluminando a porta.

Esta é a magia,

Em não se deixar levar pelo inconsistente.

Mergulhando em si,

Abrindo a mente. 

Para o justo e necessário, 

Atravessando desafios.

Portanto, que o prazer, 

De cada amanhã  -

Esteja por um fio.


terça-feira, 4 de março de 2025

Convivência harmônica


A caneta em punho,

A minha frente  -

Folhas de papel em branco.

Transmutação -

Uma grande tela,

Conexão com o sobrenatural. 


O que há aqui dentro, 

Para realizar a transcrição?

A espera de inúmeras letras,

Afim de traduzir sentimentos. 

A mente vazia,

Liberta do ego.

Almejando dias melhores,

De um mundo melhor,  a construção. 


A essência aguardando os pensamentos, 

Co-criando novo espaço. 

Para (re)viver outro passo, 

Cultivando renovado amanhecer. 

Na luta pela equalização, 

De um frágil coração. 

Não importa o compasso, 

E qual é o seu ritmo. 

Este já cansou de migalhas, 

Presenteia-se com grande banquete. 

Saboreando o deleite do prazer, 

Se não for desse jeito, 

Prefiro a solitude.

Ao intuito do entreter,

No embevecer. 


Não importa as circunstâncias, 

Esperou por demais,

Em completa ansiedade.

E de nada superou as expectativas,

Até que nada de diferente aconteça.

Vive montando na ilusão,

O próprio quebra cabeça. 


Antes que desse mundo a vida pereça, 

Renascendo em outra dimensão. 

Recebendo a maior recompensa,

Outra consciência

Reformulando o acolhimento,

Revelando outro nível da ascensão. 


A vaidade na Terra,

É algo supérfluo.

Que aos poucos se desvanece,

Feito nuvens no verão. 

Não existe a satisfação, 

E, sim, a gratidão. 

Por superar cada momento, 

Sucessivamente,  amparando os que desejam ser.

É como um manjar sobre a mesa,

Aguardando a degustação. 

Coexistindo de fato com a Natureza, 

Com todo o esplendor de sua beleza.


Há o instante certo para tudo,

Equivalente às escolhas.

Ponderando,  seguindo diferentes trilhas,

Possuímos a chance de chegarmos a outro patamar. 

Como as águas de um rio,

Guiando-se para o mar.


O tracejado no papel, 

É apenas uma desculpa. 

Para ensinarmos sem culpa,

O que poderia ser a convivência harmônica,

Dos seres humanos,

Que teimam em se degladiar.


sábado, 1 de março de 2025

Carta para Março - 2.025



Março –

Seja bem vindo –

Em sua amplitude –

E sua magnitude!


Coincidentemente,  o primeiro dia desse ciclo se iniciou com o período de carnaval.

Não que alguma parte dos brasileiros já não vivenciassem a sua essência durante o ano novo e também nos dois primeiros meses do ano.

Desde que o mundo é mundo o ser humano se deixou levar pela manipulação, agindo feito marionetes através de comandos de quem eles nem mesmo fazem ideia de quem são, como massa de manobra, condicionados, jogados de um lado para o outro,  parecendo anestesiados e negligentes quanto à própria realidade, pensando somente no momento presente, sem ao menos cogitar o pensamento do que virá depois.

Com esse comportamento,  as suas consequências não recai  somente no entorno ou sobre quem vive  essa data de corpo e alma.

Os transtornos e a densidade recai sobre todos, principalmente,  sobre os que não estão preparados ou firmes espiritualmente e passar por esta transição turbulenta.

Então,  mantermo-nos fortes  e espelhados na luz, faz com que possamos sair ilesos.

Não é nada fácil atravessarmos essa montanha russa e possamos chegar do outro lado.

Em todo ciclo que se inicia, existe a sua dose de sacrifícios, mesmo que precisamos deixar e nos afastar das pessoas com as quais possuímos em alta estima.


Em tudo há uma razão para ser!


Luz e sombras coexistem –

Não se misturam –

Apenas se complementam para manter  o equilíbrio,

Por entre as polaridades  que se conjecturam.


De um modo atraente, certos indivíduos se deixam levar pela facilidade... 

Mas é aí que se enganam.

Em tudo há as suas cobranças!


O valor da luz requer mais peso, mas no futuro o seu fardo será mais leve.

O seu trabalho no presente pode parecer desgastante diante da transmutação  em ser julgado como alguém sem compromisso diante das adversidades  que tenhamos que enfrentar. 

O ser tachados como inconvenientes  ou preguiçosos.


Nada disso importa!

Todos possuímos uma missão!


Cabe à cada um de nós realizarmos ou não...

Isso vai de acordo com a nossa consciência, se a possuímos ou nós fazemos de desentendidos.

E aos despertos existe uma cobrança ainda maior, porque é de conhecimento ser consciente.

Com isso,  acarreta todos os perigos de um iminente ataque.


Como vai saber lidar com essa situação?


Haverá equilíbrio suficiente para se manter de pé?


Este período de carnaval engloba muitas questões e não é somente a do capitalismo.

É uma maneira do ser humano,  mostra-se mais vulnerável, demonstrando a sua verdadeira essência.

Desejo que tenhamos o mínimo de perdas possíveis.

O lado cruel do sobrenatural se mantém atento e em alerta à todo o instante,  aguardando um pequeno deslize de nossa parte.


Que Março venha se transmutar em energia positiva  - Em luz, configurando-se em um farol protegendo as pessoas,  principalmente,  as do bem que apenas desejam viver e progredir com as suas vidas em velhas rotinas. 


Que o brilho não seja apenas em dias de folia, mas sim, em todos o amanhecer, renovando a dádiva de estarmos convivendo e experenciando momentos únicos. 

E que o ser humano saiba criar raízes  com a Terra protegendo todo o nosso habitat.

Dessa forma gerando um vínculo de paz e harmonia. 


Em pleno século XXI,  no ano de dois mil e vinte e cinco,  não aprendemos a respeitar os nossos limites.  E estamos devastando cada vez mais o nosso Planeta, onde estamos vivendo temperaturas extremas de calor ou de frio.

Já passou do momento de cessarmos para refletir. Portanto,  devemos tomar atitudes mais drásticas, desse modo, reverter este quadro.


O que deixaremos para as próxima gerações?


A Natureza  -

Os animais  -

Tem muito o que nos ensinar!


Sejamos gratos por pisarmos neste chão!


Março  -

Resplandeça a luz.

Ativando a Centelha Divina,

Em nossos corações. 



Sejamos luz!


Gratidão!

Gratidão!

Gratidão!


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Mergulhados na ostentação



Uma sensação de impotência -

O despertar...

Querer abraçar o mundo,

Com as próprias mãos. 

O que consigo com a realidade, 

É apenas estagnação. 

Um silêncio constrangedor, 

De um Estado omisso. 

Com a vida, 

Sem compromisso. 


Qual é a diferença?

O tanto fez –

Como o tanto faz,

Nenhum modo apraz.

Recriando a Pátria Mãe gentil, 

Da desilusão,

Neste estado febril de putrefação.

Viver de maneira sutil,

Sem abnegação. 


Com quantos paus,

Constrói uma canoa?

Se o tempo escorre feito areia,

Insetos caindo nas teias -

Na ilusão não ressoa.


Rastejando como vermes,

É o que eles querem, humilhação. 

Entoando sucessivamente,  ato de contrição,

Quando nos perdemos nessa imensidão?

Almejando o impossível, 

Mergulhados na ostentação. 

Enquanto,  permanece a gentrificação, 

O tamanho do absurdo. 


Em ordem crescente, 

Vivenciamos a via crucis. 

No calor esfuziante, 

Tomando conta o caos.

Despedaçando a carne,

Ou queimando a pele.


Qual o valor atribuído, 

A cada detalhe  -

Medido pela classe social,

Ou pela cor de nossas dermes?

Uma conta bancária, 

Ainda a inexistência da mesma?

Os dias passando acelerados,

Do contrário,  rastejando igual a lesma.


Na verdade é um grande descompasso, 

Em lentos passos,

Abarrotando bolsos, e não os nossos.

Insaciáveis impostos,

De nada valemos, somos os alvos.

A carne marcada como dispensável,

De um sistema cada vez mais impecável. 

Sobrevivência a pão e água,

O sangue na sarjeta desagua. 

Apenas números, 

Para a vil estatística. 

O cotidiano,  nenhuma perspectiva, 

Emoldurado de concreto e asfalto.

Um espaço cinza e abafado,

No efeito estufa de dessabores,

Perdendo o brilho das cores.